Cultura

‘Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa’: com grande nostalgia, vem grandes responsabilidades

“Uma aventura que se torna uma viagem envolvente, capaz de transportar o espectador para lugares que não necessitam de explicações, apenas sentimentos.”

Valter Soares de Souza Junior*
19/12/21 às 15h00
(Foto: Divulgação)

Extremamente aguardado por críticos e fãs, "Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa" prometia uma narrativa amplamente baseada no conceito do “multiverso”, isto é, um gatilho narrativo que, em tese, permite que diversos personagens iguais (porém com identidades e realidades diferentes) interajam entre si. Foi o suficiente para gerar uma expectativa e comoção pouco vistos na história da sétima arte e uma sucessão de teorias intermináveis na internet. E, de fato, a produção do filme deixava claro o tempo todo ser um tipo diferente de experiência cinematográfica desde a sua concepção.

Finalmente, a trama revela Peter Parker (Tom Holland) precisando lidar com as consequências da sua identidade como aracnídeo ter sido revelada pela reportagem do Clarim Diário. Tornando-se incapaz de separar sua vida normal da responsabilidade de ser um super-herói, Parker recorre ao auxílio do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) para que todos esqueçam a informação de quem ele realmente é.

Vilões

Entretanto, o feitiço do ex-mago supremo da Terra não sai como planejado e a situação torna-se ainda mais perigosa, criando rupturas no multiverso que abrem brechas para a fuga de vilões tradicionais do teioso, mas pertencentes aos mundos vistos na trilogia do ‘Homem-Aranha’ de Sam Raimi (2002-2007) e nos dois filmes ‘O Espetacular Homem-Aranha’, dirigidos por Marc Webb (2012-2014). São eles: o Doutor Octopus (Alfred Molina), o Duende Verde (Willem Dafoe), o Homem-Areia (Thomas Haden Church), o Lagarto (Rhys Ifans) e Electro (Jamie Foxx).

Inadvertidamente, o roteiro do filme faz com que o próprio Homem-Aranha seja o causador de muitas das suas várias desgraças ao longo da história, o que acaba tornando crível a sua jornada de amadurecimento, no entanto, inerente a sensação de que quase tudo visto em tela poderia ter sido evitado com tomadas de decisão mais lógicas. Há também outras facilitações e conveniências pontuais que existem a fim de fazer o curso da trama andar e provocar uma “montanha russa” de sensações, nem sempre positivas, mas certamente memoráveis.

Direção

A direção é precisa. Mesmo com a grande quantidade de personagens envolvidos, Jon Watts sabe, acertadamente, quando e em qual deles colocar o holofote, e faz isso com tamanha maestria que em momento algum fica a sensação de que os personagens que estão fora do núcleo principal são menosprezados ou tem menos relevância, até mesmo aqueles que possuem um tempo bem diminuto em tela. Sobra no diretor um humor espirituoso que enriquece os alívios cômicos, porém, falta-lhe traquejo para usar o artificial a seu favor, tornando o uso dos efeitos especiais um tanto questionável, às vezes.

Cinematografia

A trilha sonora, assinada por Michael Giacchino, é outro grande acerto do longa que, contudo, não é tecnicamente perfeito. E nem precisava ser. No cinema, a técnica deve existir a favor da emoção. Um filme tecnicamente impecável, mas sem alma, é um filme esquecível.  A cinematografia é simples, mas operante. As atuações são quase todas marcantes em algum aspecto. Tom Holland possui mais conteúdo dramático para trabalhar e consegue sustentar uma performance mais sóbria e madura do personagem título, relativamente melhor do que as dos filmes anteriores da trilogia. 

A adição dos vilões clássicos é um dos maiores acertos do filme. Não é novidade que a galeria de vilões do amigão da vizinhança é uma das melhores do universo dos quadrinhos e a interação com eles e entre eles no filme funciona muitíssimo bem. Obviamente, uns estão melhores que outros.  Destaque para Willem Dafoe. Aos 66 anos é impressionante a versatilidade do ator que parece não sentir os efeitos da passagem dos anos. O mesmo se aplica a Alfred Molina e o seu Doutor Octopus. O seu carisma é instantâneo, e é praticamente impossível não sentir a nostalgia e empatia através da memória afetiva dos personagens.

‘No Way Home’ é um filme que serve como recorte preciso do universo fantástico do estúdio Marvel. Uma aventura que, salvo quando se justifica demais ou se sente refém de recursos didáticos para descrever o que ocorre na tela, se torna uma viagem envolvente, capaz de transportar o espectador para lugares que não necessitam de explicações, apenas sentimentos.

Título Original: Spider-Man: No Way Home

Estreia: 16 de dezembro de 2021 (Brasil)

Duração: 159 minutos

Gênero: Ação/Aventura/Fantasia

Direção: Jon Watts

Elenco: Alfred Molina, Benedict Cumberbatch, Benedict Wong, J. B. Smoove, Jacob Batalon, Jamie Foxx, Jon Favreau, Marisa Tomei, Rhys Ifans, Thomas Haden Church, Tom Holland, Zendaya e Willem Dafoe.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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