Cultura

Em cartaz nos cinemas, ‘Venom: Tempo de Carnificina’ é um filme irregular e desnecessário

"Novo filme da Sony Pictures, narra a história de Eddie Brock e a evolução de sua relação excêntrica com o simbionte Venom desde a inevitável simbiose"

Válter Soares de Souza Júnior*
10/10/21 às 20h00
(Foto: Sony Pictures/Divulgação)

Situado um ano após os acontecimentos do primeiro filme, lançado em meados de 2018 e um enorme sucesso de público, ainda que mal-recebido pela crítica especializada, ‘Venom: Tempo de Carnificina’, novo filme da Sony Pictures, narra a história de Eddie Brock e a evolução de sua relação excêntrica com o simbionte Venom desde a inevitável simbiose.

Na tentativa de se restabelecer como jornalista, Eddie Brock entrevista um assassino em série, Cletus Kasady, preso devido as suas várias investigações e, portador de um simbionte escarlate chamado Carnificina. Ele acaba escapando da prisão após uma execução falha e retorna ainda mais perigoso. Tentando impedi-lo de causar um mal maior à cidade de São Francisco, Eddie e o protetor letal Venom buscam descobrir como viver afeitos e, de alguma forma, se tornarem melhores juntos do que separados.

A direção do longa está a cargo do cineasta Andy Serkis, deste que, sim, é melhor que o antecessor, ainda assim, tão problemático quanto. A nível de história, o filme é um pouquinho mais criativo que o primeiro, estabelecendo os problemas no relacionamento e convivência dos “protagonistas”.

Previsível

Apesar disso, tudo é muito telegrafado e didático, com acontecimentos, no mínimo, previsíveis. As linhas de roteiro são extremamente rasas e superficiais, e o ritmo por vezes desenfreado das piadas, aliados à trama extremamente acelerada e confusa torna este um filme sobremaneira ruim.

Tom Hardy retorna ao papel principal e entrega uma performance exagerada que combina com a dualidade das personagens, além de conseguir imprimir uma forte energia nas sequências de ação e um notável desempenho vocal, apesar de bastante incômodo.

Woody Harrelson, por sua vez, confere um ar alucinado ao antagonista que contrasta com a animalidade de Venom, porém, isso acaba soando muito caricato em boa parte do tempo. Michelle Williams tem pouco a fazer como a ex-mulher de Eddie Brock, Anne Weying, e Naomie Harris precisa lidar com uma personagem sem desenvolvimento e que serve apenas como interesse amoroso e motivadora das ações de Cletus Kasady.

Todo o trabalho sonoro também é bastante frágil. Por vários momentos o complemento sonoro é importante e, uma ou outra canção composta por Marco Beltrami acaba se destacando nas cenas de ação. No entanto, o processo de mixagem é péssimo. Tanto a questão da trilha sonora quanto a faixa de áudio e o próprio trabalho de captação de som é ruim e prejudica o filme.

A cinematografia, assinada por Robert Richardson, um dos maiores nomes em atividade no cinema atual, promove uma certa mudança estética quando comparado ao longa anterior, especialmente a forma como a produção aproveita o uso da escuridão. Todavia, a montagem é catastrófica e compromete demasiadamente a experiência do filme.

Cenas

As cenas que necessitam de um alto grau de complemento gráfico ou, que são estruturadas totalmente em CGI, são completamente desmembradas. Eventualmente, surge em tela uma cena aqui, outra ali, com potencial, mas a efemeridade da história deixa claro, o tempo todo, que o próprio filme não se leva à sério.

Há ainda uma cena pós-créditos completamente sem fundamentos e totalmente calcada na busca por unidade com o multiverso aracnídeo desenvolvido pela Marvel nos cinemas, que apenas serve para pôr em xeque o futuro do Homem-Aranha nas telonas.

Nada obstante, o filme provavelmente deve igualar as marcas do seu antecessor e arrecadar muito em termos de bilheteria, especialmente devido ao processo de retomada nos cinemas mundiais. Contudo, se você assim como eu não aguenta mais ver todo o escapismo latente dessas produções, sugiro que escolha um filme diferente para assistir.

(Foto: Sony Pictures/Divulgação)

Título Original: Venom: Let There be Carnage

Estreia: 07 de outubro de 2021 (Brasil)

Duração: 90 minutos

Gênero: Ação, Aventura

Direção: Andy Serkis

Elenco: Tom Hardy, Michelle Williams, Naomie Harris, Reid Scott, Stephen Graham e Woody Harrelson


(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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