Opinião

O poder da fotografia

"De que adianta ficarmos nos queixando em redes sociais? O que isso muda?"

Flávia Baxhix* - Hojemais Araçatuba
06/02/20 às 19h47

Nunca acreditei em melhorias repentinas ou ausentes de quaisquer renúncias. Em tempos de descrença e imobilidade, trago nesse primeiro artigo do ano o exemplo de alguns fotógrafos que usaram de suas ferramentas para incentivar alguma mudança no mundo.

Nina Simone disse em uma entrevista que “artista que não reflete seu tempo não é artista”, e se trocássemos a palavra artista por “gente”, talvez o conceito de responsabilidade ficasse mais claro a todos. De que adianta ficarmos nos queixando em redes sociais? O que isso muda? Scott MacLeay, artista multimidia traz a máxima: “a verdadeira evolução é revolução”! Qual é a revolução que você pode fazer?

Cito Claudia Andujar, em duas obras fotográficas, Yanomami e Marcados. Em poucas palavras, ela viveu com os Yanomami e, por meio de suas imagens, provou que aquele povo tinha sua cultura, sua fé, sua língua, e não precisava da interferência dos brancos. Defendeu a demarcação de território indígena, foi expulsa pelo regime ditatorial e, sem esmorecer, voltou com mais voluntários à região do Catrimani para vacinar os índios que estavam sendo dizimados pelas doenças que os brancos levaram.

Claudia, hoje com 88 anos, continua sua revolução!

Falo ainda de Nair Benedicto, presa na década de 70 por ser resistência ao regime. Ela nos diz que também, por meio do belo, podemos fazer uma revolução com sua série Mulheres do Sisal ou Tesão no Forró. Atualmente Nair, na lucidez dos seus 78 anos, desenvolve um trabalho fotográfico com a população menos favorecida do Centro de São Paulo, mostrando ao mundo que mesmo em condições tão desumanas, eles edificam um lar embaixo das caixas de papelão que encontram pela rua.

Trago à cena também Vincent Rosenblatt. Sempre que alguma manchete vincula a população ao tráfico ou outros crimes, ele projeta em prédios públicos do Rio de Janeiro, fotografias que exaltam a beleza do povo que frequenta os bailes na periferia e é colocado num “pacote de comportamento”. Caberia pensarmos em Paraisópolis aqui, não?

Eu ainda poderia citar tantos outros exemplos de artistas que abrem nossos olhos para a realidade que nos cerca, mas deixo vocês hoje com uma questão: o que você está fazendo para melhorar o mundo ao seu redor?

 

*Flávia Baxhix é artista multimídia e fotógrafa em Araçatuba

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