Uma das coisas mais difíceis de definir e uma das mais incríveis do cinema, é a propriedade que certos cineastas possuem de transformar a imagem em algo completamente pessoal. A capacidade de imprimir em suas obras caraterísticas próprias.
Nesse sentido, o franco-canadense Denis Villeneuve já provou ser um dos maiores e mais proeminentes diretores de sua geração. E talvez, seja esse o mais decisivo dos elementos que torna sua versão de ‘Duna’ um grande filme.
Considerado um dos textos mais influentes da ficção-científica e, continuadamente apontado como um dos pilares do gênero moderno, ‘Duna’ é o primeiro de uma série de seis livros escritos por Frank Herbert ao longo de vários anos e, lançados a partir de 1965. A trama narra um futuro distante no meio de um império intergaláctico feudal em expansão, onde feudos planetários são controlados por “casas nobres” que devem aliança à uma certa casta imperial.
Nesse cenário, Paul Atreides é um jovem cuja família toma controle do planeta deserto Arrakis, também conhecido como Duna. Habitado por nativos fanáticos religiosos chamados Fremen, Arrakis é absolutamente desértico e sem água, e embaixo de suas areias intermináveis vivem gigantescos vermes de areia que são atraídos por qualquer ruído rítmico.
O que torna Arrakis tão interessante para esse império intergaláctico criado por Herbert, é que o planeta é a única fonte da especiaria melange, a substância mais importante do cosmos, capaz de alterar a percepção e tornar possível a viagem interestelar. Logo, não há nada no universo habitado que seja mais precioso do que a tal especiaria e, consequentemente, nada é mais lucrativo do que explorá-la.
Enquanto diferentes forças explodem em conflitos pelo fornecimento exclusivo do recurso mais precioso existente no planeta, um produto capaz de libertar o maior potencial da humanidade, a história explora as complexas interações entre política, religião, ecologia, tecnologia e escolhas e consequências em alicerce às emoções humanas.
