Recentemente, vi um boné com a frase: “Make advertising great again” e não pude deixar de achar sensacional. Como um “AdNerd”, gostei tanto que me senti inspirado a refletir mais profundamente sobre a propaganda e sua evolução. Esse boné me trouxe várias questões e, assim, resolvi escrever um texto que compartilha meus pensamentos sobre comunicação, propaganda e a transformação desse setor.
É inegável que vivemos uma era em que a propaganda está presente em todos os lugares. Nunca houve tanta publicidade no mundo, e nunca as pessoas estiveram tão conectadas às mídias por tanto tempo. As plataformas digitais estão saturadas de anúncios, e basta abrir o Instagram para perceber a quantidade de campanhas que aparecem em nossa linha do tempo. Não só a propaganda está “grande”, como se tornou uma parte intrínseca do nosso cotidiano.
Então, o que mudou? Por que a sensação de que algo está diferente? E por que um boné com uma frase como essa ressoou tanto comigo? Na minha visão, a publicidade nunca foi tão vasta e, ao mesmo tempo, tão fragmentada. O que antes era um campo restrito, dominado por grandes marcas e agências, hoje se tornou acessível a todos. A maior transformação do mercado publicitário foi a democratização da propaganda. No passado, anunciar era algo caro, reservado às grandes empresas que podiam pagar os altíssimos custos de uma campanha publicitária. Hoje, qualquer pessoa com um orçamento mínimo pode criar um anúncio e veicular uma mensagem de maneira ampla, até mesmo sem precisar de uma grande agência.
É possível ver, por exemplo, um carrinho de hotdog sendo anunciado em seus stories no Instagram, e logo depois, um anúncio de um banco tradicional como o Itaú. Essa democratização permitiu a fragmentação do mercado publicitário, criando uma dinâmica totalmente nova, onde novos atores disputam a atenção do público. As regras do jogo mudaram. E, nesse novo cenário, as antigas e icônicas agências como J.W. Thompson e Young & Rubicam praticamente desapareceram, dando espaço a novas marcas que tentam se alinhar às necessidades e aos interesses do consumidor moderno.
Com essa democratização, surgiram novas dinâmicas de mercado: mais trabalho, verbas mais enxutas e uma demanda por agilidade. Agências precisam ser rápidas e eficientes, com orçamentos mais restritos do que no passado, enquanto buscam gerar impacto e engajamento com um público saturado. O paradoxo está justamente aí: a propaganda nunca foi tão grande, mas, ao mesmo tempo, o mercado está cada vez mais espremido e competitivo. Em meio a isso, a luta por um espaço significativo na mente do consumidor se torna ainda mais intensa.
No entanto, apesar de a propaganda nunca ter sido tão ampla, ainda falta uma grande quantidade de profissionais preparados para lidar com essa nova dinâmica do mercado. As mudanças nas ferramentas e plataformas de mídia exigem uma nova abordagem estratégica. Logo, surgirão novos craques – novos David Ogilvys e Washington Olivettos – prontos para jogar o jogo da publicidade moderna. Esses novos profissionais, adaptados às necessidades e à realidade do mercado de hoje, terão a capacidade de tornar a propaganda ainda maior e mais impactante. O segredo, portanto, está em saber jogar esse novo jogo. A publicidade precisa continuar evoluindo e, ao fazer isso, ela pode ser ainda mais poderosa do que nunca.
A propaganda de hoje está em um ponto de inflexão. A sua magnitude nunca foi tão impressionante, mas a capacidade de gerar impacto e relevância é uma constante busca no meio de tantas distrações. A evolução tecnológica, a democratização da publicidade e as novas dinâmicas do mercado têm gerado mudanças profundas, criando desafios, mas também novas oportunidades. O verdadeiro segredo para tornar a propaganda ainda maior e mais relevante será a habilidade de se adaptar a essa nova realidade e entender as novas regras do jogo.
Cado Faganello - Diretor da consultoria Paris Creative
