O dia 19 de Julho começou com a notícia de outra polêmica envolvendo o atualpresidente do Brasil. Em conversa com o ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, Jair Bolsonaro (PSL), sem saber que estava sendo gravado, diz: “Dentre aqueles governadores de Paraíba, o pior é o do Maranhão. Não tem que ter nada com esse cara”.
Este artigo não pretende analisar as implicações políticas da declaração do presidente. Não vou me aprofundar na inconstitucionalidade da possível negligência do governo federal para com os estados do Nordeste por divergência ideológica (até porque, o próprio governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), já respondeu as questões políticas cabíveis).
O tópico abordado aqui é o preconceito. Aquele velado, muitas vezes recreativo, quando transformado em piada. O assunto desse texto é a xenofobia.
Por definição, xenofobia é a aversão, repulsa ou discriminação destinada a pessoas estrangeiras, mas a expressão também pode ser utilizada para fazer alusão a pessoas do mesmo país que são consideradas ”estranhas”. A xenofobia está intrinsecamente relacionada a questões históricas, sociais, econômicas, religiosas e culturais.
Ao se referir aos vários estados da região Nordeste como “Paraíba”, o presidente eleito ignorou as especificidades regionais e culturais de cada um, além de reforçar um estereótipo preconceituoso acerca da região.
O Nordeste é composto por nove estados com pluralidade de características e riqueza cultural, além de ser a principal região para destino turístico do Brasil.
Em suma, as características culturais distintas são resultados do conjunto de ideias, comportamento, símbolos e práticas específicas de cada sociedade. A frase do presidente está carregada de etnocentrismo e da ilusão de superioridade cultural do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde o presidente recebeu a maioria dos votos.
Fica evidente que Bolsonaro não é cortês ao lidar com opositores, como aconteceu em suas fugas aos debates durante o período eleitoral ou quando disse, do alto de um carro elétrico, durante campanha presidencial, que “vamos fuzilar a petrelhada toda aqui do Acre”, dando show gratuito de violência e autoritarismo com pitadas ditatoriais.
Todavia, as divergências ideológicas não o exime de exercer suas as funções. O mais importante aqui é lembrar que a tentativa de inferiorizar uma região, além de ser uma prática preconceituosa e discriminatória, também torna incontestável o desconhecimento daquele que se julga superior.
Respeite a diversidade. Respeite o Brasil. “Paraíbe-se!”.