Laudo de exame de incidente de verificação de insanidade mental aponta que o autônomo de 61 anos preso em novembro de 2018 em Guararapes (SP), acusado de estuprar a própria filha por sete anos, tem sinais de demência.
O réu responde a processo por ter sido denunciado várias vezes por estupro e está preso em um presídio de Iaras (SP). O caso corre em segredo de Justiça, mas Hojemais Araçatuba apurou que o resultado do exame foi informado à Justiça no final da tarde quarta-feira (28).
Ainda segundo o que foi apurado, o médico responsável por avaliar o paciente citou que esse tipo de demência atinge pessoas na faixa etária do autônomo. Ela causa alterações no caráter e no comportamento social, provoca a desinibição e impulsividade sexual e afeta a memória e o juízo crítico.
A recomendação para pacientes com esse quadro é de que sejam considerados inimputável pelos crimes. Assim, a Justiça poderá determinar a internação do autônomo em um hospital próprio para esse tipo de paciente.
Recebendo o laudo do exame de incidente de verificação de insanidade mental, a Justiça deve dar sequência ao processo, marcando a audiência de instrução para ouvir a vítima e testemunhas. Enquanto isso, o acusado permanece preso.
Crimes
O autônomo foi preso em 20 de novembro de 2018, exatamente uma semana após a vítima, que tinha 26 anos na época, procurar a delegacia para denunciá-lo.
Na ocasião, ela contou que vinha sendo estuprada pelo pai havia sete anos. Os crimes passaram a acontecer após a morte da mãe dela e eram praticados na casa da família, no período noturno.
Segundo a vítima, o pai a procurava no quarto dela. Ele chegou a usar uma faca para obrigá-la a manter relações sexuais com ele. Ao procurar a polícia, a jovem solicitou as medidas protetivas previstas na lei Maria da Penha, as quais foram concedidas.
Prisão
O mandado de prisão foi expedido durante o plantão judiciário no Fórum de Araçatuba, no feriado do Dia da Consciência Negra em Guararapes.
No mesmo dia o investigado foi preso por policiais civis, que o encontraram no escritório do advogado dele, ao qual procurou após ter conhecimento do mandado de prisão. Na ocasião, ele negou ter violentado a filha sexualmente.
Entretanto, a vítima gravou um vídeo sendo abusada pelo pai, o qual foi entregue à polícia quando ela decidiu denunciá-lo devido às ameaças que vinha sofrendo.
Ameaças
A reportagem apurou que após saber que havia sido denunciado à polícia pela filha, o autônomo passou a ameaçá-la.
Depois da denúncia, a jovem foi morar com uma amiga, que também recebeu ameaças após o acusado ser intimado das medidas protetivas concedidas à filha dele.
Ele chegou a ir à casa onde a filha estava morando para tentar conversar com ela, mas como não foi atendido, disse que mataria ela e a amiga dela. As ameaças só teriam parado com a prisão.