Justiça

MP quer Prefeitura use o poder de polícia para fazer cumprir quarentena em Guararapes

Promotoria de Justiça alerta que omissão do poder público na fiscalização das medidas sanitárias pode configurar ato de improbidade administrativa por atentar contra a vida e a saúde pública

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
15/04/20 às 16h21

O Ministério Público em Guararapes (SP) quer que a Prefeitura tome medidas contra o abuso de partes dos comerciantes da cidade, que estaria desrespeitando o decreto do governo do Estado e abrindo os estabelecimentos, apesar da quarentena para prevenir a propagação do coronavírus.

Em ofício encaminhado à administração municipal na terça-feira (13), o promotor de Justiça Bruno Orsini Simonetti deu 48 horas de prazo para que o município informe como está sendo feita a fiscalização e quantas notificações já foram aplicadas, com cópias dos respectivos documentos, sob pena de ação de improbidade administrativa contra o prefeito Tarek Dargan (PTB).

A Promotoria de Justiça em Guararapes instaurou procedimento para acompanhar as ações voltadas à prevenção do coronavírus no muicípio e já solicitado ao poder Executivo, por meio de ofício, informações sobre fiscalização em templos religiosos e casas lotéricas, mas não houve resposta.

O promotor cita no novo ofício que circulando pela cidade, vê-se que parte significativa do comércio não essencial e serviços voltou a funcionar normalmente, incluindo lojas de roupas, de eletrodomésticos, relojoarias, sorveteria, bares, especialmente na região central de Guararapes, apesar do decreto em vigor.

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Ministério Público quer que Prefeitura use o poder de polícia para fazer cumprir decreto estadual de quarentena (Foto: Arquivo/Divulgação)

Risco

Ele argumenta que até terça-feira a cidade registrava dois casos positivos de covid-19, doença provocada pelo coronavírus, e nove casos suspeitos, o que indica que o vírus pode vir a circular de maneira sustentada em Guararapes.

Nesta quarta-feira (15), a Prefeitura confirmou o terceiro caso positivo de covid-19 em no município. A vítima é um rapaz de 26 anos, que apresentou sintomas leves e está em isolamento domiciliar. Há ainda oito casos suspeitos aguardando resultado de exame.

“Ante esse preocupante contexto, agravado pela retomada do comércio não essencial em pleno estado de calamidade pública declarada e quarentena, é a presente voltada para instar vossa senhoria ao uso efetivo do poder-dever de polícia e fazer valer as restrições sanitárias baixadas pelo Estado de São Paulo e Prefeitura”, consta no ofício.

Multa

Consta no documento ainda que o decreto municipal prevê multa de R$ 5 mil e até a cassação do alvará de funcionamento e que o decreto estadual determina a interdição do estabelecimento em caso de descumprimento da quarentena.

“Cumpre anotar que a omissão do poder público na fiscalização das medidas sanitárias pode configurar ato de improbidade administrativa por atentar contra a vida e a saúde pública, contidos no princípio da legalidade”, cita o ofício.

Providências

Diante da aparente omissão doa Prefeitura na fiscalização das atividades privadas durante a quarentena, o promotor acrescenta que quer ser informado em 48 horas sobre:

quantas autuações foram aplicadas pelo descumprimento dos decretos, com as respectivas cópias;

com que frequência essa fiscalização é feita no comércio e em igrejas, com relatórios das respectivas fiscalizações;

quantas equipes fazem as fiscalizações e autuações;

quais as próximas fiscalizações e em quais regiões da cidade serão feitas;

se foi elaborado um cronograma de fiscalizações;

e quais medidas serão adotadas pela Prefeitura, tendo em vista que parte dos comércio e serviços não essenciais voltou a funcionar na cidade.

O MP que ser informado semanalmente sobre as ações fiscalizatórias feitas pela Prefeitura, com envio dos respectivos relatórios completos, remetidos todas as quartas-feiras ao e-mail da Promotoria de Justiça.

“Registra-se que os dados técnicos ora solicitados são indispensáveis à propositura da ação civil pública e sua omissão ou retardamento configura crime”, finaliza o ofício.

Está fiscalizando

Questionada sobre os pedidos do Ministério Público, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Guararapes informou que a administração municipal está intensificando a fiscalização.

“Todos os dias os fiscais estão nas ruas para notificar comércios que funcionam de forma irregular”, informa em nota.

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