Cultura

Polêmico e controverso, ‘Marighella’ de Wagner Moura une ação, tensão e política

"Apesar disso, surpreendentemente, o filme é muito mais equilibrado do que certas pessoas gostariam de fazer crer"

Valter Soares de Souza Junior*
21/11/21 às 14h15
(Foto: Globo Filmes/O2 Filmes/Paris FIlmes/Divulgação)

Em ‘Marighella’, que está finalmente nos cinemas, Wagner Moura como diretor e roteirista, não se limita à uma biografia convencional do deputado, escritor, ativista e guerrilheiro Carlos Marighella. Ele opta por um recorte que se debruça, exclusivamente, entre 1964 e 1969.

Uma ótima decisão, pois escapa daquelas armadilhas das biografias tradicionais de mostrar a infância, a juventude e a formação do indivíduo e porque certas figuras históricas tal qual Marighella, são mais bem definidas e iluminadas por certos momentos críticos em suas trajetórias.

Wagner Moura consegue tornar ‘Marighella’ um thriller de ação, além de político. Como ator, ele já trabalhou com grandes cineastas e, é nítido e admitido, que uma de suas maiores influências é o diretor José Padilha, com quem fez ‘Tropa de Elite’. Assim, em sua estreia na direção de um longa, ele se mostra muito dinâmico. Com uma câmera muito presente na narrativa, quase como se tivesse vida própria e integrasse a trama bem como qualquer outro personagem, ele inicia com um plano-sequência vertiginoso e cheio de excitação que dá o tom do filme.

Sendo o Wagner ator, é notável no filme uma polidez maior com os atores e com o desenvolvimento dos personagens. Seu Jorge, conhecidamente uma pessoa de muito carisma, está muito bem como Marighella. Entre os seus companheiros, eu gosto, particularmente, da Bella Camero e do Jorge Paz, além, claro, de Luiz Carlos Vasconcelos, bárbaro como sempre. E, embora pontuais, as participações de Adriana Esteves e Herson Capri são muito boas também.

(Foto: Globo Filmes/O2 Filmes/Paris FIlmes/Divulgação)

Muito tem se falado da atuação de Bruno Gagliasso como delegado Lúcio, que é um decalque do delegado Sérgio Fleury, que historicamente perseguiu Carlos Marighella e conduziu a emboscada que resultou na execução dele. Sem dúvida, é uma atuação intensa. É um daqueles casos em que a gente sente demais o esforço do ator ao invés de ver o personagem ali, na trama. Apesar de que, pessoalmente, eu acredito ter sido uma decisão da direção.

Produção e linguagens

O filme é estruturado, basicamente, em set pieces, isto é, sequências de ação elaboradas, dentre as quais, algumas são realmente excelentes. Principalmente as rodadas em locação, ou seja, filmadas em locais externos, pois apresentam um ótimo trabalho de sincronia da equipe de filmagem e uma notável composição do desenho de produção e cenografia, com elementos de coexistência do período em que se passa a história do longa.

Entretanto, por vezes, o filme não confia completamente na capacidade virtuosística da linguagem cinematográfica de definir personagens e desenvolvê-los para o espectador, que é a ação da qual eles participam. Há muito diálogo declaratório em ‘Marighella’; momentos em que os personagens basicamente discursam e que, dificilmente, ocorreria na vida real. Notadamente linhas de texto escritas direcionadas ao público. Neste sentido, a obra não é nenhum pouco sutil e/ou orgânica.

Apesar disso, surpreendentemente, o filme é muito mais equilibrado do que certas pessoas gostariam de fazer crer. Aliás, pouco vemos do Marighella líder ideológico, revolucionário, discursador político e radical, ainda que o filme assuma seu posicionamento político desde as primeiras imagens. Em última análise, ironicamente, uma das ausências mais sentidas em ‘Marighella’ é a ambivalência da narrativa.

O filme "Marighella" está em cartaz em Araçatuba, no Cineflix, no shopping Praça Nova, às 21h10 todos os dias da semana. 

Título Original: Marighella

Estreia: 4 de novembro de 2021 (Brasil)

Duração: 155 minutos

Gênero: Biografia, Drama, Histórico

Direção: Wagner Moura

Elenco: Seu Jorge, Adriana Esteves, Bruno Gagliasso, Humberto Carrão, Luiz Carlos Vasconcelos, Adanilo, Jorge Paz, Bella Camero, Herson Capri, Henrique Vieira, Ana Paula Bouzas, Ana Paula Bouzas, Paul Bernard, María Casares, Élina Labourdette, Lucienne Bogaert, Jean Marchat, Tuna Dwek, Guilherme Lopes, Rafael Lozano, Charles Paraventi, Brian Townes, Leonardo Lacerda.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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