Cultura

Apesar da fórmula Marvel, Sam Raimi faz “mágica” em ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’

“[...] o diretor transformou o segundo longa solo do Mestre das Artes Místicas em uma aula sobre as infinitas possibilidades que o MCU (Universo Cinematográfico Marvel) guarda para cineastas mais corajosos”

Valter Soares de Souza Junior*
08/05/22 às 16h00

Inevitavelmente, ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’ parte do hermetismo desnecessário criado por filmes e séries que se cruzam. A nova ameaça capaz de unir super-heróis do Marvel Studios vem da revelação das realidades paralelas expostas em ‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’ e mostra Stephen Strange em busca de proteção para América Chavez, uma jovem de outro universo que tem a capacidade de viajar entre as realidades.

O vingador busca ajuda de Wanda Maximoff (Feiticeira Escarlate), mas acaba percebendo que um mal maior está por trás da caça a Chavez, o que o faz viajar por inúmeros mundos com o intuito de salvar a garota e, ao mesmo tempo, tentar entender os motivos pelos quais ele mesmo se tornou alguém que afasta pessoas queridas e oblitera grandes poderes.

Escrito por Michael Waldron (criador da série ‘Loki’), o roteiro de ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’ é de uma simplicidade espartana. É a jornada do herói lapidada para Stephen Strange, um caminho que passa por ego, a agonia da perda, o coração partido e o descontrole do poder. Por sua vez, na figura de uma verdadeira bruxa, finalmente, Elizabeth Olsen — que transita brilhantemente entre a doçura de Wanda e a crueldade da Feiticeira Escarlate — transforma sua personagem em uma peça fundamental no Universo da Marvel. O equilíbrio atingido com a jornada de ambos é louvável.

Curiosamente, porém, é a partir da jornada de ambos, ou no decorrer da motivação de ambos, que os problemas do longa aparecem. Ainda que comece com razões plausíveis, o roteiro se perde ao colocar Chavez como um instrumento de avanço que pouco se justifica ser. O roteiro não dá conta de trabalhar tantas narrativas paralelas e, ao não conseguir conectá-las de maneira inteligente, acaba criando subtramas que não conversam entre si. Elas se tornam episódicas e, em alguns momentos, custam a acontecer de forma orgânica.

(Foto: Divulgação)

Nitidamente, ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’ é um filme de passagem, e dá para ouvir as engrenagens da Marvel girando atrás dele. Não é uma sensação boa! O trunfo do longa, no entanto, está no escolhido para comandar a complexa produção: o diretor Sam Raimi. Na sequência de ‘Doutor Estranho’, Sam Raimi desfila suas pirações estéticas, horror pop e humor desajeitado. Existe personalidade em cada escolha do cineasta; e aqui ele consegue empregar vários elementos de seu estilo inconfundível, como movimentos inusitados de câmera e sequências de tensão.

Batalha mística

Com uma boa trilha sonora assinada por Danny Elfman (ainda que bastante similar com outros trabalhos do compositor), o diretor transformou o segundo longa solo do mestre das artes místicas em uma aula sobre as infinitas possibilidades que o MCU (Universo Cinematográfico Marvel) guarda para cineastas mais corajosos, ainda que, a multiplicidade do universo compartilhado, contudo, atue como um elemento limitador. Uma batalha mística travada com notas musicais em uma partitura é um bom exemplo. Grandioso, o filme brinca com visuais e estilos diferentes, abrindo a porta para que outros cineastas explorem essas deixas criativas no futuro da franquia.

Felizmente, o longa é uma experiência cinematográfica com a assinatura de Sam Raimi. Um diretor que busca em cada parte das suas referências uma inspiração para tornar a viagem destes heróis algo impactante. O que garante, claro, um produto acima da média entre seus pares e um espetáculo para os sentidos que traduz em cinema a energia de um quadrinho de super-heróis. Poucos filmes da Marvel são memoráveis em termos visuais para além do “fan-service” e ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’, mesmo com seus problemas, é definitivamente um deles.

Título Original: Doctor Strange in the Multiverse of Madness

Estreia: 5 de maio de 2022 (Brasil)

Duração: 126 minutos

Gênero: Ação/Aventura/Fantasia

Direção: Sam Raimi

Elenco: Benedict Cumberbatch, Benedict Wong, Chiwetel Ejiofor, Elizabeth Olsen, Michael Stuhlbarg, Rachel McAdams, Xochitl Gomez.

(Foto: Divulgação)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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