Cultura

Apesar de espirituoso, ‘Lightyear’ é Pixar no piloto automático indo ao infinito, mas nunca além

“A sensação ruim, contudo, é também resultado de uma expectativa alta de um público acostumado à excelência do estúdio"

Valter Soares de Souza Junior*
19/06/22 às 16h00
(Foto: Divulgação)

Idealizado como a história de origem definitiva de Buzz Lightyear, o herói que inspirou o brinquedo apresentado na icônica franquia de animação ‘Toy Story’, na qual os brinquedos possuem vida, o filme ‘Lightyear’ é extremamente fiel à sua proposta e possui um forte subtexto emocional que traz uma inesperada melancolia ao filme.

Ainda assim, o enredo formulaico e a falta de criatividade da animação comprometem o seu potencial e o tornam apenas um filme comum.

A trama acompanha Buzz em sua missão definitiva. Ele e toda sua tripulação vão parar em um planeta a anos-luz da Terra, e acabam ficando presos neste lugar por conta de um erro do próprio Buzz. Incapaz de superar isso, o patrulheiro decide fazer o possível para levar todos de volta para casa, custe o que custar. Obcecado ao ponto de rejeitar auxílio da tecnologia ou de outras pessoas, ele precisa superar adversidades e o próprio orgulho, a fim de arranjar um jeito de deixar o planeta hostil em que acabou preso junto com a tripulação.

O argumento que move a história é mesmo modesto, basicamente a admitindo como um produto reciclado que se sustenta e justifica apenas pelo mérito do legado das produções antecessoras. Apesar disso, curiosamente, qualquer pretensão de parecer um blockbuster noventista se perde em um importante (mas nada sutil) toque de diversidade e representatividade — bem mais característicos do cinema de hoje. Vale lembrar que ‘Lightyear’ é, no universo fictício de ‘Toy Story’, o filme que inspirou o boneco dado a Andy (o garotinho dono dos brinquedos) nos anos 1990.

Fórmula Pixar

A estrutura da produção não permite que ela seja marcada pela empolgação de sequências de ação elaboradas ou por reviravoltas surpreendentes. Ainda que faça um uso esperto da famosa “fórmula Pixar” — em que o protagonista amadurece enquanto passa por diversas experiências —, o roteiro deixa a desejar no quesito inspiração. ‘Lightyear’ vai ao infinito, mas em nenhum lugar particularmente especial. É impossível, durante o filme, não pensar se essa é uma história que realmente encantaria uma geração de crianças, como Andy.

O grande destaque de ‘Lightyear’ é mesmo seu poderio técnico. A Pixar sempre esteve passos à frente no que diz respeito a animação em 3D. Aprimorando ainda mais a criação de imagens totalmente computadorizadas, a produção consiste em um grau de realismo e sinergia visual que atinge um novo ápice, impressionando com as sequências envolvendo as viagens espaciais, os saltos na velocidade da luz e também a variedade de ambientes, espaçonaves e alienígenas presentes ao longo da projeção. Infelizmente, isso é o mínimo que se pode esperar de um longa com a assinatura da subsidiária da Disney.

A sensação ruim, contudo, é também resultado de uma expectativa alta de um público acostumado à excelência do estúdio. ‘Lightyear’ não é totalmente ruim. Tem seus momentos aqui e acolá, além de apresentar uma nova gama de personagens bastante cativantes. Mas falha ao criar uma jornada empolgante ou minimamente ousada como foram os próprios filmes de ‘Toy Story’, por exemplo, e tantos outros produzidos pela Pixar.

Em síntese, é uma experiência nula. Uma aventura funcional, relativamente divertida, com bons personagens e algumas sequências de ação, mas que no fim não significa muito além de uma amostragem de ótimas animações gráficas. Uma exploração vazia do duradouro apelo comercial da franquia ‘Toy Story’, ainda que com uma sensibilidade e uma maturidade emocional ainda raras em produções do tipo.

Título Original: Lightyear

Estreia: 16 de junho de 2022 (Brasil)

Duração: 115 minutos

Gênero: Aventura/Infantil

Direção: Angus MacLane

Elenco: Chris Evans, Uzo Aduba, Keke Palmer, Peter Sohn, Dale Soules, Taika Waititi, James Brolin, Isiah Whitlock Jr.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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