Cultura

Aventura Sci-Fi sobre multiverso ‘Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo’ é um clássico instantâneo e confirma: produtora A24 não erra

“Um filme que realmente parece abranger tudo, em todos os lugares, ao mesmo tempo”

Valter Soares de Souza Junior*
22/05/22 às 16h00

Poucas coisas na vida são certas além da morte; dentre elas, pagar impostos e a tarefa interminável que é lavar roupas, por exemplo. Nesta carta de amor ao cinema de gênero, Michelle Yeoh entrega uma atuação notável como a desesperançosa Evelyn Wang, dona cansada de uma lavanderia sob auditoria da Receita Federal.

Nós a conhecemos pela primeira vez desfrutando de um momento feliz com seu marido Waymond e sua filha Joy. Denotamos seus rostos sorridentes refletidos em um espelho na parede da sala.

Contudo, à medida que a câmera se aproxima do espelho, o sorriso de Evelyn desaparece, agora sentada em uma mesa repleta de recibos de negócios. Ela está se preparando para uma reunião com um auditor enquanto simultaneamente tenta cozinhar para uma festa de Ano-Novo Chinês que esteja de acordo com os altos padrões de seu criterioso pai Gong Gong (James Hong, singular como sempre). Isso tudo, até que, inadvertidamente, ela faça uma viagem emocional, filosófica e profundamente estranha através do espelho pelo multiverso e descubra uma certa “sabedoria metafísica” ao longo do caminho.

(Foto: Divulgação)

"PS, não se esqueça de respirar"

Além do enredo a princípio um tanto confuso, este é um filme que parece feito exclusivamente por pessoas que veem o mundo ao seu redor desmoronar; é uma ironia dolorosa que esteja saindo não apenas no meio de uma pandemia, mas à medida que os conflitos políticos globais se intensificam. É, coincidentemente, adequado para o período de tempo específico em que nos encontramos. Desde ‘Melancholia’, do superestimado Lars Von Trier, nenhum filme retratava de forma tão esmagadora e precisa a depressão clínica e a sensação de querer pular no abismo. E, no entanto, este filme é tudo menos desesperador.

No exato momento em que a trama está prestes a acelerar, Evelyn lê um conselho vital: “PS, não se esqueça de respirar”. Realmente, é um recado para o público – um aviso necessário para, nas palavras do Sr. Arnold de ‘Jurassic Park’, segurar seus traseiros. Porque uma vez que começa, raramente para – um ataque cinematográfico total, uma cacofonia de criatividade que deslumbra, encanta e desafia a explicação a cada segundo que passa.  

Roteiro

A maior parte da ação do filme se passa em um prédio de escritórios do ‘Internal Revenue Service’ (Departamento da Receita Federal dos EUA) em Simi Valley onde Evelyn tenta lutar, algumas vezes literalmente, contra a auditora Diedre, — interpretada por Jamie Lee Curtis em um dos papeis de sua vida —, e uma tropa de chefes de segurança. O designer de produção Jason Kisvarday cria um escritório aparentemente interminável, cheio de cubículos, onde tudo, desde a lâmina de um aparador de papel, ganha destaque.

O ritmo vertiginoso da edição combina acertadamente com o diálogo frenético do roteiro, composta por camadas de diferentes universos se desdobrando simultaneamente enquanto impulsionam a jornada interna de Evelyn. As transições combinam perfeitamente os universos, enquanto os cortes divertidos ajudam a enfatizar o humor intrínseco à narrativa do longa. Cada universo tem uma aparência distinta, com referências cinematográficas que vão de ‘The Matrix’ à ‘The Fall’ à ‘2001: A Space Odyssey’ à ‘In The Mood For Love’ a até mesmo à ‘Ratatouille’.

O longa é produzido por Joe e Anthony Russo, pilares anteriores do Marvel Studios, e foi lançado nos EUA enquanto os ruídos de ‘Spider-Man: No Way Home’ ainda ecoam nos cinemas, o que é irônico, porque com uma fração de seu orçamento, ‘Everything Everywhere All at Once’ contribui para uma “produção multiverso” infinitamente melhor do que qualquer filme de super-heróis já chegou perto, até então. Um filme que realmente parece abranger tudo, em todos os lugares, ao mesmo tempo.

‘Everything Everywhere All at Once’ é um filme complexo que engloba uma variedade de assuntos, mas faz justiça a cada um deles com um roteiro cuidadosamente escrito, performances maravilhosas e uma dose saudável de humor bizarro para contrariar sua história sombria. Michelle Yeoh, em particular, entrega uma performance poderosa em uma história que subverte a noção comum de multiverso e prova mais uma vez (como se ainda fosse necessário) que a produtora americana A24, responsável por viabilizar a produção do longa, não erra.

 

Título Original: Everything Everywhere all at Once

Estreia: 25 de março de 2022 (Estados Unidos)

Duração: 146 minutos

Gênero: Aventura/ Ficção científica

Direção: Daniel Kwan, Daniel Scheinert

Elenco: Michelle Yeoh, Jamie Lee Curtis, Stephanie Hsu, Ke Huy Quan, James Hong, Tallie Medel e Jenny Slate.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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