Cultura

Coordenadoria e entidade trabalham com projetos para comunidade em Araçatuba

Desde 2010, Araçatuba conta com órgão de promoção da igualdade racial, mas que ainda é pouco conhecido

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba 
17/11/19 às 11h00
Evento Negritude Araçatuba começou a ser realizado em 2018, na praça Rui Barbosa (Foto: Divulgação)

De acordo com o último censo demográfico realizado em 2010 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), Araçatuba, cuja população era de 181.579 mil habitantes, tinha 8.634 pessoas que se declararam pretas, que é o termo utilizado pela instituição.

Em outros números, isso equivale a pouco mais de 4% de um total dominado por 65% de brancos.

Se por um lado não há números atualizados por município, no País, de 2012 a 2018, o número de declarados pretos aumentou 32,2%, um salto de 4,7 milhões de pessoas nesse grupo. Na época, uma das explicações foi o reforço de políticas afirmativas de cor ou etnia, apontou o IBGE.

Acompanhando esse movimento nacional, em Araçatuba essa explicação pode fazer sentido nos últimos anos. O município implantou, em 2010, o primeiro órgão institucional para assuntos da comunidade preta. A Coordenadoria de Promoção da Igualdade Racial integra a Secretaria Municipal de Participação Cidadã. No mesmo ano, foi estipulado feriado municipal no dia 20 de novembro, data em que se comemora o Dia da Consciência Negra.

Desde 2014, o município conta com a Semana Municipal de Promoção da Igualdade Racial.
De acordo com a Prefeitura, a cidade foi a sétima no Brasil e a primeira no Estado de São Paulo a aderir ao Sinapir (Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial).

Atuação

A coordenadora de Promoção da Igualdade Racial, Regina Célia da Trindade, atua no órgão desde 2018. “A maioria das pessoas está tomando ciência deste órgão agora, mais a fundo. A proposta da coordenadoria também é de empoderamento, autoestima e afirmação de direitos. Também podemos ajudar quem venha nos procurar em caso de racismo. Não tivemos essa demanda ainda”, explica Regina.

Dentro da proposta de fortalecimento, a coordenadoria desenvolve alguns trabalhos em Araçatuba, como é o caso de atividades que acontecem na próxima semana. Um dos eventos é o 2º Negritude Araçatuba, na praça Rui Barbosa, com uma série de atrações.

De acordo com Regina, a coordenadoria ainda desenvolve encontros e atividades em outras épocas do ano. Para isso, ela destaca algumas parcerias que estão sendo fechadas com a ideia de unir forças e pessoas.

Segundo Encontro Regional de Povos Tradicionais de Matriz Africana foi realizado no ano passado (Foto: Divulgação)

Conferência

A cada dois anos, é desenvolvido no município o Encontro Regional de Povos Tradicionais de Matriz Africana. A segunda e última edição foi realizada no ano passado, com o objetivo de ir contra a intolerância religiosa.

“O evento busca sempre a respeitabilidade e visibilidade daqueles que outrora construíram a história dos povos e contribuíram com suas tradições. E a partir deste ano passamos a realizar o evento Águas de Araçatuba, um ato inter-religioso com a participação de diversas religiões que combatem a intolerância religiosa, racismo, preconceito, enaltecendo as culturas afro-brasileiras a fim de fortalecer, principalmente, a política de promoção da igualdade racial”.

Já de quatro em quatro anos, a coordenaria realiza a Conferência Regional de Promoção da Igualdade Racial. A quinta edição do evento deve acontecer em 2021. Neste ano, Regina ainda destaca a presença de Araçatuba no fórum Sim À Igualdade Racial, no Memorial da América Latina.

“A finalidade da participação foi buscar conhecimentos pra gente poder passar pra população e a partir daí fazer um trabalho mais claro, mais objetivo, junto com as pessoas que nos procuram para algum tipo de informação”.

Joaquim está no segundo mandato na associação (Foto: Manu Zambon)

Associação

No município, a Associação Cultural Afro-Brasileira de Araçatuba foi fundada em 1987 e atualmente possui como presidente Joaquim Januário Pereira, no seu segundo mandato. Mesmo ativa por todo esse tempo, encontra algumas dificuldades.

Uma das formas que encontrou para se manter, fazendo um serviço junto à comunidade, é realizando atividades, como aulas de flashback, zumba, capoeira e artesanato, além de palestras esporádicas.

Pereira destaca que a associação não tem recursos do poder público, tirando parte do sustento das atividades oferecidas no valor simbólico de R$ 30 ao mês. Ele lembra que há cerca de três anos o local foi selecionado no Consórcio Intermunicipal Culturando. A verba conseguiu manter por algum tempo os professores e investir em equipamentos.

Para o presidente, o maior empecilho para desenvolver mais trabalhos é, além da falta de verba, o pouco interesse do poder público e das pessoas em fazer parte da associação. “Nossa maior dificuldade é agregar a comunidade em prol do objetivo. Os negros constituíram uma sociedade heterogênea por conta do histórico. Nesses 300 anos mais ou menos, desde a libertação, fazer com que as pessoas tenham consciência de que realmente tem que se unir, é difícil”, diz.

Hoje, a associação, que já teve cerca de 400 associados, conta com 60, aproximadamente, sendo que poucos são afrodescendentes.

Programação

Para este Dia da Consciência Negra, o presidente destaca a missa que será celebrada no própria associação, a partir das 19h30. Também haverá apresentação de capoeira, exposição de quadros do acervo da entidade, com obras de artistas negros nos anos 1800, e artesanato. 

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