Cotidiano

Santa Casa de Birigui suspende cirurgias por falta de insumos

Em comunicado, hospital atribui situação ao pedido de adiamento, na Câmara, da votação de dois projetos que previam repasses de recursos do Ministério da Saúde

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
22/06/22 às 23h10
Santa Casa está sob intervenção da Prefeitura desde o dia 25 de janeiro (Foto: Divulgação)

A Santa Casa de Birigui (SP) anunciou, nesta quarta-feira (22), a suspensão imediata de cirurgias realizadas por vídeolaparoscopia, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), por falta de gases medicinais. As internações de pacientes de 10 municípios da microrregião, que tem o hospital como referência em atendimento de média e baixa complexidade, deixarão de ser feitas a partir de 1º de julho.

O texto divulgado pelo hospital atribui as medidas ao pedido de adiamento, na Câmara dos Vereadores, da votação de dois projetos de lei que previam a liberação de R$ 372,8 mil à Santa Casa. 

Segundo o interventor da Santa Casa, Alex Brasileiro, o adiamento da votação foi “politicagem”. “É uma verba do Ministério da Saúde, que é da Santa Casa, para pagar serviços que já foram prestados. Não é um cheque em branco para a administração utilizar. São recursos carimbados, para pagar serviços da UTI Covid, plantões médicos, oxigênio, fisioterapeutas e medicamentos que ficaram para trás e são previstos por portaria, mas que precisavam da aprovação da Câmara”, disse.

Oxigênio

Brasileiro explicou que o estoque de CO2, que é utilizado em cirurgias de videolaparoscopia, tem uma reserva menor e está no final. A mesma empresa, no entanto, fornece todos os demais gases utilizados pelo hospital, como o oxigênio líquido e gasoso, e como há uma dívida a ser paga, comunicou que só fornecerá novas remessas com o pagamento à vista, por isso a decisão tomada. O débito do hospital com a empresa soma R$ 330 mil. Os recursos do Ministério da Saúde para com esse item são de R$ 147 mil, o que saudaria metade da dívida e faria com o hospital voltasse a ter certo crédito.

Questionado sobre a liberação instantânea dos recursos, o interventor explicou que o dinheiro está na conta do Fundo Municipal de Saúde, mas precisa do aval da Câmara para ser liberado ao hospital. Se fosse aprovado, seria aguardar apenas a publicação em Diário Oficial, o que é rápido.

Nota publicada pela Santa Casa (Imagem: reprodução)

Trâmites

Sobre a declaração do vereador Wagner Mastelaro (PT), autor de um dos pedidos de adiamento, de que recurso seria melhor aproveitado na compra de testes de covid-19, o interventor rebate dizendo que não existe essa possibilidade.

“Demos transparência a tudo. Fizemos um plano de trabalho, que é obrigatório, e que passou pela Secretaria de Saúde. Esse plano não existia, por isso que o dinheiro estava “preso”. Nesse plano consta item por item o que foi feito: a UTI Covid, os medicamentos, oxigênio, etc. e depois de liberado, iremos prestar contas com notas fiscais de tudo, mas nem conseguimos chegar nesse momento”, disse Alex. O plano de trabalho foi encaminhado à Câmara anexo aos projetos de lei.

Antes de os projetos irem para a votação, o diretor Jurídico do hospital, Vilson Disposti, utilizou a tribuna livre da Câmara para explicar onde seria aplicado o recurso, e alertou para o risco de cancelamento de cirurgias. Ele detalhou alguns valores, citando, por exemplo, que atualmente, o custo mensal de insumos e medicamentos é de R$ 400 mil mensais, sendo R$ 90 mil por semana, e que devido à situação, as compras devem ser feitas à vista.

O hospital

A Santa Casa de Birigui é o único hospital conveniado ao SUS no município, e presta atendimento médico-hospitalar para outros 10 municípios da região: Brejo Alegre, Bilac, Coroados, Lourdes, Turiúba, Buritama, Piacatu, Gabriel Monteiro, Santópolis do Aguapeí e Clementina.

Por mês são atendidos cerca de 600 pacientes em média, sendo 30% moradores da microrregião. 70% dos serviços prestados são via SUS.

O hospital conta com 125 leitos, dotado de clínicas básicas: clínica cirúrgica (cirurgia geral e especializada), com especialidades de anestesiologia, clínica médica, ginecologia, obstetrícia, ortopedia e pediatria, e serviço de raio X ambulatoriais, além de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com dez leitos e centro cirúrgico com cinco salas.

A Santa Casa de Birigui está sob intervenção da Prefeitura desde o final de fevereiro deste ano. A medida vale inicialmente por 180 dias e tem como objetivo “restabelecer e assegurar um atendimento médico hospitalar digno à população usuária do SUS”.

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