Cultura

Divertido e nostálgico, ‘Ghostbusters: Mais Além’ é um filme fortalecido pelo poder do legado

“Em ‘Ghostbusters: Mais Além’, é possível testificar que uma versão mais moderna, quando tratada corretamente, pode sim estender um legado e apresentar um projeto cinematográfico bastante aceitável.”

Valter Soares de Souza Junior*
28/11/21 às 18h37

Você tem medo de fantasmas? E de quando resolvem fazer um reboot e/ou uma continuação desnecessária daquele filme clássico que você ama apenas para arrecadar milhões em bilheteria? Sobre filmes que mergulham na nostalgia do público, não é equivocado dizer que existe uma certa (e às vezes, justa) resistência da parte dos fãs quando o assunto é revisitar seus filmes favoritos.

Com os ‘Caça-Fantasmas’, já houve anteriormente uma tentativa de revisitar a franquia em 2016, dessa vez trazendo um elenco completamente feminino para viver as personagens principais. Contudo, embora tenha sido relativamente bem avaliado pela crítica, apesar do humor forçado e desconexo, o longa acabou sendo um fracasso de público e até mesmo ignorado por alguns fãs da franquia original. Eu, particularmente, não gosto do filme.

No entanto, em ‘Ghostbusters: Mais Além’, é possível testificar que uma versão mais moderna, quando tratada corretamente, pode sim estender um legado e apresentar um projeto cinematográfico bastante aceitável. Situado 30 anos após os eventos do segundo filme, laçado em 1989, pouco depois de serem despejados de sua casa, uma mãe solteira (Carrie Coon) e seus dois filhos (Mckenna Grace e Finn Wolfhard) são forçados a se mudar para uma fazenda decadente em Summerville, estado de Oklahoma, deixada a eles pelo falecido avô das crianças, onde uma série de terremotos inexplicáveis estão ocorrendo e coisas estranhas estão acontecendo em uma velha mina.

Filme flerta com diferentes gêneros, dentre os quais, a comédia, o terror e a ficção-científica (Foto: Divulgação)

Logo as crianças descobrem a história de seu avô com os Caça-Fantasmas originais, que desde então foram amplamente esquecidos. Assim, quando fenômenos sobrenaturais relacionados aos incidentes do filme de 1984 em Nova York ocorrem na pequena cidade, cabe às crianças junto de familiares e amigos, resolver o mistério de décadas atrás e usar o equipamento deixado para salvarem o dia.

Análise do material à parte, não resta dúvidas que o recente ‘Ghostbusters: Mais Além’ irá agradar a maioria do público geral. Principalmente por resgatar o ambiente aventuresco que era muito comum no cinema hollywoodiano oitentista, em especial nas obras que retratavam a juventude. O que se pode dizer, basicamente, é que não há muito o que evitar em relação a essa película. É um filme que, no geral, funciona muito bem para seu público-alvo e cumpre o que promete.

Dirigido por Jason Reitman, filho do cineasta Ivan Reitman, que dirigiu o próprio filme original de 1984 e a continuação ‘Os Caça-Fantasmas 2’ lançado em 1989, a atmosfera de ‘Ghostbusters: Afterlife’, título original, foi inteiramente pensada para captar um público novo, porém, apostando em ambientações que já foram comprovadas anteriormente serem um sucesso.

Flertando com diferentes gêneros, dentre os quais, a comédia, o terror e a ficção-científica, o filme envolve os personagens num mistério sem explicações, resultado de ocorridos estranhos que acontecem em lugares pontuais da cidadezinha. As personagens mulheres estão ainda mais em peso e em protagonismo nesse longa, capaz de desmitificar a ideia de que o último ‘Caça-Fantasmas’ "só não deu certo" por conta do elenco feminino.

A jovem atriz McKenna Grace brilha no papel da jovem Phoebe e entrega uma dinâmica muito interessante com Trevor de Wolfhard, que interpreta seu irmão mais velho. Inegavelmente carismático, Paul Rudd, por sua vez, portando 52 anos de idade, sem nunca ter envelhecido sequer cinco minutos desde sua primeira grande aparição em ‘As Patricinhas de Beverly Hills’ (1995), mostra-se um ator de fácil apreciação, mesmo porque tem prática com a comédia, assim como já se garantiu em alguns poucos papéis dramáticos que teve durante a carreira.

Reitman assina um roteiro minimamente coeso e intrigante ao lado de Gil Kenan (de ‘A Casa Monstro’, excelente animação), que traz claras influências de seus trabalhos anteriores para o projeto atual. A história se desprende da original logo no início, acontecendo longe dela até mesmo geograficamente. Pelos personagens e alguns bem utilizados “fan services” o longa diverte sem nunca largar mão de algumas pulsações dramáticas.

Tomando algumas decisões bem corajosas quanto à utilização de certos elementos clássicos da série, inclusive sem medo de alfinetar o original em alguns pontos, ‘Ghostbusters – Mais Além’ é, acima de tudo, um filme divertido e que, cumpre sua função de reestabelecer a franquia para novatos e iniciados, de forma muito mais eficiente que o longa de 2016.

 

Título Original: Ghostbusters: Afterlife

Estreia: 18 de novembro de 2021 (Brasil)

Duração: 124 minutos

Gênero: Ação, Comédia, Fantasia

Direção: Jason Reitman

Elenco: Carrie Coon, Mckenna Grace, Paul Rudd, Bill Murray, Annie Potts, Sigourney Weaver, Finn Wolfhard, Dan Aykroyd, Bokeem Woodbine, Ernie Hudson.

 

(Foto: Arquivo pessoal)


*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!



* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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