Entreposto por sutileza e bons achados visuais, na sugestão de que Batman está também a um passo de se tornar seu próprio inimigo, o filme ‘The Batman’ reapresenta o personagem em seu segundo ano como vigilante de Gotham; ele já tem a confiança do tenente James Gordon, mas visivelmente ainda é o órfão crescido que aderiu ao vigilantismo para ventilar seus ressentimentos. Um Batman que está começando e que tem uma certa imaturidade, tentando descobrir o seu verdadeiro papel no combate ao crime.
Durante uma de suas investigações, ele acaba envolvendo a si mesmo e Gordon em um “jogo de gato e rato”, ao investigar uma série de maquinações sádicas em uma trilha de pistas enigmáticas estabelecida pelo vilão Charada.
Quando o trabalho acaba o levando a descobrir uma onda de corrupção que envolve o nome de sua família, pondo em risco a própria integridade e as memórias que tinha sobre seu pai, Thomas Wayne, as evidências começam a chegar mais perto de casa e Batman precisa forjar novos relacionamentos, para assim desmascarar o culpado e fazer justiça ao abuso de poder e à corrupção que há muito tempo assola Gotham City.
Trabalhando com diversos aspectos do cinema de suspense noir , o longa de Matt Reeves habilita um lado mais detetivesco do personagem título, estabelecendo uma linguagem, invariavelmente, intensa e realística do herói. Neste sentido, o cineasta aproveita tropos de um ou dois gêneros “adultos” para tornar mais impactante e sisuda uma narrativa de universo fantasioso. Tudo tecnicamente é bem feito, mas a escolha de um ritmo cadenciado para contar a história pode incomodar os que clamam por mais urgência nas cenas.
Permeado por alguns pequenos clichês, o roteiro escrito pelo cineasta em parceria com Peter Craig não é exatamente de se encher os olhos. Justificado pela construção do universo no qual o filme se passa, dos personagens e das suas interações, o texto funciona bem em ser um instrumento de condução para a ótima direção e estabelecer comentários político-sociais bastante pertinentes, muitos dos quais, envolvendo as ações do próprio homem-morcego.
Robert Pattinson
Sempre um personagem à procura de um ator, Batman se encontra em Robert Pattinson e na direção febril e musculosa de Matt Reeves. Dentro da proposta, o ator se mostra uma escolha acertada para o papel.
Para fugir da interpretação clássica, que usa a persona pública de Bruce Wayne como disfarce, o ator vai para o outro oposto e transmite toda a solidão e inadequação de alguém que abriu mão de tudo para focar única e exclusivamente em vingança. Desta vez, é o traje que preenche o Bruce Wayne. Passando a maior parte do filme vestindo o capuz, ele encontra a junção perfeita de expressividade e profundidade que nenhum outro ator conseguiu empregar ao herói.
