André (ao fundo) interpretou a personagem Consciência, em "Psicose" (Foto: Divulgação)
André de Phra, nome artístico de André Aparecido Pereira, é formado na área da saúde e trabalha como técnico de enfermagem em Araçatuba (SP). Sua contribuição na cultura é na área de artes cênicas.
Aos 42 anos, está à frente da cia teatral "Atendendo a Pedidos Até o Ovo!", que no ano que vem completa três décadas de existência. Uma das características da companhia é produzir peças e trabalhos com viés de comédia, destaca o ator e diretor.
André foi vencedor na categoria "teatro" do prêmio Troféu Odette Costa deste ano, com o espetáculo "Psicose", que em 2019 ganhou três novas apresentações. Para acessar as matérias com outros ganhadores do prêmio, veja os links relacionados ao final da reportagem.
Esta é a primeira vez que André ganha um prêmio no município. Em 2011, ele conta que recebeu da Câmara de Araçatuba um voto de aplauso pelos 20 anos de companhia.
Psicose
"Psicose", que foi o projeto que o levou a ser premiado, teve sua estreia em 1991, junto com o surgimento da cia, quando ainda se chamava Êxodos Produção.
Foi encenada até 2001, totalmente diferente do que é hoje, explica André. No ano passado, decidiu remontá-la com outra visão para a campanha Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio. Para isso, usou sua experiência na época em que trabalhou num hospital psiquiátrico.
O ator e diretor destaca que "Psicose" foi o texto mais complexo que já trabalhou, abordando o suicídio, falando de amor, sexo, dúvidas, religião e outros assuntos. No total, o espetáculo possui 14 personagens e dez atores.
Além de "Psicose", ele lembra de outro projeto em que trabalhou no ano passado, a peça “Cura derrame: na vida tudo passa”, que integra uma trilogia intitulada de “Cura derrame”. O trabalho trazia uma reflexão sobre o uso das redes sociais e o seu reflexo no dia a dia das pessoas.
Teatro do oprimido
André conta que já fez alguns cursos na área de artes cênicas e desenvolveu seus próprios métodos. Por ter dislexia, possui mais dificuldade para memorizar sequência. Sendo assim, criou uma metodologia onde os atores ensaiam 50% do texto com antecedência e o restante é pautado por improvisos.
“Os atores recebem o final de cada peça no dia e minutos antes de cada espetáculo. Acabam tendo uma sensação de frescor ao ver o final só na hora; se emocionam junto com o público. Os finais acabam sendo sempre diferentes”, detalha.
Esse método tem como base o teatro do oprimido, de acordo com ele, cujos principais objetivos são democratizar o acesso às produções teatrais para as camadas menos favorecidas da sociedade. “Nunca fiz teatro acadêmico e sim teatro para o povo. O prêmio Odette Costa muda tudo; abre as portas para mim e para quem está comigo”, diz.
André também destaca outra característica dos seus projetos, que é o lado social. Parte da renda arrecada com as bilheterias das peças é sempre direcionada às entidades ou alguém que esteja precisando.
“O objetivo da companhia é levar entretenimento e ainda ajudar a sociedade atual, seja com uma mensagem ou até mesmo com a ação social. O nosso lema é levar cultura e felicidade a todos, mesmo os que têm pouco acesso a elas!”.