Cultura

Premiado em Sundance, filme ‘No Ritmo do Coração’ é uma agradável experiência

Tendo estreado no mês mundial da visibilidade da comunidade surda, o setembro azul, o filme está atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, incluindo no Cineflix e Cine Araújo, em Araçatuba (SP)

Válter Soares de Souza Júnior*
26/09/21 às 16h40
(Foto: Diamond Films/AppleTV+/Divulgação)

Apresentando os desafios de ser o único ouvinte de uma família surda, o filme ‘No Ritmo do Coração’ aborda com emoção e delicadeza a vida da jovem Ruby Rossi, interpretada pela atriz Emilia Jones, e as tensões que surgem quando sua paixão pela música a afasta de sua família.

Ruby mora com a mãe Jackie, o pai Frank e o irmão mais velho Leo, todos os três surdos, em Gloucester, Massachusetts, onde ela mantém uma rotina incansável entre a escola e seu trabalho como ajudante no barco de pesca da família. Embora sua capacidade de ouvir a diferencie de seus pais e irmão, Ruby atua como intérprete para os membros de sua casa por meio da linguagem de sinais, e acaba se tornando a principal ligação deles com o mundo ouvinte.

Porém, conflitos são gerados quando Ruby decide nutrir seu talento natural à música e contempla um futuro além de casa. Em meio aos desafios da adolescência e os dilemas da família, Ruby se vê dividida entre seguir o amor pela música e o medo de precisar abandonar os pais.

Refilmagem em inglês do premiado filme francês de 2014, ‘La Famille Bélier’, o título original ‘C.O.D.A’ refere-se à sigla da organização internacional ‘Children of Deaf Adults’, nome também utilizado no Brasil para se referir às pessoas que são ouvintes e têm pais surdos. O longa venceu os prêmios de melhor filme por público e júri no Festival de Sundance 2021 e alcançou o marco de distribuição mais cara da história do festival para uma exibição híbrida no exterior.

A ideia do filme de expor a contraposição música-surdez é muito interessante. O conflito é parcialmente logístico: como uma pessoa que ouve, Ruby é um componente chave do recém-inaugurado negócio de venda de peixe da família. Além disso, a música é algo que os familiares de Ruby não conseguem apreciar plenamente.

Com leveza e sensibilidade, a diretora Siân Heder e seu elenco evocam a tempestade de emoções desencadeadas pelo talento de Ruby para o canto. Crucialmente, a cineasta mantém sempre as coisas em movimento, nunca se demorando em cenas dramáticas ou incutindo-as com sentimentalismo.

Subtramas

(Foto: Diamond Films/AppleTV+/Divulgação)

A dinâmica entre Ruby e sua família e o “empurra-empurra” de afeto e irritação, bem como a linha indefinida entre proximidade e co-dependência são estabelecidos em cenas nítidas e convidativas. Siân Heder tem um estilo visual discreto, mas consegue evidenciar o grau de importância dos acontecimentos sempre que necessário. Destaque para o trabalho sonoro que, por vezes, soube usar com eficiência ruídos para construir uma cena.

O filme, no entanto, acaba se distraindo com tantas outras subtramas a que se dedica pelo caminho. Elementos importantes da trama, tais como a percepção do preconceito da sociedade e a falta de acessibilidade no dia a dia, estão presentes no filme, porém, superficialmente, sem tempo hábil para aprofundamentos. Além do que, o longa recorre a várias facilitações narrativas e acaba por apresentar conclusões, de certo modo, previsíveis.

Ainda assim, o elenco, composto parte por ouvintes, parte por surdos, está muito bem. A performance da atriz veterana Marlee Matlin, inclusive, capta de maneira pungente o que as mães passam quando seus filhos crescem e saem de casa para seguir seus próprios sonhos.

Em cartaz

Tendo estreado no mês mundial da visibilidade da comunidade surda, o setembro azul, o filme está atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros, incluindo no Cineflix e Cine Araújo, em Araçatuba (SP). Deve atrair, dentre outros públicos, uma parcela significativa de deficientes auditivos. Por esse motivo, a maioria das sessões do filme está sendo exibida na versão legendada. O longa também está disponível no Moviereading, um app para dispositivos móveis iOS e Android, que garante a acessibilidade do conteúdo.

Título Original: C O D A

Estreia: 23 de setembro de 2021 (Brasil)

Duração: 111 minutos

Gênero: Comédia, Drama

Direção: Siân Heder

Elenco: Emilia Jones, Eugenio Derbez, Troy Kotsur, Ferdia Walsh-Peelo, Daniel Durant, Marlee Matlin

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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