Cotidiano

Bom senso deve prevalecer sobre exigência de vacinação de empregados

“A empresa precisa avaliar o seu posicionamento sobre o tema, a mensagem que quer passar para a sociedade, para os clientes e para os funcionários. Essa é a primeira etapa para as respostas”, diz advogada especialista em Direito e Processo do Trabalho

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
16/11/21 às 21h36
A advogada Michelle Rosa é especialista em Direito e Processo do Trabalho pela FGV (Foto: Divulgação)

Enquanto caberá à Justiça decidir sobre a validade de portaria do MPT (Ministério do Trabalho e Previdência) que proíbe a dispensa por justa causa de empregado que recusar a vacina contra a covid-19 e a exigência de comprovação da vacinação durante a admissão de novos empregados, a advogada Michelle Rosa, que é especialista em Direito e Processo do Trabalho pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), defende o bom senso entre os empregadores e empregados para evitar conflitos.

Sócia do escritório Zucca & Rosa Advogados, ela explica que o ato do MTP reflete um posicionamento político do governo federal, que contraria os posicionamentos de órgãos competentes em matéria trabalhista, como o Ministério Público do Trabalho e Justiça do Trabalho, que demonstraram certa tendência em incentivar a adesão à vacinação.

Na última sexta-feira (12) o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, suspendeu a vigência de dispositivos dessa portaria, atendendo pedido liminar feito por partidos de oposição. A decisão, que não alcança quem tem contraindicação médica expressa para não se imunizar, ainda deve ser julgada pelo colegiado.

O ministro considerou que a medida onera as empresas e deveria ter sido feita por meio de lei formal. Além disso, argumentou que o próprio STF já reconheceu a legitimidade da vacinação compulsória, por meio da adoção de medidas indutivas indiretas, como restrição de atividades e de acesso a estabelecimentos, afastando apenas a possibilidade de vacinação com o uso da força.

Contexto

Segundo a advogada, não é simples para uma empresa decidir qual posicionamento tomar diante desse impasse. Porém, orienta que o primeiro passo a ser tomado antes de definir um posicionamento é analisar o contexto da empresa. “A empresa precisa avaliar o seu posicionamento sobre o tema, a mensagem que quer passar para a sociedade, para os clientes e para os funcionários. Essa é a primeira etapa para as respostas” , explica.

Michelle comenta que as empresas mais conservadoras, que não querem assumir riscos, mas apoiam a vacinação, devem investir na instrução e conscientização dos trabalhadores. Isso pode ser feito por meio de envio de mensagens alertando sobre as medidas de proteção e cuidados, sem exigir o comprovante de vacinação. Agindo assim, não correrá riscos de penalidades.

Riscos

Já as empresas com postura mais agressiva, que queiram exigir a vacinação, devem ponderar os riscos, que podem ser ações trabalhistas, multas administrativas ou até responsabilidade criminal. “Mesmo nesse caso, a empresa conta com argumentos jurídicos legítimos para se defender de eventual ação judicial”, esclarece.

Por fim, a advogada argumenta que a relação de trabalho é como um casamento, que exige uma predisposição das partes para o convívio harmonioso. Sendo assim, cita que o trabalhador não deve continuar prestando serviço para uma empresa que exige a vacinação se ele tem um pensamento contrário a essa exigência.

Porém, caso ele tenha interesse em permanecer, mesmo discordando dessa postura, e vir a ser demitido por justa causa, poderá ajuizar ação buscando reversão da demissão e aguardar julgamento do Judiciário.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM COTIDIANO
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.