“Amar é: um cotovelo ressecado que espera por um pouco de cuspe que disfarce sua real condição”. O trecho faz parte da obra “Cotovelo e outras dores”, primeiro livro do ator e diretor Heitor Gomes, de Araçatuba (SP).
O lançamento é aberto ao público e ocorre na próxima quinta-feira (21), no Vem Vento Arte & Café, das 19h às 22h. No dia 24, o autor lança a obra em São Paulo, cidade-cenário de algumas das narrativas do livro, na Casa das Rosas.
O livro é composto por várias narrativas e micronarrativas em primeira pessoa, que dão vozes a vários personagens masculinos, cujo o fio condutor é a "dor de cotovelo" - expressão utilizada para demonstrar tristeza, desilusões amorosas, entre outros dissabores do coração. São pensamentos que envolvem o afeto ou a falta dele, afirma o autor.
“Como lidar com todas essas situações com o ritmo do nosso cotidiano? Muitos dos cenários daqui refletem nosso panorama do dia a dia”, afirma Gomes para a reportagem do Hojemais Araçatuba (confira também a entrevista no vídeo no final do texto).
O autor destaca logo a primeira história, intitulada “Mordido”, onde a personagem traz à tona a dor, o registro de um término. “É a voz de uma pessoa que se depara com o vazio de um rompimento como se algo tivesse sido arrancado de dentro dela como uma mordida”, completa.
Inspiração
Para compor tantas vozes, Gomes usou particularidades de sua vida e também de outras pessoas: amigos e pessoas que cruzaram seu caminho. Os textos foram escritos de 2010 até o ano passado, quando fechou o material e enviou para a editora Giostri.
Além de dar voz a personagens masculinos, Heitor ainda fez o recorte das relações homoafetivas. De acordo com ele, é um recorte necessário, uma vez que é pouco explorado na literatura. “Por mais que tenha esse recorte, conversa com a solidão de qualquer pessoa que pega o livro pra ler”.
Nesse contexto, Gomes destaca como inspiração literária a obra do contista e cronista Caio Fernando Abreu e do escritor pernambucano Marcelino Freire. Na música, Johnny Hooker é uma referência, assim como outros cantores da nova geração do cenário musical atual.
Dos palcos às páginas; das páginas aos palcos
Como sua primeira linguagem artística é a teatral, o autor explica que houve muita influência vinda dos palcos na sua maneira de compor as histórias do livro. Segundo ele, o fato da obra ser escrita em primeira pessoa, onde as personagens falam de si sem a influência de um intermediador, já é uma herança do teatro.
“Esse fluxo da história que se dá enquanto a personagem se narra, as palavras, a cadência do texto, esse ritmo que vem na medida que a personagem vai revelando seu fluxo de pensamento. Trouxe a marca da oralidade no texto para que o leitor consiga construir o fluxo de pensamento”. “Essa estrutura é influência do teatro e eu acho que é uma marca muito grande da minha narrativa, e isso vai sempre acontecer”, complementa Gomes.
O escritor, que usou a influência do teatro para lançar sua primeira obra escrita, tem como pretensão também fazer o caminho inverso, ou seja, transformar essas narrativas e micronarrativas em um espetáculo para os palcos.
O livro já está disponível para compra no site da editora.
