O plano de vingança de Cleudson Garcia Montali contra o prefeito de Agudos, Altair Francisco Silva (PRB), o Altair da Saúde, por ter rompido o contrato com a Santa Casa de Pacaembu para gestão da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), teria começado com a concessão a ele do Título de Cidadão Agudense, segundo apontado pela Operação Raio X.
A horaria foi entregue a ele em 12 de julho de 2019, ou seja, um mês após o rompimento do contrato. A cerimônia foi divulgada em reportagem exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, no domingo seguinte aos mandados de prisão serem cumpridos durante a operação.
Na ocasião, chamou a atenção o fato de o vereador Valdemir Frederico (PTB), de Birigui, o Vadão da Farmácia, ter aparecido na reportagem.
O parlamentar de Birigui explicou ao Hojemais Araçatuba que foi mestre de cerimônia do evento, pois a apresentação seria feita pelo radialista Paulo Brito, também de Birigui, que não pode fazê-la por ter problemas de visão.
Força política
Para a investigação, a concessão do Título de Cidadão a Cleudson, apesar de ele mesmo ter declarado que é de Agudos e nasceu em Bauru somente por questão das condições do hospital, foi a forma de consolidar a força política dele.
Segundo o que foi apurado, a festa que aconteceu em uma instância da cidade teria custado R$ 160 mil.
Ainda de acordo com o que foi apurado, Régis Pauleti, que era o diretor administrativo da UPA de Agudos, é cunhado do vereador Glauco Luís Costa Ton, o Batata (MDB).
O parlamentar está entre os presos na Operação Raio X, acusado de ter recebido pelo menos R$ 50 mil em propina para votar pela cassação do prefeito e de ter pago outros vereadores para também votar pela cassação.
Ameaça a juiz
Como a Justiça reconduziu Altair da Saúde ao cargo após ele ter o mandato cassado duas vezes pela Câmara, a suposta Organização Criminosa, que seria liderada por Cleudson, teria passado a ameaçar o juiz autor das decisões que o reconduziram ao cargo.
O Hojemais Araçatuba apurou que dois boletins de ocorrência que foram registrados pelo magistrado em Bauru. O primeiro em 7 de janeiro deste ano, após ele receber correspondência com conteúdo calunioso e difamatório.
A carta foi postada em 18 de dezembro, tendo como remetente "Rui Barbosa" e endereço a agência do Banco do Brasil da cidade.
A correspondência datilografa em tom ameaçador, estava acompanhada de matéria publicada pela imprensa, relacionada ao afastamento do prefeito de Mineiros do Tietê, município também sob jurisdição da Justiça de Agudos.
Fake News
Doze dias antes de a Operação Raio X ser deflagrada, em 17 de setembro deste ano, o juiz registrou novo boletim de ocorrência, desta vez por calúnia e injúria.
A medida foi tomada após divulgação no Facebook e em grupos de conversas do WhastApp de moradores de Agudos, mensagens que estariam denegrindo o magistrado por meio de notícias falsas, as chamadas "fake news" .
Essas mensagens informavam que o juiz estaria "dando uma força lá em SP para segurar o processo de cassação do prefeito de Agudos”. Diante da publicação, houve vários comentários, inclusive de advogados da Comarca, denegrindo o Poder Judiciário de forma geral.
Comprado
Ao registrar essa ocorrência, o juiz reforçou que em janeiro havia feito outro boletim após receber correspondência na qual era acusado de ter recebido propina para decidir pela recondução do prefeito de Agudos ao cargo.
Segundo o que foi apurado pela reportagem, a investigação apontou que as mensagens difamatórias teriam sido publicadas por Luiz Francisco Costa Ton, que é irmão do vereador Batata. Ele também foi preso durante a Operação Raio X.
