Nos altos de seus 88 anos, Maria Luzia Villela é fonte de inspiração aos que conversam com ela. Conhecendo a ex-professora e escritora, constata-se imediatamente o espírito de vanguarda que a acompanha desde a juventude.
Lendo seus escritos, comprova-se que já nasceu escritora pela sua sensibilidade, que foi sempre acrescida pelos seus estudos, não só como professora, mas como pessoa inteligente e curiosa que é.
Viúva do pecuarista Pedro Silva Villela, ela ocupa seu tempo com a neta Lívia. Nos demais, desfruta da nova diversão descoberta: investir em ações. Nada considerável, apenas uma distração para alguém que tem anseio em conhecer, de tudo, sempre.
A entrevista renderia um livro, tamanha diversidade de assuntos abordados, mas neste momento, ficam as melhores aspas da conversa.
Mãe:
Altina Martins de Andrade
Pai:
Adonirio Villela de Andrade
Filhos:
Quatro. Dois homens e duas mulheres. Leda Maria da Graça Villela, Pedro Silva Villela Filho, Claudia Maria Villela e Rubens Luiz Villela.
Nascimento:
Morava em Ribeirão Preto mas nasci na fazenda que se chamava Catingueiro e é perto de Ribeirão.
O que gostaria de viver:
Eu gostaria de ver a Lívia curada
Netos:
3 da Leda, 2 do Pedro, 1 do Rubens e 1 da Cláudia. Tenho 3 bisnetos, duas meninas e um menino
Livro:
Sapiens: uma história da humanidade, de Yuval Harari.
País:
Espanha, mas amor mesmo é meu Brasil
Posicionamento político:
Direita. A favor do capitalismo.
Idade e experiência:
Eu não sei, eu confronto com a nossa falibilidade. Por exemplo, meu marido foi embora e eu não deixei um minuto o caixão dele, fiquei do lado olhando e sentindo aquela perda. Não levou uma linha e se eu tivesse posto uma malinha e uma calça ele não ia usar, não servia pra nada.
Então ver uma pessoa tão maravilhosa como era meu marido, ali não é mais ele. Depois disso eu fiquei uma pessoa mais cética, não mais descrente porque eu vi milagre. Minha vida foi pontuada de milagres.
Mulher à frente do tempo:
Eu sou à frente do tempo, coisas que eu imaginei no passado eu vi acontecer, porque eu fui educada para pensar. Minha tia, por exemplo, me dava desenhos com balãozinho e eu tinha que imaginar a fala, fui estimulada a pensar e ela propunha coisas para gente saber resolver e dava lições fantásticas.
Inspiração:
Eu admirei muito a minha tia, a minha irmã a minha mãe Paula. Eu fui abençoada desde que nasci, Deus preparou pra mim um berço de amor, de pessoas nobres de sentimento.
Saudade:
Às vezes a gente tem uma nostalgia, uma certa saudade do tempo que a Lígia corria e brincava.
Ausência do esposo:
Eu quase fiquei louca quando meu marido morreu. Foi uma dor muito grande e eu, como esteio, precisava sorrir e falar que estava tudo bem, tomar os negócios. Deus nunca me deixou sem esteio, Ele é o meu esteio. Ele se mostra para mim.
Esperança na juventude:
Tenho sempre esperança, Deus não abandona seu povo. Quem diria que o Brasil ia passar por essa transformação? Eu tenho esperança e confio na nossa juventude. Deus não abandona o seu povo. Nunca. Sou uma eterna confiante.
Conselho aos jovens:
É uma coisa muito relativa, porque depende muito do jovem. O que talvez eu possa falar pra você talvez eu não possa falar pro meu neto. Mas o que eu posso dizer é que ser honesto é muito mais lucrativo do que ser espertalhão.
Feminismo:
O feminismo, quando necessário, a mulher deve ser. Mas qual a necessidade dessa brigaiada de tirar roupa? De colocar “o corpo é meu” e num sei o que mais. O corpo é dela, mas a moral é pública. Eu sempre tive liberdade. Por que eu vou lutar?
Elegância:
Eu fui professora e ensinava minhas alunas a se comportarem, ter postura. Eu falava para elas essas coisas. Para endireitar as costas, manter a postura.
Ensinei elas andarem colocando uma tábua no chão e andar com um pé na frente do outro. Para comer, um livro debaixo de cada um dos braços para comer com elegância, sem colocar o cotovelo na mesa.
Pode-se aprender a ter elegância. Se você convive em ambiente de bom gosto, você vai apurar seu bom gosto. Tem gente que tem uma luz especial para saber combinar uma roupa. Não é dinheiro.