Cultura

Quem leva o Oscar? Premiação acontece neste domingo

O Hojemais Araçatuba entrevistou o diretor de cinema Djalma França, de Birigui, que comentou sobre as principais categorias da premiação

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba
24/02/19 às 13h20
“Infiltrado na Klan” (Foto: Divulgação)

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood entrega neste domingo (24) as estatuetas do Oscar.

Entre os favoritos apontados por sites especializados em cinema, figuram “Roma”, produzido pela Netflix, cuja direção é assinada pelo mexicano Alfonso Cuarón, o longa-metragem baseado em fatos reais, “Green Book – O Guia”, de Peter Farrelly, e “Infiltrados na Klan”, de Spike Lee.

Para falar sobre os favoritos indicados em algumas das categorias mais aguardadas (melhor filme, diretor, ator e atriz), conversamos com o ator, diretor teatral e de cinema Djalma França, de Birigui (SP).

França, que também é roteirista, é formado em arte dramática pelo Senac de Artes de São Paulo e especializado em “Method Acting”, pelo Instituto Stanislavsky, e cinema, pelo Latin American Film Institute.

Em entrevista, o profissional, que acompanha todos os anos a premiação e filmes indicados, faz seus comentários sobre os destaques deste ano. 

Djalma também atua no fomento do cinema independente em Birigui (Foto: Arquivo Pessoal)
"Pantera Negra" (Foto: Divulgação)
"Roma" (Foto: Divulgação)

Surpresas do ano

Fiquei surpreso com a indicação na categoria de melhor filme, o “Pantera Negra”. Não pelo filme em si, que considero bom, mas pelo fato de ser de super-herói, e a Academia nunca havia colocado um longa-metragem dessa natureza para concorrer na categoria principal.

Mas não considero essa supresa de maneira isolada, porque o que achei interessante foi “Han Solo - Uma História Star Wars” ser também um indicado, mesmo sendo na categoria de efeitos especiais, que sem dúvida merece a indicação, mas a surpresa se deve ao fato de “Han Solo” ter sido um dos filmes mais criticados do ano passado, pelo menos pela crítica especializada. Acho que o filme atingiu o resultado desejado, ou seja, divertir fãs.

Bem contatos

Sem dúvida o filme “Roma” simplesmente é a obra-prima do diretor mexicano Alfonso Cuarón, responsável pelo elogiadíssimo “Gravidade”. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, o filme é uma das grandes apostas para levar o Oscar, mas creio que não será tão fácil assim, porque tem o filme “Green Book – O Guia”, forte concorrente ao Oscar de melhor filme, inspirado em uma história real (segundo informações dos produtores, pois há rumores de que não é tão real assim).

"Green Book" (Foto: Reprodução)

Curiosidades a parte, “Green Book” retrata o improvável encontro entre um virtuoso e refinado pianista americano Don Shirley (Mahershala Ali) e um motorista e segurança brutamonte, np casp Tony Lip (Viggo Mortensen). Os dois saem numa turnê de concertos pelo sul dos Estados Unidos, nos anos 60.

Pensando no filme que tem como fundo os preconceitos e convivências das diferenças e atuações espetaculares desses protagonistas com enredo envolvente, pode-se acrescentar que além de tudo isso, se trata de um filme americano em solo americano, nesse caso, a chance de levar a estatueta seria bem significativa. Mas acho que o fato do diretor Peter Farrelly não concorrer na categoria de melhor direção, pode ser uma fragilidade na corrida pelo Oscar.

"Infiltrados na Klan" (Foto: Divulgação)

Melhor filme

Se eu fosse escolher o grande vencedor do Oscar, eu entregaria para o filme “Infiltrado na Klan”. Em primeiro lugar porque considero esse filme umas das maiores obras primas de Spike Lee, que sem dúvida, na minha opinião, é um dos maiores diretores do cinema americano contemporâneo.

Por outro lado, analisando a questão de melhor filme e não de diretor,  o filme tem uma dose bem equilibrada entre o drama, o medo e os absurdos da intolerância, conseguindo mesclar muito bem momentos genuinamente engraçados, em cenas que fariam chorar se fossem reproduzidas de outra forma.

Sem contar as atuações incríveis de um elenco que se destaca sob a direção primorosa de Lee e com John David Washington, filho de Denzel Washington, que assume com primor seu papel como protagonista.

Rami Malek como Freddie Mercury (Foto: Divulgação)
Christian Bale como Dick Cheney (Foto: Divulgação)

Melhor ator

Essa categoria é uma das que mais me encanta, pois é possível destacar atores incríveis doando o seu melhor para imprimir a essência da personagem. Apesar do bom trabalho do ator Rami Malek, em "Boemian Rhapsody”, encarnando com perfeição o ícone Freddie Mercury em uma cinebiografia convencional da banda Queen, não tem como deixar de entregar a estatueta para Christian Bale, que mais uma vez impressiona com sua transformação e atuação brilhante.

