Ciência e Tecnologia

Telefones 'burros'

"Além de não conectar à internet, eles também não permitem instalação de aplicativos, não têm bluetooth e não têm câmeras ultra potentes para tirar fotos ou gravar vídeos"

Cássio Betine*
10/04/22 às 12h30
(Foto: Divulgação)

Parece que o impacto das telas azuis que ficam na palma da mão das pessoas atingiu seu ápice e uma espécie de regressão vem acometendo grande parte da população global. Uma forte onda pela procura e uso de telefones celulares “burros” vem ganhando força há cerca de 3 anos.

Atualmente, cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo estão usando esses telefones “burros”, e muitos são jovens de até 30 anos. Para se ter ideia, o número total de smartphones (os celulares inteligentes) somam aproximadamente 4 bilhões. Ou seja, uma em cada cinco pessoas no mundo que têm celular, o aparelho não é conectado. E essa onda cresce.

Além de não conectar à internet, eles também não permitem instalação de aplicativos, não têm bluetooth e não têm câmeras ultra potentes para tirar fotos ou gravar vídeos. Eles apenas fazem e recebem chamadas, recebem e enviam mensagens de texto, e quando muito, permitem que se ouçam músicas ou escutem rádios difusoras.

Para se ter ideia, existe até uma startup americana que está produzindo e faturando muito com a venda desses aparelhos. Segundo o fundador da empresa, Kaiwei Tang, seus telefones "nunca terão redes sociais, notícias para atrair cliques, e-mail, navegadores da internet, nem outros feeds infinitos para induzir a ansiedade". Na opinião dele, os smartphones são como algo que controla a vida dos humanos.

Alguns atribuem essa adesão a uma espécie de modismo retrô, mas para a especialista em tecnologia Sandra Wachter, pesquisadora sênior na área de inteligência artificial da Universidade de Oxford, no Reino Unido, é compreensível que algumas pessoas estejam procurando telefones celulares mais simples para evitarem a dependência quase que integral dos vastos atrativos e funcionalidades que os smartphones conectados promovem.

Ela acrescenta ainda, que os aparelhos inteligentes sempre procuram chamar a atenção do usuário com notificações, atualizações, notícias de última hora e isso interrompe constantemente qualquer atividade que se esteja fazendo, e isso pode manter as pessoas apreensivas e agitadas, o que afeta diretamente a saúde mental.

A pesquisadora conclui que "faz sentido que algumas pessoas estejam agora procurando tecnologias mais simples e acreditem que os telefones “burros” podem representar um retorno a tempos mais simples. Eles poderão oferecer mais tempo para que as pessoas se concentrem em uma única tarefa e se dediquem a ela mais objetivamente. Eles poderão até acalmar as pessoas. Estudos demonstraram que a quantidade excessiva de escolhas pode criar infelicidade e agitação."

E aí, teria coragem de abandonar o seu smartphone?

(Foto: Arquivo pessoal)

*Cassio Betine é head do ecossistema regional de startups, coordenador de meetups tecnológicos regionais, coordenador e mentor de Startup Weekend e pilot do Walking Together. Cássio é autor do podcast Drops Tecnológicos

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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