Quem hoje vê o ânimo do produtor de leite Juliano Aparecido Falquetto, de Nova Luzitânia (SP), não imagina que um ano atrás ele andava com a cara fechada, preocupado, pensando em parar a produção.
Na época, na Chácara Três Irmãos, de 5 hectares, ele contava com duas vacas secas e nove em lactação, que produziam, em média, 70 litros de leite por dia. O laticínio para o qual ele vende o produto pagava R$ 1,30 por litro, sendo que o custo era de R$ 1,10 – margem de lucro de R$ 0,20 por litro. Atualmente, são três vacas secas e 12 em lactação produzindo 190 litros de leite ao dia, o laticínio paga R$ 1,90 pelo litro e o custo é de R$ 0,96 – margem de lucro de R$ 0,94 por litro.
Já em Buritama, no sítio Nossa Senhora do Livramento, de 15 hectares, o produtor Rogério Theodoro Alfredo tem um rebanho com 26 vacas em lactação, seis vacas secas e sete novilhas. Ele, que produz leite desde 2011, maneja o rebanho em 2 hectares irrigados, e 2,4 hectares de cana-de-açúcar para serem ensiladas e usadas de abril a setembro. Alfredo conseguiu passar de uma produção média diária de 19,5 litros/dia, para 22,5 litros/dia.
Os que fez ambos mudar suas produções e voltar a investir na atividade foi a participação no programa Bovinocultura Leiteira (Pró-Leite) promovido pelo Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste) em parceria com o Senar-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), e apoio da prefeitura de Araçatuba.
Produtividade
No caso de Falquetto, ele aprendeu que o caminho era viabilizar a pastagem e a cana, afirma o instrutor do programa, o zootecnista Ademir Pereira Martins Júnior . O produtor passou a monitorar o solo por meio de análises e a fazer correções com abusos químicos e orgânicos. Essas ações, associadas à irrigação, aumentaram a produtividade de capim por hectare. E as vacas passaram a ter comida à vontade e de qualidade.
"Eu entendi que estava agindo errado. Quando o preço pago pelo laticínio era baixo, eu diminuía o concentrado, parava de adubar os piquetes e com o volumoso no coxo, pois não tinha dinheiro para complementar a alimentação das vacas. Só que o pasto não era bem feito, e, no final das contas, não tinha comida para os animais. A produtividade caía. Tudo ia piorando. Hoje, eu penso diferente. Mudei todo o sistema, melhorei o pasto e fiz outras mudanças necessárias”, conta o produtor de Nova Luzitânia.
Com o solo corrigido e o capim mombaça irrigado, mais o plantio de 0,6 hectar de cana, a produção diária média por vaca, que era de 7,7 litros de leite no ano passado, mais do que dobrou, passando a 15,8 litros.
A produtividade, que girava em torno de 18 mil litros de leite por hectar, ao ano, sendo necessários 8 mil metros quadrados de pastagem e 6 mil metros quadrados de cana-de-açúcar, passou a 34 mil litros de leite por hectare ao ano, contando com 1,3 hectar de pastagem e 0,6 hectar de cana-de- açúcar, sendo completado o volumoso do período de inverno, menor luminosidade e temperatura com briquete de algodão. “Agora, a minha ideia é aumentar ainda mais a produção, chegando a 350 litros de leite por dia”, finaliza Falquetto.
Qualidade
Já no caso de Alfredo, do sítio de Buritama, o instrutor do programa destaca a eficiência das vacas, que basicamente se alimentam de concentrado à base de milho, núcleo mineral vitamínico e só 5% de farelo de soja (anteriormente, o farelo de soja representava 36% da formulação). “O Rogério melhorou a qualidade da pastagem e aumentou a lotação. Antes, ele trabalhava somente com vacas no cocho. Atualmente, são 13,5 UA/ha”, diz Martins Júnior.
