Uma mulher de 40 anos, moradora em Glicério (SP), cidade vizinha a Penápolis, foi presa em flagrante na terça-feira (12), após a filha dela de 7 anos, denunciar à polícia que frequentemente seria vítima de agressões. A acusada confirmou as agressões e fez ameaças à vítima, na frente dos policiais.
A denúncia foi feita durante palestra na escola onde a menina estuda. A criança foi levada para atendimento médico e o prontuário apresentado à polícia aponta marcas e hematomas pelo corpo dela, o que contribuiu para a decisão do delegado que presidiu a ocorrência.
De acordo com o que foi apurado pela reportagem, na manhã de terça-feira, equipe da Polícia Civil de Penápolis esteve na escola onde a criança estuda para ministrar uma palestra sobre violência sexual contra criança e adolescente. A policial que ministrava a palestra relatou que enquanto fala aos alunos, a vítima a interrompeu, afirmando que teria algo para lhe falar.
Ao deixar que a menina falasse, acreditando que se tratava de algo relacionado à palestra, a vítima revelou que apanhava da mãe dela com frequência, sem motivos. Além disso, mostrou marcas de cortes nos braços e informou que a última vez em que havia apanhado, teria sido por ter comido brigadeiro.
Reservado
Como havia muitas crianças no local quando a menina contou sobre as agressões, a policial falou que conversaria melhor com ela ao final da palestra, quando comunicou o fato ao representante do Conselho Tutelar, que estava na escola.
Como havia prometido, ela levou a menina para a sala dos professores e durante conversas, a vítima confirmou as agressões, relatando que a mãe possuiria comportamento agressivo e demonstrou medo.
Ameaça
Segundo o que foi relatado, a vítima disse que na segunda-feira (11) a mãe dela havia dito que iria “queimar a cara dela” , porque ela havia pedido creme de milho. Perguntada sobre agressões, a menina contou que no domingo (10), ela havia sido agredida.
“Ontem de ontem minha mãe me bateu com arreio de reio” , afirmando que teria apanhado por ter comido brigadeiro. A vítima revelou ainda que teria muito medo da mãe e preferia ficar sozinha em casa do que com ela.
Confessou
Após ser ouvida, a menina foi encaminhada para atendimento médico no pronto-socorro de Glicério. A mãe dela foi chamada na escola e, ao ser questionada pela policial que ouviu os relatos da criança, teria confessado as agressões. “Eu bato na minha filha para deixar marcas; não tenho medo de ninguém” , afirmou, na presença de três policiais civis e de integrantes do Conselho Tutelar.
A mulher teria afirmado ainda que não seria a primeira vez que a criança apanhava, mas que ela nunca havia relatado isso a para ninguém. Porém, por ter “aberto o bico” , segundo a mãe, ao chegar em casa, iria arrancar o coro da filha.
Presa
Ao ser informada que estaria praticando um crime grave na presença dos policiais, a investigada teria dito: “Não estou nem aí, pois não vai dar nada e vou bater nela sim, pois eu bato para deixar marcas, eu não bato apenas para corrigir” .
Segundo o que foi apurado, apresentada na delegacia, a mulher foi ouvida na presença de um advogado, apresentou a versão dela sobre os fatos e teve a prisão confirmada pelo delegado que presidiu a ocorrência.
Foi levado em consideração os relatos dos policiais, confirmando que a vítima sofreria maus-tratos e que ela foi ameaçada pela própria mãe, na frente da equipe. Além disso, foram juntadas imagens das lesões aparentes no braço da vítima e a ficha de atendimento médico, na qual consta haver marcas e hematomas pelo corpo da criança.
Arma
Por fim, a reportagem apurou que em 29 de abril a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa onde a investigada reside com o companheiro dela e a filha e apreendeu uma arma de fogo e munições, que foram encontradas sobre uma mesa.
O delegado representou pela conversão da prisão em preventiva. A reportagem pediu informações à assessoria de imprensa do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) sobre o resultado da audiência de custódia e aguarda retorno.
