Ciência e Tecnologia

Robôs cirurgiões e neurônios artificiais

"Esse tipo de intervenção robótica vem sendo estudada já faz um bom tempo, mas nunca antes sem nenhum acompanhamento humano"

Cássio Betine*
30/01/22 às 13h00

Este ano foi realizado o primeiro procedimento cirúrgico inteiramente executado por uma máquina, sem nenhuma interferência humana. Utilizaram um porco para os testes. Além da experiência ser repetida várias vezes e todas com total eficiência, os responsáveis pelo projeto disseram que o resultado foi muito melhor do que o realizado por humanos.

Esse tipo de intervenção robótica vem sendo estudada já faz um bom tempo, mas nunca antes sem nenhum acompanhamento humano. Segundo especialistas, esse tipo de operação requer um alto nível de precisão, bem como a realização de movimentos repetitivos, sem tremer de mãos ou má aplicação de suturas, que podem levar a consequências graves para os doentes, sendo assim um ótimo teste para essas máquinas inteligentes.

Elas são dotadas de todo equipamento tecnológico de ponta e claro, utilizam também as habilidades de uma complexa e segura inteligência artificial. O coordenador do projeto, Alex Krieger, prevê que no futuro será "uma democratização" do cuidado aos pacientes, "com resultados mais previsíveis e consistentes".

O nome desse robô é STAR (Smart Tissue Autonomous Robot) e foi criado na faculdade de engenharia da Universidade Johns Hopkins, nos EUA. Eles acreditam que em breve esses robôs estarão operando vários outros procedimentos e é uma questão de tempo para começarem a ganhar espaço.

De outro lado, a Neuralink, empresa do grupo de Elon Musk - o dono da Tesla e da fabricante de foguetes Space-X, está acelerando o processo do estudo da empresa que tem como objetivo reestabelecer as sinapses cerebrais entre os neurônios para possibilitar que problemas de paralisia sejam revertidos.

Num primeiro momento eles estudam a possibilidade de pessoas paralíticas operarem alguns equipamentos diretamente por meio de sinais cerebrais.

Apesar de alguns especialistas da área estarem receosos em relação aos testes desta tecnologia em humanos (já foram exaustivamente realizadas em animais), há uma fila de voluntários aguardando a liberação, que ainda depende de aval legal.

Por mais que possamos ter desconfiança sobre a interferência dessas máquinas na vida humana, devemos considerar que elas são desenvolvidas para aprimorar e melhorar nossas vidas. A biônica já é uma realidade.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Cassio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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