Polícia

Dr. Lauro nega acusações da Operação Raio X e se diz indignado com prisão

Preso no CR de Araçatuba, o médico de Birigui é apontado como braço direito do anestesista Cleudson em suposto esquema de desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de OSSs

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
25/11/20 às 13h27
Dr. Lauro prestou depoimento na CPI das Quarteirizações nesta terça-feira (Foto: Reprodução)

Indignado. Essa foi a palavra usada pelo médico Lauro Henrique Fusco Marinho, o Dr. Lauro, de Birigui (SP), para falar sobre o que pensa da prisão dele durante a Operação Raio X, acusado de integrar organização criminosa especializada no desvio de dinheiro público da área da Saúde.

Ele foi preso em 29 de setembro pela Polícia Civil de Araçatuba e ficou famoso ao aparecer como um dos personagens principais em reportagem exibida pelo Fantástico no domingo seguinte sobre a investigação.

Dr. Lauro responde a processo na Justiça de Birigui, onde foi denunciado por lavagem de dinheiro, organização criminosa e 212 vezes por peculato, de forma continuada. A reportagem apurou que segundo a denúncia, ele atuaria ao lado do também médico Cleudson Garcia Montali, apontado como líder da suposta organização criminosa.

Consta ainda que a esposa dele, junto com a mulher de Cleudson, teriam constituído uma empresa para desviar de dinheiro público destinado à Saúde. Oficialmente Dr. Lauro possui duas empresas, uma individual com o nome dele e outra de medicina do trabalho, as quais também seriam utilizadas para desvio de dinheiro público.

Outra acusação é de que o médico utilizaria três empresas em nome do advogado Júlio César Arruda Rodrigues, que está foragido, e que seria um “laranja”, dele para desviar dinheiro por meio dessas empresas.

Por fim, a investigação afirma que Dr. Lauro atuou na celebração de contratos fraudulentos milionários, inclusive no Estado do Pará, e seria chamado de “professor” por alguns integrantes da organização. Juntos, ele e Cleudson teriam comprado um avião para ocultar e dissimular a natureza dos valores provenientes dos desvios de verbas públicas da Saúde.

Depoimento

Um mês após a prisão, ele foi transferido para o CR (Centro de Ressocialização) de Araçatuba, de onde prestou depoimento na terça-feira (24) à CPI das Quarteirizações, instaurada pela Alesp (Assemblei Legislativa de São Paulo).

Ele foi ouvido exatamente 20 dias após Cleudson prestar depoimento na mesma CPI e admitir que era o responsável pela elaboração dos projetos apresentados pelas OSSs Santa Casa de Misericórdia de Birigui e Associação da Santa Casa de Pacaembu.

Essa última mantinha seis contratos de gestão de serviços com o governo do Estado, por isso, eles foram convocados para prestar depoimento.

 

Surpreso

A apresentação feita por Dr. Lauro no início do depoimento já causou espanto nos deputados, pois ele alegou que só havia sido informado que falaria à CPI uma hora antes de ser ouvido. O médico disse que possui advogado e somente depois de preso que teve acesso ao conteúdo das investigações. Disse ainda que recentemente apresentou a defesa prévia, se declarando inocente de todas as acusações.

Sobre a relação dele com Cleudson, alegou que é amigo de profissão, pois há 20 anos é coordenador no Pronto-Socorro de Birigui e Cleudson fazia parte da diretoria da Unimed de Birigui.

De acordo com ele, apesar de manterem apenas essa relação profissional, cerca de seis anos atrás Cleudson ofereceu a ele uma casa que estava reformando e que precisou vender porque estava se separando. Essa seria a casa que ele mora atualmente, na qual existe a adega que foi exibida no Fantástico.

Ainda segundo Dr. Lauro, foi nessa ocasião que ele conheceu a atual esposa de Cleudson, Daniela Araújo Garcia, que também é investigada e chegou a ser presa, mas está em prisão domiciliar.

Laranja

Dr. Lauro confirmou que possui apenas duas empresas, sendo que é por meio de uma delas que ele é contratado pela OSS Santa Casa de Birigui para prestar serviços no pronto-socorro da cidade. Disse ainda que iniciou a parceria com a Prefeitura de Birigui no início dos anos 2000, por meio de processo de licitação, com a empresa Gemebi Gestão Médica de Birigui Ltda.

O médico se gabou alegando que em 20 anos, apesar de terem passado quatro prefeitos pela cidade, nunca houve nenhum apontamento com relação aos serviços prestados. O único apontamento, de acordo com ele, foi feito cerca de 1 ano e meio atrás.

Segundo o que disse em depoimento, o TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado) questionou o fato de ele ser coordenador do pronto-socorro de Birigui pela empresa contratada e ao mesmo tempo médico plantonista contratado por essa mesma empresa.

Ainda de acordo com o médico, assim que foi informado do apontamento ele deixou prestar plantões, ficando apenas como coordenador no PS.

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2006

O depoimento prestado por Dr. Lauro contraria matéria publicada pelo Hojemais Araçatuba em 7 de outubro, referente a denúncia feita em 2006 pelo então vereador de Birigui Fermino Grosso, em plenário. Na ocasião, o parlamentar disse que o médico mantinha negócios com a Prefeitura, por meio da Gemebi, apesar de ser funcionário concursado pelo município na época, contrariando a legislação municipal.

Ainda de acordo com a denúncia, o hospital estava sob intervenção da administração municipal desde 1993 e a Gemebi prestava de serviços médicos no PS. Dr. Lauro recebia salário R$ 1.404,00 da Prefeitura como servidor e a empresa dele tinha contrato de R$ 80 mil mensais para oferecer dois médicos, atendendo por 24 horas.

