Cultura

Era uma Vez em... Hollywood, dois anos após o seu lançamento

"Fruto de uma obra provavelmente calculada, essa é a empreitada de Quentin Tarantino pela metalinguagem, uma oportunidade de falar sobre cinema fazendo cinema"

Válter Soares de Souza Júnior
29/08/21 às 12h00
(Foto: Sony Pictures Brasil/Divulgação)

A trama reimagina a Hollywood do final dos anos 60, mais precisamente no ano de 1969, e gira em torno de duas histórias paralelas. A primeira delas diz respeito ao ator frustrado Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu dublê e amigo para todas as horas, o tal Cliff Booth (Brad Pitt). A segunda história, tem como base fatos e personagens inspirados em figuras reais e retrata o cotidiano da jovem atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que viria a ser assassinada por membros do culto de Charles Manson em uma fatídica noite daquele mesmo ano. Envoltos por grandes eventos, Sharon Tate e seu esposo, o famoso e polêmico cineasta polonês Roman Polanski são, curiosamente, vizinhos de Rick Dalton.

Fruto de uma obra provavelmente calculada, essa é a empreitada de Quentin Tarantino pela metalinguagem, uma oportunidade de falar sobre cinema fazendo cinema. A escolha não foi por acaso e cria um cenário perfeito para que, pela primeira vez, ele estabelecesse um espaço de diálogo com o público, com mais subtexto e menos verborragia.

A linha narrativa do longa constrói-se principalmente pela soma de informações presentes na montagem dos takes, que servem tanto para conduzir a história do filme quanto para ilustrar a maneira como eram feitas as produções da época. O que inicialmente pode parecer confuso e incomodar alguns espectadores, já que a junção de pequenas histórias e diferentes formas de filmagem nem sempre parecem dialogar entre si, funciona muitíssimo bem para celebrar a indústria cinematográfica.

Dividindo as telas pela primeira vez (em um determinado momento, literalmente) Leonardo DiCaprio e Brad Pitt estão perfeitos. Enquanto o primeiro traz ao seu(s) personagem(ns) camadas capazes de criar empatia e proximidade com o público, caracterizado por um misto de autoconfiança e fragilidade emocional decorrentes de um eventual ostracismo, o outro apresenta talvez, o melhor personagem do filme, com um carisma pouco visto no cinema.

Margot Robbie surge na verdade como uma presença luminosa em torno da narrativa, dando vida à uma Sharon Tate de áurea quase imaculada. Suas participações ao longo do filme funcionam perfeitamente segundo a difícil missão do diretor em homenagear a atriz original sem ser desrespeitoso ou ofensivo, destacando a linguagem corporal de Robbie, em um filme em que recebe pouquíssimas falas.

(Foto: Sony Pictures Entertainment & Columbia Pictures, a Heyday Films in association with Polybona Films)

A trilha sonora também é excelente e, ora diegética, ora não, funciona maravilhosamente bem para a condução da narrativa, como se tivesse vida própria e integrasse a trama bem como qualquer outro personagem.

O principal problema do longa, é, no entanto, apostar na imersão imediata do público ao ambiente estabelecido. O revisionismo histórico do diretor aqui, não se limitou apenas às referências cinematográficas e depende de uma bagagem cultural bastante específica para a compreensão de sua proposta, perdendo credibilidade ao, teoricamente, não funcionar apenas por si.

Em síntese, esse talvez seja o filme da recente carreira de Quentin Tarantino, que melhor trabalhou a mistura de gêneros e ambientação. É sim, como esperado, uma ode ao cinema antigo, mas principalmente uma outra etapa do exercício constante do diretor em nos relembrar – em tempos de obviedades questionadas e superexplanações tidas como genialidade – quão variado, visual e romântico (isso mesmo!) pode ser um filme assim.

 

 

 

 

 

Título Original: Once Upon a Time in… Hollywood 

Estreia: 15 de agosto de 2019 (Brasil)

Duração: 160 minutos

Gênero: Drama/Suspense 

Direção: Quentin Tarantino

Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch, Margaret Qualley, Timothy Olyphant, Julia Butters, Austin Butler, Dakota Fanning, Bruce Dern, Mike Moh, Luke Perry, Damian Lewis, Al Pacino, Nicholas Hammond, Samantha Robinson, Rafal Zawierucha, Lorenza Izzo, Costa Ronin, Damon Herriman.

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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