Cultura

Festival de Teatro de Araçatuba ganha edição especial neste final de semana

Nos dias 19 e 20 de outubro, oito atrações devem se apresentar no município; atividades são gratuitas

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba 
16/10/19 às 11h00
Encerramento será com o Circo Fubanguinho, da Trupe Lona Preta, de São Paulo (Foto: Carol Vidal)

Como parte das celebrações de 15 anos, o Festara (Festival de Teatro de Araçatuba) lança programação especial “Festara 15 anos+” para o mês de outubro. Nos dias 19 e 20, oito atrações devem se apresentar no município, em espaços públicos. Todos os espetáculos são gratuitos e com classificação livre.

Nesta edição, o Festara traz intervenções artísticas, música, espetáculo circense com  palhaço e feira livre com artesãos locais.

No sábado, abre a programação a peça de rua “Tô Fraco, Tô Fraco, Senhor Escorpião”, da D&Cia, às 10h, no calçadão da Princesa Isabel. Às 17h30, no Centro Comunitário Porto Real (antiga Casa do Hip Hop) é a vez do espetáculo “Como é que é?”, da Pimenta Cultural Produções Artísticas.

No domingo, além da praça Raquel Ranger, no bairro Engenheiro Taveira, que recebe novamente o espetáculo “Tô Fraco, Tô Fraco, Senhor Escorpião”, às 16h, a programação se concentra na praça Getúlio Vargas na parte da tarde. Haverá a intervenção “Sussurradores Urbanos”, com Flávia Wolffowitz, às 17h, “Como é que é?”, às 17h30, e Batuque de Mina, às 18h30.

O encerramento será com o Circo Fubanguinho, com a Trupe Lona Preta, de São Paulo. O espetáculo será às 20h e acontece em parceria com o Sesc Birigui. Na trama, a história de dois palhaços, que são expulsos do picadeiro e demitidos da trupe.

Economia criativa

A partir das 16h, o Festara ainda recebe, também na praça, a última edição da Feira do Mangaio, organizado pelos produtores culturais Rafael Batista, João Gabriel Avanso, Flávia dos Santos e Thiago Mosaico. O projeto é realizado com recursos do ProAc Municípios (Programação de Ação Cultural) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

Durante a feira, pequenos produtores, colecionadores, artesãos, artistas e pessoas de outros segmentos da comunidade se reúnem para vender e trocar produtos variados.

Celebrar

Esta é a segunda comemoração do festival neste ano; a primeira aconteceu entre os dias 16 e 22 de junho, com uma programação composta por mais de 20 apresentações.

Um dos momentos mais aguardados foi a peça “A vida em vermelho”, com os atores Letícia Sabatella e Fernando Alves Pinto, no encerramento oficial. A edição foi realizada com recurso do  ProAc e recebeu um público de sete mil pessoas.

“A edição ‘Festara 15 anos+’ surge do desejo de comemorar, mais uma vez, a importância do festival para a cultura local. Pensamos também em fazer essa ação no mês (outubro) em que o público já estava acostumado a presenciar as ruas de Araçatuba tomadas pela arte e pelo teatro”, explica o diretor do Festara, Caique Teruel.

Colaborativo

Para o diretor, o maior destaque desta segunda edição que celebra os 15 anos do evento é justamente o ineditismo de fazer o Festara duas vezes no mesmo ano. “Não consta registro de duas edições no mesmo ano. Em especial, temos quase toda a programação voltada para a valorização e circulação de grupos e artistas locais”, finaliza.

Arquivo com momentos da história do Festara será divulgado on-line

O Anel de Magalão, da Cia de Teatro Parafernália, passou pelo Festara em 2010 (Foto: Divulgação)

Nesta semana, como parte das comemorações dos 15 anos, o Festara inicia uma série de divulgações no perfil do Facebook de momentos históricos do evento. O público poderá conferir imagens, textos e outros materiais que contam a trajetória do festival.

