Desde o início de setembro, a baixa umidade relativa do ar tem sido uma constante na região de Araçatuba (SP). No entanto, junto com o início da primavera na próxima semana, deve chegar também uma frente fria trazendo chuva para várias partes do País, incluindo cidades da região.
De acordo com o Ipmet (Instituto de Pesquisas Meteorológicas), a chuva deve ter início no domingo (20), com precipitação de 2.1 milímetros. Para a segunda-feira, a previsão é de chuva um pouco mais volumosa, atingindo 5.1 milímetros em Araçatuba.
As temperaturas também devem cair. Em Araçatuba, para o domingo a mínima prevista é de 18°C e máxima de 30°C. Na segunda, a temperatura mínima chega a 16°C.
Segundo o engenheiro civil e coordenador da graduação das engenharias civil e ambiental e sanitária da Unilins (Centro Universitário de Lins), Ricardo Molto Pereira, se confirmar a previsão, a chuva virá em boa hora e deve ajudar no combate às queimadas e melhorar a qualidade do ar, “varrendo” as partículas poluentes que estão em suspensão, para os rios.
Céu cinza
Nesta segunda-feira (14) e manhã de hoje (15), a presença de poluentes no ar deixou o "tempo cinza" na região. As partículas PM10, provenientes de incêndios e queima de combustível fóssil, atingiram o nível 95 nesta segunda, de acordo com o Waqi (World's Air Pollution), que mede a poluição a nível mundial e em tempo real.
De 101 a 150, o índice é considerado perigoso para determinados grupos de pessoas com problemas respiratórios. De 151 a 200, todas as pessoas estão em risco. Acima de 300 é a situação mais crítica, com graves consequências ao meio ambiente e população.
“O céu cinza é oriundo de material particulado, como poeira, cinzas de queimadas. Por exemplo: uma usina, um frigorífico, que tem em seu processo uma caldeira, tem que ter tratamento para os gases, para que ‘lave’ esses gases e material particulado. Mas quanto tem uma queimada ou esse tratamento é ineficiente, o material fica em suspensão”, explica Pereira, que tem mestrado em recursos hídricos e tecnologias ambientais e doutorado em irrigação e drenagem.
“Estamos num tempo de estiagem muito grande. Se esse material poluente está úmido, consegue descer e ficar na superfície. Quando o tempo está seco, ele fica mais em suspensão. E o nosso solo também é arenoso; conforme bate o vento, também levanta essa poeira”, complementa.
Cinzas do Pantanal na região?
Sobre a possível influência das queimadas que ocorrem no Pantanal, nos estados de Mato Groso e Mato Grosso do Sul, e na Amazônia, na nossa região, o profissional explica que não tem como ter certeza, pois depende das correntes de ar.
Na manhã desta terça, segundo o site especializado Windy, os ventos estavam vindo do litoral, passando pelo interior e seguindo em direção ao Mato Grosso do Sul. Para Molto, as queimadas e indústrias na região já são capazes de deixar esse tempo mais acinzentado.
O profissional lembra que no ano passado, nesta mesma época, as fuligens dos incêndios na floresta amazônica chegaram até a região, deixando o sol com uma cor avermelhada.
“Dentro da gestão hídrica, seria um plano interessante de meio ambiente a criação de esponjas úmidas, grandes áreas verdes de reserva legal, de matas nativas. (...) E já passou da hora do Estado de São Paulo ter um sistema aéreo de combate a incêndio. Se nós tivéssemos no rio Tietê um avião desses, ele atenderia a nossa região e até Ribeirão Preto. Austrália e Estados Unidos já adotam isso”, finaliza.