Muros altos, grades e portões trancados, salas de aula monocromáticas e fechadas, carteiras posicionadas em linha, regras severas de comportamento e obediência (é preciso pedir permissão para fazer necessidades fisiológicas), sirenes determinam horário de entrada, do lanche e de saída, as avaliações são comparativas e não qualitativas, a hierarquia é rígida. É um típico modelo industrial.
E todos sabemos que os processos industriais estão cada vez mais automatizados e robotizados, e a tendência é que isso cada vez mais aconteça. Portanto, fica evidente que aquele sistema educacional não terá muita funcionalidade. Novas empresas procuram por habilidades genuínas e não técnicas. Então, em que mercado de trabalho esses aprendizes se encaixarão?
Obviamente nosso sistema educacional não consegue acompanhar essa evolução/transformação, e isso não é nada bom. O conflito é evidente e a formação de profissionais pelo modelo antigo está roubando muito tempo e energia desse contingente. Pior ainda é que não há sequer um mínimo sinal de preocupação por parte do governo nesse sentido – da inovação do sistema. Não há proposta, muito menos propósito.
Hoje, o que se discute nos avançados estudos sobre aprendizado, é a utilização de métodos colaborativos e horizontalizados, onde o aluno é agente e formador de seu próprio conhecimento, utilizando todos recursos a sua volta, compartilhando ideias e propondo soluções.
Alguns modelos estão em curso e apresentam excelentes resultados. Há real envolvimento do jovem no processo de aprendizagem e seu desenvolvimento é significativo. E, nesses casos, a função dos educadores é de atuarem como tutores, facilitadores do desenvolvimento e não “donos” da verdade ou juízes de quem é melhor ou pior.
Do jeito que está a conta não fecha e não fechará. Essa incoerência pode e deve ser reajustada urgentemente, basta coragem e mente aberta de quem planeja o futuro de uma nação. Cidadãos dignos, boas ideias e soluções eficazes surgem da dúvida, da crítica e não da submissão, da obediência incondicional. Novos tempos.