A defesa do hacker araçatubense Patrick César da Silva Brito, 29 anos, preso preventivamente na última sexta-feira (23) em Belgrado, capital da Sérvia , país localizado no leste europeu, solicitou a um defensor local que desse início ao pedido de asilo político para ele.
Réu em processo referente aos crimes de invasão de dispositivo e extorsão contra o prefeito de Araçatuba (SP), Dilador Borges (PSDB) e a primeira-dama, Deomerce Damasceno, ele era considerado foragido havia vários meses.
Patrick foi encontrado pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), após cerca de 20 dias de busca em locais apontados pelo Setor de Inteligência da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba, onde ele poderia estar.
A Polícia Civil de Araçatuba já iniciou os trâmites para que ele seja extraditado e também pedirá à polícia sérvia compartilhe o conteúdo encontrado no celular e em outros dispositivos apreendidos com ele para serem usados em outro inquérito que tramita na DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais), por ameaça a policiais civis.
A polícia também tentará identificar possíveis comparsas nos crimes de invasão de dispositivo e extorsão, que continuariam sendo praticados pelo réu, contrariando medidas judiciais que proibiam o contato dele com o mundo virtual, segundo a polícia. Esses crimes estariam sendo praticados contra cidadãos brasileiros e sérvios, por isso ele também estaria sendo investigado naquele país.
Asilo
Patrick tem a defesa feita pelos advogados Flávio Batistella e Daniel Madeira, que possuem escritório em Araçatuba. Eles informaram que ao tomarem conhecimento da prisão ainda na sexta-feira, entraram em contato com a Embaixada do Brasil em Belgrado, solicitando que acompanhassem a situação.
Os advogados também oficializaram pedido para que um Defensor Público local acompanhasse todo o procedimento e desse início ao pedido de asilo político, que impediria que o hacker fosse enviado para o Brasil.
Risco
Segundo o que foi informado ao Hojemais Araçatuba , o pedido de asilo atende solicitação do próprio Patrick, que ao ser detido alegou à polícia Sérvia em depoimento que corre risco de morte se ficar preso no Brasil, por ter denunciado autoridades locais em processos que correm em segredo de Justiça.
“Ainda na sexta-feira, o Defensor Público sérvio que foi designado para a defesa de Patrick entrou em contato com a defesa e informou que ele estava sendo bem tratado e não sofreu qualquer risco à sua integridade e que o pedido de asilo político já estava sendo encaminhado”, informa nota divulgada pelos advogados.
Ainda de acordo com o que foi divulgado, o defensor público que acompanha o caso naquele país fez novo contato como o escritório em Araçatuba nesta terça-feira (27), comunicando que o pedido de asilo foi feito e aguarda julgamento. O prazo seria de 48 horas e teria iniciado ontem.
Quanto ao mérito da investigação, a defesa informa que em momento oportuno e perante autoridade competente será apresentada a versão de Patrick.
Investigação
No inquérito que investiga as supostas ameaças contra policiais civis, foi identificado um agente policial que teria um possível envolvimento com o hacker que agora está preso. Esse policial teria colaborado com Patrick, compartilhando informações.
Segundo o que foi apurado pela reportagem, ele foi afastado das funções e o caso está sendo apurado pela Corregedoria da Polícia Civil. A investigação é sigilosa e apura possíveis crimes de violação de segredo de Justiça e extorsão.
