Cultura

Clint Eastwood retorna para as telas dos cinemas como diretor e estrela em ‘Cry Macho: O Caminho para Redenção’

Extraordinariamente longo e produtivo, o cineasta tem nas três últimas décadas, mais especificamente, evidenciado em suas obras o trecho da vida humana em que o crescimento moral depende não só do que ainda se pode aprender, mas também do que se deve deixar de lado

Válter Soares de Souza Júnior*
19/09/21 às 16h00
(Foto: Warner Bros Pictures/Divulgação)

Não há como não admirar a disposição física e mental que permite a Clint Eastwood continuar dirigindo e atuando aos 91 anos de idade. E também não há como não reconhecer que, em idade tão avançada, cada novo filme pode ser o último.

Extraordinariamente longo e produtivo, o cineasta tem nas três últimas décadas, mais especificamente, evidenciado em suas obras o trecho da vida humana em que o crescimento moral depende não só do que ainda se pode aprender, mas também do que se deve deixar de lado.

De muitas maneiras, a maioria dos filmes que Clint Eastwood produziu desde o clássico contemporâneo Os Imperdoáveis, em 1992, tratou sobre homens importantes que já passaram de seu auge e que, de algum modo, precisaram reorganizar valores e redefinir o conceito da moral masculina.

Cry Macho: O Caminho para Redenção , novo longa do ator e diretor, certamente segue essa tradição, embora também reserve algum espaço para reafirmar a importância da experiência, da competência e da ética.

A trama narra a história de Mike Milo, ex-caubói de rodeio e criador de cavalos falido, que deixa seu rancho no Texas, onde vive regado à bebida e amargura, para pagar uma dívida de gratidão à um antigo chefe e, único homem que o ajudou, Howard Polk. Este, tem no México um filho de 13 anos, Rafa, que é vítima ora de abandono, ora de abuso nas mãos de uma mãe dissoluta.

Cansado do mundo, o cavaleiro atravessa o México para resgatar o jovem, que por sua vez, criando-se sozinho nas ruas para se manter longe da mãe, e metido em contravenções e rinhas de galos, não é de dar confiança a qualquer um. Juntos, eles enfrentam uma jornada inesperadamente desafiante, durante a qual encontrarão o seu próprio sentido de redenção e o que de fato significa ser um bom homem.

Produzido pela Warner Bros., o filme é a adaptação do romance homônimo escrito por N. Richard Nash, que segundo consta, busca ganhar uma versão nos cinemas desde seu lançamento em 1975. Atores como Roy Scheider, Burt Lancaster, Pierce Brosnan, Arnold Schwarzenegger e o próprio Eastwood, tentaram anteriormente a difícil tarefa de adaptação da obra literária.

Vigor

(Foto: Warner Bros Pictures/Divulgação)

Nick Schenk, roteirista que colaborou com o diretor em Gran Torino e A Mula , trabalha com a base de uma adaptação e argumento cinematográfico deixados pelo próprio N. Richard Nash, falecido em 2000 e creditado como um dos autores do filme. Produzida pela WaterTower Music, a trilha sonora é composta por Mark Mancina e traz também a canção original ‘Find a New Home’ de Will Banister.

Clint está bem em seu papel, pelo menos tanto quanto se pode estar, ao atuar e dirigir um filme aos 91 anos. A ausência de uma força física maior do ator e da imponência por ela gerada em tela, comprometem um pouco as principais cenas de ação.

Ainda assim, é notável o vigor por parte do ator/diretor, e a coragem em manter a brutalidade presente na obra original. O elenco conta ainda com o inexperiente, porém, operante Eduardo Minett, o astro country Dwight Yoakam e a atriz chilena pouco conhecida Fernanda Urrejola.

Perspectiva

O aspecto visual do longa é simples e, por vezes, minimalista, e não possui o mesmo impacto ou o controle virtuosístico de obras anteriores do cineasta. No entanto, a perspectiva natural e empoeirada da cinematografia contribui bastante para o real sentido do filme: escapar de um mundo regido pela brutalidade para ingressar em uma realidade diferente.

Nos filmes das três últimas décadas, Clint Eastwood várias vezes já inverteu os sinais da sua persona icônica a fim de, por exemplo, repudiar o exercício da violência, a vingança e justiça, e a ignorância do racismo e do preconceito. Em Cry Macho , ele persiste nesta tentativa de mostrar ao público o quão importante é, o quanto antes, renunciar crenças e valores que não possuem valor real.

Título Original: Cry Macho

Estreia: 16 de setembro de 2021 (Brasil)

Duração: 104 minutos

Gênero: Drama, Faroeste

Direção: Clint Eastwood

Elenco: Alexandra Ruddy, Amber Lynn Ashley, Ana Rey, Brytnee Ratledge, Clint Eastwood, Dwight Yoakam, Eduardo Minnett, Elida Munoz, Fernanda Urrejola, Horacio Garcia Rojas, Natalia Traven, Paul Alayo.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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