Polícia

CPI recomenda que Cleudson e Dr. Lauro sejam investigados por possível crime de falso testemunho

Os dois estão presos no CR de Araçatuba e prestaram depoimento por videoconferência à CPI das Quarteirizações, que foi concluída

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
03/12/20 às 11h03
Cleudson prestou depoimento na CPI das Quarteirizações por videoconferência (Foto: Reprodução)

A CPI das Quarteirizações da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), que investiga possíveis irregularidades em contratos firmados pelo governo do Estado, recomendou que os médicos de Birigui, Cleudson Garcia Montali e Lauro Henrique Fusco Marinho, sejam investigados por possível crime de falso testemunho.

Os dois são réus em processo por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa que tramitam na Justiça em Birigui e Penápolis.

Eles foram presos durante a Operação Raio X, deflagrada em 29 de setembro pela Polícia Civil de Araçatuba, e prestaram depoimento aos parlamentares por meio de videoconferência, do CR (Centro de Ressocialização) de Araçatuba.

O relatório da CPI foi votado e aprovado na quarta-feira (2), com recomendação da comissão de que os depoimentos de ambos sejam juntados aos autos do processo e que seja encaminhada a íntegra das transcrições para se apurar a possível prática do crime de falso testemunho.

Mais que amizade

Com relação ao dr. Lauro, que foi ouvido no último dia 24, o relatório cita que ele não negou ter relação com Cleudson, mas alegou ter com ele apenas relação de antiga amizade.

Entretanto, segundo a CPI, as investigações e interceptações telefônicas revelaram uma relação entre os dois que envolvem negócios, sociedades e contratos, inclusive entre suas respectivas esposas.

Dr. Lauro afirmou em depoimento que relação dele com Cleudson é amizade médica (Foto: Reprodução)
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Cleudson

Cleudson é apontado pela investigação como líder do suposto esquema de desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de OSSs (Organizações Sociais de Saúde).

Conforme publicado pelo Hojemais Araçatuba, em depoimento à CPI ele confirmou ser o responsável pelos projetos apresentados pela Associação Santa Casa de Pacaembu e Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui para contratos de gestão com o poder público.

Porém, alegou que atuaria como consultor e negou que fosse dono das OSSs, sob argumento de que elas são irmandades e, sendo assim, é impossível que tenham dono.

Carapicuíba

Um dos contratos investigados pela CPI é o firmado pela Santa Casa de Pacaembu com o governo do Estado, para gestão do Hospital Geral de Carapicuíba, que tinha como diretor geral, Fernando Rodrigues de Carvalho.

Preso na operação Raio X, ele foi personagem em reportagem exibida pelo Fantástico, na Rede Globo, sobre a investigação, na qual apareceu ao lado de supostas garotas de programa em um American Bar que pertence a outra investigada, que tinha contrato com o Hospital de Carapicuíba.

A reportagem foi ao ar em 4 de outubro e no dia 13, parlamentares que integram a CPI das Quarteirizações visitaram o Hospital Geral de Carapicuíba. Eles foram recebidos pela diretora-técnica Maria Paula Loureiro de Oliveira Pereira, que estava acompanhada pelo advogado Pedro Leitão Magyar, que se apresentou como assessor jurídico da organização social, segundo o relatório da CPI.

Encontros frequentes

Consta no relatório, que Maria Paula afirmou aos deputados que Fernando era o único que mantinha contato com Cleudson, que era visto com frequência na unidade para reuniões.

“Esse relato põe em xeque a tese apresentada por Cleudson de que seu trabalho na OS se dava apenas como consultor, e restrito à fase inicial dos contratos de gestão de novas unidades assumidos pela Associação”, cita o relatório aprovado pela CPI.

Durante a oitiva, os parlamentares disseram a Cleudson que funcionário do Hospital de Carapicuíba teriam afirmado que ele frequentemente se reunia com o diretor na unidade. Apesar disso, ele negou:

“Não é verdade que eu ia sempre, mas eu ia, sim, porque em Carapicuíba era um projeto da OS. Como eu disse ao senhor, eu fazia consultoria, mas eu ia muito pouco lá, eu frequentava mais os projetos do Pará, mas não era com frequência não, eu acho que eu, em um ano e meio mais ou menos, eu devo ter ido umas 12 vezes lá”, declarou durante a oitiva.

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