Um estudo recente realizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) abordou os impactos da evolução e disseminação das tecnologias de inteligência artificial a partir do momento em que elas já substituem alguns tipos de atividades humanas e também quais atividades poderão ser substituídas – considerando os avanços em curso.
Dificilmente aquelas profissões que já estão sendo realizadas por máquinas voltarão a ser feitas por humanos. Há centenas delas em uso, desde supercomputadores que realizam trabalhos de pesquisas e análises profundas nas áreas de direito, por exemplo, e robôs montadores para indústrias em geral, até um simples chatbots que nos atendem através de sites ou plataformas de fast food. A lista é grande e já suprimiu muitos empregos.
A projeção futura é que empregos mais sofisticados também possam ser afetados, como técnicos de exames médicos, analistas de mercado e até mesmo profissionais de publicidade, jornalismo, redatores ou revisores de textos.
Contudo, nos países subdesenvolvidos, como os dá América Latina – onde o Brasil se encaixa -, o risco dessa substituição é menor devido a alguns fatores, como a própria conformação do mercado de trabalho em relação a adoção de novas tecnologias. Tudo por aqui é bem mais lento, burocrático e moroso. A velocidade de atualizações é bem menor em comparação aos países mais avançados. Os salários praticados também são outro fator que faz muita diferença. Salários baixos e economia instável não estimulam as empresas a substituírem trabalhadores por mecanismos novos, mesmo que num futuro possam se diluir dentro do processo.
Considerando este cenário, o Brasil apresenta hoje um índice de substituição de 27%, ou seja, 27 a cada 100 funcionários perderão seus empregos para as máquinas nos próximos 10 anos. Nos EUA a relação é de 47%, ou seja, lá quase metade da mão de obra humana será substituída por máquinas.
Os especialistas não falam em perda de emprego, falam sobre deslocamento de função. Onde esse processo de substituição exigirá que as pessoas devam se capacitar para novas habilidades. Eles estimam que, globalmente, cerca 400 milhões de empregos serão ocupados por máquinas. Em contrapartida, serão geradas entre 350 e 500 milhões de novas oportunidades.
O que é melhor então? Estagnar o desenvolvimento para obter vantagens financeiras e garantir empregos ou abrir as portas para as tecnologias e capacitar pessoas?