Christian é um ator metódico e leva muito a sério suas construções de personagens. Em “Vice” ele engordou mais de 20 quilos para o papel, em mais uma daquelas metamorfoses  que ele faz com o próprio corpo. Para conferir seu trabalho, é só assistir filmes como “Trapaça”, “Operário”, “Batman Begins”, entre outros.

Mas não creio que deve-se ater apenas a esse trabalho de transformação física, porque para quem já viu vídeos e entrevistas de Dick Cheney (personagem interpretado por Christian), o ator simplesmente fez uma imersão total em seu personagem. Inclusive, existem momentos em que é muito difícil reconhecer o ator. Evidente que há um trabalho fantástico de maquiagem, mas indo além da maquiagem, pode-se observar os maneirismos, o olhar, a expressão e outras ações próprias do personagem e irá perceber claramente o quão incrível ele está no pap

Melhor atriz

Seguindo o mesmo olhar crítico como ator e diretor, a indicação de melhor atriz segue na linha de atuações memoráveis e preparação do mais alto nível. Acho que Glenn Close, em “A Esposa”, pode ser a grande vencedora na categoria atriz, até mesmo porque esse aquecimento começou com Glenn vencendo o Globo de Ouro. Não que isso seja o prelúdio para um possível prêmio da Academia, mas que tem seu peso, isso tem

Em quase 45 anos de carreira, Glenn recebeu seis indicações e nenhuma vitória, mas afastando qualquer injustiça realizada no passado pela Academia, é importante ressaltar que Glenn tem grandes chances de levar a estatueta pela sua atuação brilhante. A atriz tem uma performance incrível ao dominar seu ofício, trabalhando uma personagem sem expressões exageradas ou gritos histéricos por conta de sua condição e submissão ao marido, um dos fios condutores da estória.

Ela consegue encarnar uma esposa ressentida e tem momentos fantásticos que o silêncio de Close ensurdece. É um desses momentos que ela mostra sua experiência e preparação e sua expressão diz mais do que qualquer palavra. Se ganhar, será o primeiro Oscar da carreira, nada mais justo para uma atriz de 71 anos que é tão intensa quanto suas personagens.

Spike Lee (Foto: Reprodução Facebook)

Melhor direção

Apesar do favoritismo que Cuarón tem para levar a estatueta, não acho que será tão fácil assim, até porque o mexicano já tem um Oscar na prateleira por “Gravidade” (isso não é indicativo que de não possa levar como diretor por “Roma”), mas os Estados Unidos vivem uma onda muito forte sobre preconceitos raciais, e observando esse cenário, isso pode ser uma pedra no caminho do diretor.

Spike Lee é um forte concorrente tanto pela direção quanto pela estória do filme “Infiltrados na Klan”. Spike como diretor executa com mais precisão o que propôs, isso sem contar que é mais arrojado e criativo,  sem deméritos a “Roma”, que tem uma ótima direção de Cuarón, que sem sombra de dúvida continua sendo o grande favorito. Mas terá que passar também pelo crivo político da Academia e pelo movimento de classes e seus direitos em solo americano.

Nova Era no cinema?

Com as especulações sobre mudanças na forma como assistimos filmes no cinema, e a grande rainha  Netflix, que popularizou em grande escala os filmes e séries em streaming, talvez tenhamos uma nova Era do cinema.

Mas vamos ao assunto da vez: “Roma”; é o primeiro filme streaming produzido sob demanda para ganhar um festival, e comentar sobre streaming no cinema é falar das mudanças no universo cinematográfico. Desde as exibições dos irmãos Lumiere, o cinema vem sofrendo modificações sempre com a intenção de alcançar o maior número de espectadores ao redor do planeta.

Depois de várias mudanças e experimentos, tivemos a Era de Ouro do cinema mudo, e um de seus ícones mais representativos pelo menos em escala de massa, foi Charles Chaplin,  e que na evolução do cinema, foi um dos que mais relutou para aceitar e produzir filmes com som, negando e discursando contra esse novo formato. Com o passar do tempo, resolveu produzir e tivemos uma obra prima:“O Grande Ditador “, que foi exibido em dois cinemas de Nova York, Astor e Capitol, em 15 de outubro de 1940.

Agora temos mais um teste de ferro para os amantes de cinema e, claro, para os produtores mais conservadores, mas imagino que junto com essa mudança vem também uma abertura maior de mercado (assim espero). Com a NetFlix investindo milhões no filme “Roma”, ela tem agora seu primeiro filme concorrendo na categoria mais importante do Oscar, isso sem falar das outras indicações.

A discussão sobre exibição streaming já vem caindo por terra, então acho que é uma questão de tempo para termos cada vez mais produções nesse formato. Essa abertura por parte da Academia de Hollywood pode ser o passo que precisava para produções streaming para o cinema. Na minha opinião, um novo formato de produzir cinema já começou.

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