Opinião

A cura pela literatura

"Se ao lermos, entramos em contato com o que antes estava perdido, a leitura te tornou melhor"

Janaína Nascimento* - Hojemais Araçatuba 
18/08/19 às 11h00

Vocês já estiveram na presença de um livro que te deixa sem palavras, que consegue fazer de cada segundo em sua companhia um momento prazeroso e tranquilo?

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Sussex, diz que ler ajuda reduzir o estresse, e diferente dos outros métodos, como tomar uma xicara de chá ou ouvir música, funciona melhor e mais rápido. Os psicólogos acreditam que isso ocorre porque a mente humana tem que se concentrar na leitura e a distração de ser levado para um mundo literário facilita o relaxamento dos músculos.

Ao jornal britânico Telegraph, o Dr. Lewis, que conduziu a pesquisa, disse: “Perder-se em um livro é o maior relaxamento. Isso é particularmente pungente em tempos incertos, quando todos nós desejamos uma certa quantidade de escapismo. Realmente não importa o livro que você lê, perdendo-se em um livro completamente absorvente você pode escapar das preocupações e tensões do mundo cotidiano e passar um tempo explorando o domínio da imaginação do autor.”

Portanto, acompanhada de meu livro, fui capaz de entrar em um mundo feito por outra pessoa, da rara possibilidade de sentir o que ela sentiu ao descrever tudo aquilo que vivia em sua mente, me permitindo sentir em excesso, o excesso representado nesse livro. Uma das condições para ser mais humano é se colocar no lugar do outro e reconhecê-lo como uma pessoa, igual a você.

Se emocionar, chorar ou ficar triste com acontecimentos a nossa volta, está na fibra de quem somos. O problema reside em não sentir nada, em normalizar a dor do próximo e é isso que vemos nos dias atuais. Se ao lermos, entramos em contato com o que antes estava perdido, a leitura te tornou melhor, pois diante dos dispositivos que normalizam as tragédias, rompemos com essa barreira.

Sendo assim, mesmo que você não concorde que a leitura nos faça tratar melhor os outros, é por meio dessa atividade que nós nos tratamos melhor. Leitores regulares dormem melhor, têm níveis mais baixos de estresse, maior autoestima e taxas mais baixas de depressão do que os não leitores. “Ficção e poesia são doses, remédios”, escreveu a autora Jeanette Winterson. “O que eles curam é a ruptura que a realidade faz na imaginação.”

 

*Janaína Nascimento é professora de história e uma das fundadoras do clube do livro “Entre Nós; Extremos”, de Araçatuba.

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