De acordo com o diretor do Festara, Caique Teruel, o levantamento das informações começou no início do ano para montar a exposição sobre a história do festival, que também aconteceu em julho deste ano junto com a edição comemorativa.

Como exemplo, Teruel cita um material sobre a primeira reunião que aconteceu em 2008 para a retomada do Festara, que estava sem ser realizado desde 1998. A ideia é divulgar fatos que representem cada edição do festival.

“Durante todo esse tempo, o que mais chamou a nossa atenção foi a importância do trabalho colaborativo para a continuidade do Festara, que hoje é um projeto de arte, cultura e desenvolvimento cultural da cidade” define.

Início

Alexandre Melinsky, que atualmente é técnico de desenvolvimento profissional do Senac Rio Preto, não só foi um dos colaboradores durante 13 anos no festival, como foi o fundador da Fetara (Federação de Teatro Amador da Região de Araçatuba) e do Festara, que na época se chamava Festival de Teatro Amador da Região de Araçatuba, em 1996.

No início, ele lembra que o festival aconteceu durante três anos seguidos, em 96, 97 e 98. O seu caráter era competitivo e distribuía prêmios de melhor ator, melhor espetáculo, melhor direção, e assim por diante, para grupos da cidade que participavam e convidados.

Na comissão julgadora, o festival chegou a contar com a participação de Will Damas, Salete Fracarolli e Luiza Jorge, nomes reconhecidos na área cênica. Por meio dessa etapa realizada em Araçatuba, os grupos tinham a oportunidade de se apresentar em um festival de teatro realizado pela Cotaesp (Confederação do Teatro Amador do Estado de São Paulo).

Crescente

Depois de 98, ele não conseguiu dar sequência ao evento. Em 2007, passou por uma reformulação com a criação da Associata (Associação dos Artistas Teatrais da Região de Araçatuba). Voltou a ser realizado em 2008, ocupando vários espaços da cidade. Desde então, o festival é realizado todos os anos em Araçatuba.

O show "A voz e a máquina", da Elza Soares, foi um dos momentos marcantes do Festara 2018 (Foto: João F. Tavares Kawasaki)

“Acho que houve uma crescente do festival, desde 96 e 2008. Deixou de ser competitivo para virar uma mostra. Começou a trabalhar muito uma questão, que era trazer espetáculos de grupos de teatro que evidenciassem os processos artísticos. A gente também trazia grupos locais, de universidade, e espetáculos do curso técnico. A partir daí, o festival tomou visibilidade grande. Em 2010, chegamos a reunir um público de 800 pessoas por noite”, lembra Melinsky.  

Coletividade

O gestor cultural Fernando Fado, que hoje trabalha na organização social de cultura Poiesis, em São Paulo, também esteve presente na reestruturação do festival e integrou a Associata, pelo período de 2008 a 2014. Ele ainda destaca a participação de Marcelo Messias, Flávio Estevão, Fábio Reichemback, Denise Vaz e Kelly Recchia.

“O que as pessoas trouxeram para o Festara foi o espírito de coletividade, de comunidade, recebendo as pessoas muito bem. O espírito aguerrido dos anos 90, que somava essa cena do teatro amador. Viajar, fazer rifa para vender; esse espírito foi o que ajudou a levantar o Festara”, destaca Fado, que também lembra que em 2008 o município contava com cerca de 12 grupos de teatro, que tinha produção bastante ativa.

“O festival tem uma coisa que é da mudança. Nos anos 90, tinha essa coisa do teatro amador. Nos anos 2000 tinha essa valorização da cultura no Brasil, dos movimentos. Quando vem o ProAc (Programa de Ação Cultural) Circulação, a gente passa a ter espetáculos. Olhávamos para grupos que tinham olhares provocadores. Tínhamos todos os tipos de produção. Essa diversidade foi o que fez a população abraçar o Festara”, finaliza Fernando Fado.

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