Um dos grandes motivos de comunidades não se desenvolverem de forma inteligente e orgânica é devido, em grande parte, a ocupação de cargos ou funções estratégicas no poder público por pessoas incompetentes (de fato ou por conveniência). São aquelas pessoas que se valem de títulos concedidos por algum sistema aristocrático (acadêmico ou não) ou por simplesmente serem peritas na arte de massagear ego de quem esteja com uma caneta na mão.
Raramente sistemas corporativos privados absorvem esse tipo de pessoa, elas só são aceitas em ambientes carreiristas públicos e pouco fazem (e pouco farão) para que algo possa mudar seu próprio status ou segurança no emprego.
Nessa nova era colaborativa em que vivemos, esse modelo não é compatível. Esse novo momento pede demandas ágeis, habilidades e competências desamarradas das regras e padrões hierárquicos, conservadores e “politicamente correto”.
Os líderes de papel geralmente são aqueles que dizem que sua agenda está sempre cheia, mas na verdade isso é só para causar impressão de que trabalham muito – o que não é verdade.
Os líderes de papel obstruem qualquer voz, ideia ou sugestão de pessoas em seu entorno por simplesmente temerem perder os louros ou o poder que seu título ostenta. Eles sempre vão falar de sua tão sofrida jornada para chegar onde estão - como uma forma de justificativa de merecimento.
Os líderes de papel sempre cumprem ordens sem questionar se é a melhor solução. São parasitas.
Talvez um dia, quando imperava o “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, esse tipo de pessoa subserviente fosse importante (talvez), mas hoje, com certeza não. É como um vereador que confunde seu papel de legislador por prestador de favores individuais, arrumando remédio para um, emprego para outro e esquece do verdadeiro objetivo da função que é o de trabalhar para um coletivo. Tanto o líder de papel quanto o edil jogam o jogo e, sem nenhum senso moral, acreditam estarem fazendo a coisa certa.
Os líderes de papel não são mais necessários, já cumpriram sua apequenada tarefa no mundo. Agora, devem se afastar de funções chaves para não atrapalhar o desenvolvimento de sua comunidade e das pessoas que nela vivem. Poderiam se quisessem, mas será difícil, como mencionado, eles acreditam mesmo que estão certos.
* Cássio Betine é CEO da F7DIgitall Tecnologia & Negócios; fundador da IntecBirigui (Incubadora de base tecnológica); community leader da Startup Weekend e Walking Together; organizador dos meetups tecnológicos de Birigui; autor de títulos literários sobre tecnologia, economia e mercado; autor de artigos periódicos nacionais e internacionais; autor de podcasts diários sobre tecnologias, mercado e comportamento; membro titular do conselho municipal de Ciência de Ciência e Tecnologia de Birigui e do Conselho Municipal de Turismo também de Birigui. Formação acadêmica em desenho industrial, artes visuais e pós-graduado em Tecnologias na Aprendizagem.
*O texto é de responsabilidade do autor e não reflete a opinião do Hojemais Araçatuba.