Em ‘Marighella’, que está finalmente nos cinemas, Wagner Moura como diretor e roteirista, não se limita à uma biografia convencional do deputado, escritor, ativista e guerrilheiro Carlos Marighella. Ele opta por um recorte que se debruça, exclusivamente, entre 1964 e 1969.
Uma ótima decisão, pois escapa daquelas armadilhas das biografias tradicionais de mostrar a infância, a juventude e a formação do indivíduo e porque certas figuras históricas tal qual Marighella, são mais bem definidas e iluminadas por certos momentos críticos em suas trajetórias.
Wagner Moura consegue tornar ‘Marighella’ um thriller de ação, além de político. Como ator, ele já trabalhou com grandes cineastas e, é nítido e admitido, que uma de suas maiores influências é o diretor José Padilha, com quem fez ‘Tropa de Elite’. Assim, em sua estreia na direção de um longa, ele se mostra muito dinâmico. Com uma câmera muito presente na narrativa, quase como se tivesse vida própria e integrasse a trama bem como qualquer outro personagem, ele inicia com um plano-sequência vertiginoso e cheio de excitação que dá o tom do filme.
Sendo o Wagner ator, é notável no filme uma polidez maior com os atores e com o desenvolvimento dos personagens. Seu Jorge, conhecidamente uma pessoa de muito carisma, está muito bem como Marighella. Entre os seus companheiros, eu gosto, particularmente, da Bella Camero e do Jorge Paz, além, claro, de Luiz Carlos Vasconcelos, bárbaro como sempre. E, embora pontuais, as participações de Adriana Esteves e Herson Capri são muito boas também.
