Opinião

Apontamentos sobre a indústria 4.0 - Estamos preparados?

Para sobreviver a esta avalanche tecnológica é preciso investir maciçamente em educação, ciência, tecnologia e inovação

Andréia de Alcantara Cerizza*
18/06/19 às 18h32

A indústria 4.0 e suas várias denominações, tais como 4ª revolução industrial, manufatura avançada, ou ainda internet das coisas (internet of things - IoT), são termos que se tornam cada vez mais comuns no mundo, acompanhados de citações tecnológicas: inteligência artificial, robótica, automação industrial, realidade virtual e aumentada, nanotecnologia, biotecnologia, vant's (veículos aéreos não tripulados, como exemplo o drone), as moedas digitais, impressão 3D, big data, carros autônomos, biologia sintética entre outros. As tecnologias sempre promoveram as revoluções industriais, mas não nestes termos.

A primeira revolução industrial ocorreu no século XVIII, e os ícones tecnológicos foram a máquina à vapor e a locomotiva. Já a segunda revolução industrial surgiu entre o final do século XIX e o início do século XX, e os protagonistas foram a eletricidade e a produção em massa. Na terceira revolução industrial, entre as décadas de 50 e 60, a informática e todas as suas potencialidades foram o gatilho motivador, mas é na quarta revolução industrial, em pleno século XXI, que o conceito de conectividade entre o real e o virtual, e a quantidade de tecnologias citadas e utilizadas tomam outro patamar.

Em meados de 2011, numa feira na Alemanha, pela primeira vez se promoveu a indústria 4.0, mas já em 2010, o governo alemão desenvolveu as primeiras políticas públicas voltadas ao tema. Pela primeira vez na história das revoluções industriais, a mudança é pensada, planejada e estruturada em políticas públicas, e em ações conjuntas entre governos-empresas-universidades, pois trata-se da gestão do conhecimento, traduzida em ciência, tecnologia e inovação.

A China e os Estados Unidos, na sequência, iniciaram agendas governamentais voltadas ao tema. No Brasil, as primeiras políticas públicas voltadas à indústria 4.0 remontam de 2016. Não é por acaso que ocupa o 39º lugar no mundo, segundo a UNCTAD-ONU. O país não atingiu ainda níveis significativos em manufatura enxuta (lean manufacturing) e menos de 2% das empresas brasileiras estão inseridas no contexto 4.0.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), a estimativa mínima anual de redução de custos industriais no Brasil, a partir do crescimento da indústria 4.0, será de cerca de R$ 73 bilhões/ano.

Para sobreviver a esta avalanche tecnológica é preciso investir maciçamente em educação (propedêutica, e profissional e tecnológica), e em ciência, tecnologia e inovação. Devido aos impactos inimagináveis no mundo do trabalho, é necessário também desenvolver políticas públicas que contemplem as questões relativas ao emprego e a geração de renda. O recorte de análise aqui é a indústria, mas não nos esqueçamos de outros setores, como a agricultura e o próprio estado.

Segundo Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial e autor do livro A Quarta Revolução Industrial, a responsabilidade pelas mudanças e pelos resultados deste novo estado tecnológico é de todos, unidos pelo propósito de melhorar o estado do mundo.

 

*Andréia de Alcantara Cerizza é doutora pela Unesp Marília e coordena a área de Pesquisa e Inovação no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - IFSP Campus Birigui.

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