Cultura

Com 98 anos, banda teve papel fundamental na história e cultura de Birigui

Corporação Maestro Antônio Passareli é tradicional no município e uma das mais antigas do Estado

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
08/12/19 às 14h00
Banda se apresenta em grandes eventos, como a Festa das Nações, em Birigui (Foto: João Tonsig/Divulgação)

Em outubro 1921, a recém-formada Corporação Musical Maestro Antônio Passareli - que na época era chamada de Corporação Musical Biriguiense -, fez sua primeira apresentação em público. Mas não foi qualquer evento; era a recepção do governador do Estado de São Paulo, Washington Luís, que chegava ao município para finalizar as negociações para que Birigui deixasse de ser uma vila de Penápolis.

A banda completou 98 anos em 2019 e tem sua história atrelada ao surgimento do município, que celebra 108 anos. Além disso, é considerado um dos grupos mais tradicionais do interior paulista.

Concha

O maestro Antônio Passareli, que regia outra orquestra em Pirassununga (SP), foi convidado para montar e assumir o posto em junho de 1921. Ficou na banda até 1951, no entanto, sua última participação na corporação foi em 1961, no dia da inauguração da concha acústica na praça Dr. Gama.

Retreta na escadaria da Prefeitura de Birigui, em 1960 (Foto: Arquivo da Prefeitura)

“A primeira portaria do município de Birigui, em 1922, nomeou o maestro como secretário administrativo da Prefeitura. Ficou 15 anos nessa função e durante esse tempo há vários documentos legais que ele assinou como prefeito interino”. Quem conta a curiosidade é o regente Lino Marcelo Tonsig, coordenador de atividades musicais da Prefeitura, cujo trabalho com a banda teve início em 1989.

Retreta

De acordo com Tonsig, uma das maiores características da banda, e o que a diferencia das demais, é sua tradição em fazer retretas aos domingos na praça Dr. Gama.

“Em Birigui, por que existe a retreta até hoje? Quando a praça foi inaugurada em 1926, segundo os registros, quem foi a atração? Foi a corporação, que veio antes da cidade se transformar em município. A maioria dos músicos nem era de Birigui; alguns eram trabalhadores rurais, outros vieram com o desenvolvimento da cidade”, explica.

Entre os frequentadores das apresentações dominicais, ele destaca famílias, que costumavam ouvir a banda quando eram crianças, e hoje levam seus filhos e netos para assistir.

“A primeira portaria do município de Birigui, em 1922, nomeou o maestro como secretário administrativo da Prefeitura. Ficou 15 anos nessa função e durante esse tempo há vários documentos legais que ele assinou como prefeito interino”. Quem conta a curiosidade é o regente Lino Marcelo Tonsig, coordenador de atividades musicais da Prefeitura, cujo trabalho com a banda teve início em 1989.

Banda sinfônica de concerto tem como característica tocar parada, e não marchando (Foto: João Tonsig/Divulgação)

Azul Caneta

Hoje, para as retretas na praça e outros eventos de empresas e entidades, o regente destaca a importância de manter o repertório sempre atualizado. Inclusive, recentemente a banda surpreendeu após executar uma versão da música “Caneta Azul”, sucesso recente nas redes sociais.

Os integrantes também fizeram sua interpretação da canção infantil Baby Shark, fazendo sucesso com as crianças. Mas se eles deixarem de tocar ‘He-man’, o pessoal reclama, ressalta.

Formação

A banda sinfônica de concerto tem como foco tocar parada, e não marchando. Compõem o grupo instrumentos de sopro de madeira (saxofone, clarinete e flautas, que não são feitos de madeira, mas no passado, sim), de metais, de percussão e um contrabaixo elétrico.

A grande maioria dos músicos é formada por amadores e a faixa etária fica entre 35 e 40 anos. “Vejo isso com bons olhos. Isso aconteceu graças ao banco de músicos que a lei permitiu, por meio de edital de convocação”.

Os músicos têm vínculos no grupo como prestadores de serviço e recebem R$ 111 por apresentação, enquanto o regente, R$ 125.

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