Ciência e Tecnologia

Microplásticos no sangue humano

"Num estudo, onde coletaram sangue de adultos, recém-nascidos e fetos, os cientistas observaram que metade das amostras do grupo pesquisado continha vestígios de plásticos"

Cássio Betine*
27/03/22 às 11h00

Apesar de tanta tecnologia, inclusive as que se propõem a produzir soluções inovadoras que respeitem o meio ambiente, a saúde e a qualidade de vida humana, um estudo recente publicado na revista de ciência Environmental Health Perspectives por cientistas europeus, apontou para um problema seríssimo para a saúde dos humanos que está acontecendo agora e vai se desdobrar no futuro da humanidade: a existência de microplásticos no sangue humano.

Além do estudo detectar partículas sintéticas em pessoas adultas, também encontrou em fetos ainda dentro da placenta humana e até em bebês recém-nascidos.

Num estudo, onde coletaram sangue de adultos, recém-nascidos e fetos, os cientistas observaram que metade das amostras do grupo pesquisado continha vestígios de plásticos. Plásticos normalmente usados ??em garrafas descartáveis e outros utilizados para embalar alimentos. Até mesmo na poeira das casas essas partículas podem estar presentes.

(Foto: Pixabay)

Sobre as crianças, “Ninguém sabe exatamente quanto microplástico uma criança ingere”, acrescentou Kam Sripada, neurocientista da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e principal pesquisador por trás do estudo. “Mas vários estudos sugerem que as crianças de hoje absorvem microplásticos em seus corpos já na idade fetal. Isso é preocupante”, conclui Sripada.

Essas descobertas enfatizam o tamanho do perigo que essa quantidade de plásticos no mundo – que, diga-se de passagem, é absurdamente gigantesca -, podem causar no mundo. Além disso, os sistemas de descarte inconsequente continuam poluindo muito a natureza, a qual absorve essas micropartículas, que posteriormente são ingeridas diretamente ou indiretamente por meio dos alimentos ou contidos em suas embalagens.

Como consequência, os cientistas acreditam que os resíduos plásticos no organismo podem causar danos às células e até interromper a produção de hormônios, ou seja, alterar completamente o metabolismo humano.

Em resumo, essa é uma descoberta sombria que, sem dúvida, será cada vez mais difícil ignorar, pois se acumula a cada dia. 

“Estamos apenas começando a entender como os plásticos estão devastando nossos corpos – para não mencionar o planeta terra, disse Dick Vethaak, ecotoxicologista da Vrije Universiteit Amsterdam e coautor desse estudo.

Isso pode parecer distante, mas alguém no futuro, vai pagar caro essa conta.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Cassio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos


** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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