O Tribunal do Júri de Guararapes (SP) se reúne nesta terça-feira (15) para julgamento de Adriano Fernandes Luiz da Silva, 46 anos, pelo assassinado do policial militar da reserva Wilson de Lima Gomes, 54.
Ele foi encontrado morto na madrugada de 31 de janeiro de 2019, em um canavial na zona rural da cidade, onde estava com uma sobrinha do réu, que foi preso pela manhã.
Silva foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e pelo recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele também responde por furto, já que teria ficado com os celulares da vítima e da sobrinha dele após o crime.
Denúncia
Consta na denúncia que o policial da reserva e a sobrinha de Silva, que tinha 22 anos na época e também é afilhada dele, mantinham relacionamento amoroso desde 2016. O réu teria sido informado dessa relação havia pouco tempo e ele não concordaria com o relacionamento.
Na noite anterior ao crime a jovem saiu para comer um lanche com o padrinho dela e quando voltou para casa, o policial da reserva a pegou. Os dois saíram com um Ford Scala Ouro, pouco depois das 23h.
Eles foram até um canavial próximo ao Motel Karibe, na estrada municipal Natal Scatolin, local que o casal costumava frequentar. A vítima estacionou o veículo em um dos corredores, o casal passou um período conversando e depois manteve relação sexual.
Tiros
O réu chegou ao local de moto, a estacionou no início do carreador e foi caminhando até o carro. Ele encontrou a sobrinha dele ainda sem roupa, fora do veículo, mandou ela entrar e sentar no banco traseiro.
O policial da reserva estava sentado do banco do motorista, também sem roupa, e foi abordado pelo réu, que perguntou se ele era o Gomes. A vítima respondeu que era PM, levantou as duas mãos e mesmo sem reagir, foi atingida com um tiro na cabeça e outro no tronco, vindo a morrer no local.
Reconhecido
Silva vestia um capuz que cobria o rosto e portava uma lanterna, mas foi reconhecido pela sobrinha dele pelos olhos e pela voz. Após pegar os celulares do casal, ele mandou a sobrinha dele se vestir e caminhar até o final do carreador, onde tirou o capuz.
Ele mandou a jovem subir na garupa da moto e saiu com o veículo. Segundo a denúncia, durante o trajeto a jovem perguntou ao tio dela o motivo de ele ter matado a vítima friamente e ele respondeu que a havia salvado dela mesma.
A jovem foi deixada pelo tio próximo ao Motel Karibe e ao ser encontrada, tentou protegê-lo. Porém, acabou relatando que o reconheceu como sendo o executor dos crimes.
Preso
Equipe da Força Tática esteve na casa do réu, que foi encontrado no imóvel, onde foram recolhidas roupas, úmidas, um par de luvas que estava dentro do bolso da calça e um par de botas. Ele foi levado para a delegacia, onde a sobrinha dele reconheceu as roupas e a lanterna utilizadas por ele quando do assassinato.
Após a denúncia ser aceita pela Justiça, a defesa de Silva pediu a absolvição sumária, enquanto o Ministério Público representou pelo julgamento pelo Tribunal do Júri, o que foi aceito e não houve interposição de recursos pelas partes.
Julgamento
A defesa requereu que para o julgamento fosse disponibilizado aparelho projetor de multimídia, que o réu possa vestir roupas civis e permanecer sem algemas, além da autorização para gravação da fala da defesa.
Desses pedidos, os únicos aceitos pela juíza Sílvia Camila Calil Mendonça foi a instalação do aparelho retroprojetor e a troca de roupas do acusado por roupas comuns, desde que previamente averiguada pela escolta penal/policial.
O julgamento será no Fórum de Guararapes, a partir da 9h, sem a presença de público. O Ministério Público será representado pelo promotor de Justiça Rodrigo Mazzilli Marcondes e a defesa do réu feita pelos advogados Ivanete Zugolaro Fontoura e Jerônimo José dos Santos Júnior.
