Cotidiano

300 pacientes são atendidos por mês no Hospital do Rim de Araçatuba

Nesta quinta-feira (12) é o Dia Mundial do Rim, data de conscientização da crescente presença de doenças renais no mundo

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
12/03/20 às 11h24
O Hospital do Rim da Santa Casa de Araçatuba foi inaugurado em 2014 e é referência na região (Foto: Divulgação)

O Hospital do Rim da Santa de Araçatuba (SP) é considerado o mais avançado centro de tratamento de doenças renais da região Noroeste Paulista.

Inaugurado em 2014, com 27 máquinas para diálise e atendendo 180 pacientes, hoje está com a capacidade praticamente dobrada, contando com 50 máquinas e 300 pacientes atendidos por mês, entre eles, duas crianças, um de 8 e outra de 11 anos.

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, ainda este ano devem ser instaladas mais cinco máquinas de hemodiálise no hospital, elevando a capacidade de atendimento para mais 30 pacientes.

Os investimentos constantes são necessários porque o avanço de doenças crônicas e o aumento da expectativa de vida da população fazem a demanda por atendimento crescer cada vez mais. E o Hospital do Rim é referência para os 40 municípios da região de Araçatuba.

Conscientização

Para chamar a atenção da população e das autoridades sobre a crescente presença de doenças renais em todo o mundo e a necessidade de estratégias para a prevenção e o gerenciamento dessas doenças, toda segunda quinta-feira de março é celebrado o Dia do Rim. A data é idealizada pela Sociedade Internacional de Nefrologia.

De acordo com o Hospital do Rim de Araçatuba, mais de 65% dos 300 pacientes atendidos pela instituição têm doença renal crônica em decorrência do diabetes, hipertensão arterial ou das duas doenças.

Assim, eles dependem da máquina de hemodiálise para limpar e filtrar o sangue. As sessões duram quatro horas seguidas e são realizadas obrigatoriamente três vezes por semana.

Doença

A doença renal crônica é a diminuição lenta e progressiva, que pode ser meses ou anos, da capacidade dos rins de filtrar os resíduos metabólicos do sangue.

No caso dos diabéticos, a insuficiência renal é chamada de nefropatia diabética e resulta da longa exposição dos rins à glicemia elevada.

Os rins tanto podem ser vítimas quanto causadores da hipertensão arterial. Quando não tratada ou tratada de maneira inadequada, a hipertensão pode lesar vasos renais, provocando a perda progressiva da função excretora dos rins.

Por outro lado, se por fatores genéticos, níveis elevados de colesterol e hábitos nocivos à saúde como o tabagismo, os rins funcionam mal e não conseguem remover a quantidade adequada de sal e água do organismo, aumentando a pressão arterial.

Guilherme Ugino, nefrologista do Hospital do Rim de Araçatuba (Foto: Divulgação)

Tratamento

O nefrologista Guilherme Ugino, da equipe médica do Hospital do Rim de Araçatuba, explica que o tratamento adequado dessas doenças e exames clínicos regulares para monitorar a creatinina, que é o principal indicador de infecção nos rins e insuficiência renal, são essenciais aos pacientes desses grupos.

“O diagnóstico precoce e o tratamento imediato são importantes para a qualidade de vida dos pacientes renais crônicos”, alerta.

Segundo Ugino, em todos os casos de comorbidade, o comprometimento renal ocorre lenta e silenciosamente, sem sintomas ou sinais que indiquem que doença renal crônica está em curso.

Hemodiálise

Em média, o Hospital do Rim de Araçatuba realiza 3,6 mil sessões de hemodiálise por mês. Do total, 96,5% dos pacientes são do SUS (Sistema Único de Saúde). Para suportar a demanda em crescimento, o Hospital do Rim passou a funcionar das 5h30 às 20h30 em três turnos.

O hospital atende ainda 30 pacientes que fazem diálise peritoneal, que é a filtragem do sangue pela introdução de uma solução de diálise na cavidade peritoneal, por meio de um cateter implantado na barriga.

Nesse caso, ela é feita pelo próprio paciente, em sua casa, mas a indicação depende de avaliação do nefrologista e das condições clínicas da pessoa.

O transplante é a esperança que move a maioria dos pacientes que dependem de sistemas artificiais de filtragem do sangue para continuar vivendo.

E dos pacientes atendidos em Araçatuba, 70% têm perfil para entrar na fila nacional de espera por um rim.

Nos últimos cinco anos, 105 pacientes realizaram esse sonho e, em média, quatro pacientes são chamados por mês para transplante no Hospital de Base de São José do Rio Preto e Hospital das Clínicas de Botucatu.

Excelência médica

O Hospital do Rim da Santa de Araçatuba possui máquinas para hemodiálise importadas da Alemanha e Suécia. Elas têm como diferencial o sistema individual de osmose (filtragem de água).

O responsável técnico é o nefrologista Luiz Claudio Andrades Lima e há ainda cinco médicos, todos com títulos de especialistas em nefrologia.

Eles se revezam durante os três turnos de hemodiálise para garantir assistência presencial aos pacientes em caso de intercorrências.

A equipe médica também atende urgências e emergências, realizando procedimentos invasivos, em alguns casos de alto risco, com segurança e eficiência para que rapidamente o paciente comece a dialisar.

Os nefrologistas dão suporte às UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) Geral e Coronariana, com avaliação e tratamento de pacientes em quadro de paralisação dos rins.

Ambulatório

O hospital também mantém ambulatório de nefrologia para pacientes encaminhados pelas redes de Atenção Básica da região, oferecendo consultas, exames e indicação de medicações para tratamentos preventivos. A média mensal é de 220 consultas.

Segundo o nefrologista Akioshy Ugino, membro da equipe do Hospital do Rim, a maioria dos pacientes tem perdas de 20% a 30% das funções renais.

Quando tratados corretamente e com acompanhamento rigoroso, eles não precisarão de diálise. “Sem o acompanhamento rigoroso, pacientes com esse perfil clínico podem rapidamente evoluir para diálise”, alerta.

Hoje no Brasil são mais de 130 mil pacientes em tratamento dialítico que correspondem a 640 pacientes por grupo de um milhão de habitantes.

O crescimento anual da doença renal crônica é em torno de 10%. “Em 10 anos devemos estar preparados para atender o dobro da população atual”, prevê Ugino. (Informações da assessoria de imprensa)

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