Ele havia assumido a chefia do pronto-socorro em novembro de 2002 e o contrato com a Gemebi entrou em vigor em fevereiro de 2003. Os pagamentos feitos à empresa dele era apenas para oferecer os médicos, pois a Santa Casa era responsável pela estrutura física, equipamentos, medicamentos, os materiais necessários e demais funcionários.

A reportagem apurou que após o caso chegar ao Ministério Público, o médico pediu demissão do serviço público e manteve o contrato da empresa com o município até 2016.

Dr. Lauro nega notas frias e diz não saber o valor dos contratos da empresa dele com a Santa Casa de Birigui

Dr. Lauro foi ouvido por deputados na CPI das Quarteirizações (Foto: Reprodução)

O médico Lauro Henrique Fusco Marinho negou ter emitido notas frias à OSS (Organização Social de Saúde) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui, que é alvo da Operação Raio X, investigada por suposta fraude de desvio de dinheiro público da área da Saúde.

Em depoimento à CPI das Quarteirizações na terça-feira (24), ele disse que no início dos anos 2000 venceu licitação e assinou contrato de gerenciamento do pronto-socorro com a empresa Gemebi Gestão Médica de Birigui.

Em 2016 ele teve que alterar, pois o município lançou um chamamento público para contratação de OSS e assinou contrato emergencial com o IDS (Instituto de Desenvolvimento Social), para gerir o pronto-socorro municipal.

A empresa pessoal dele continuou prestando o serviço, agora contratada de forma terceirizada pelo instituto, que rescindiu o contrato em 2019, alegando atraso de aproximadamente R$ 7 milhões nos repasses por parte da Prefeitura.

Quem substituiu o IDS foi justamente a Santa Casa de Misericórdia de Birigui, que manteve o contrato com a empresa dele. O Hojemais Araçatuba já publicou matéria informando que a investigação apurou que na verdade, o IDS e a Irmandade da Santa Casa de Birigui seriam a mesma instituição, apenas com nomes diferentes.

O procurador do IDS, Nilton Pereira de Souza, também foi preso na Operação Raio X e denunciado 269 vezes por peculato. A Justiça já acatou a denúncia contra ele, que também responde criminalmente por integrar organização criminosa.

Valores

Questionado sobre o valor dos contratos dele com a OSS investigada, Dr. Lauro disse que não sabe, mas que está tudo na declaração do imposto de renda dele.

De acordo com ele, a investigação aponta que a empresa dele emitiu três notas fiscais frias no valor de R$ 445 mil cada, que na versão dele, são referentes a repasses recebidos da Prefeitura de Birigui para pagamento dos médicos plantonistas, no período de transição para o contrato emergencial.

Disse ainda que esses repasses teriam sido feitos até o chamamento público para a contratação da OSS ter ficado pronto. “Nunca prestei serviço frio”, declarou.

O médico alegou que os valores pagos à empresa dele pela prestação dos serviços são os mesmos desde antes do IDS ter assumido a gestão do pronto-socorro, o que o deixa ainda mais indignado de estar preso, pois não teria ocorrido nenhuma irregularidade.

Chefe

Questionado pelos parlamentares se Cleudson realmente era conhecido como “chefe” pelos demais investigados, ou dono das OSSs, Dr. Lauro argumentou que não tem como o médico ser dono de uma Irmandade.

Falou ainda que Birigui é uma cidade muito pequena, onde as pessoas dizem muitas coisas. “A gente ouve tanta coisa que é ruim eu falar”, declarou.

Pará

Sobre o período em que esteve no Pará, Dr. Lauro disse que foi chamado exclusivamente para atuar como médico, coordenando equipe para atuar em um Hospital de Campanha com 180 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e 400 de enfermaria. Ele negou ter feito contratos milionários no Estado.

“O delegado fala que eu fui celebrar contrato milionário. Eu não fui fazer nenhum contrato de venda de material, apenas a trabalho lá. Tanto é que já acabou, já fechou, todos foram embora”, declarou.

Ainda de acordo com ele, foi Cleudson que o convocou, pois não havia mais médicos querendo trabalhar naquele Estado. Porém, afirmou que depois disso, nunca mais o viu no Pará e que o contato dele era com Regis Soares Pauleti, que era o procurador da OSS Pacaembu, que reside em Agudos e também está preso.

Não sabia

Dr. Lauro disse ainda que foi com outros quatro profissionais médicos trabalhar no Pará e se hospedaram em um flat. Contou ainda que foi pela Santa Casa de Misericórdia de Birigui e, só chegando lá, é que soube que o contrato era com a Santa Casa de Pacaembu.

Segundo o médico, a situação no Estado era tão complicada que um dos quatro profissionais da equipe desistiu no segundo dia. Como coordenador, ele foi o responsável por implantar um protocolo de atendimento dos pacientes com coronavírus no Pará, pois como não havia esse protocolo, ele chegou a assinar 200 óbitos por dia.

Contou que no período esteve três vezes no Pará, sendo que na última viagem ficou 24 dias. Argumentou que foi homenageado pelo governo do Estado, com um certificado assinado pelo governador, parabenizando pelo enfrentamento pela covid-19, porque o pessoal médico do Pará não quer mais trabalhar com isso.

Adega na casa do Dr. Lauro foi destaque no Fantástico, em reportagem sobre a Operação Raio X (Foto: Reprodução)

Médico contesta avaliação de adega exibida no Fantástico

O médico Lauro Henrique Marinho Fusco contestou que a adega dele, exibida em reportagem no Fantástico sobre a Operação Raio X, esteja avaliada em R$ 1 milhão, como divulgado. De acordo com ele, perícia concluída recentemente apontou que ela não vale nem um quarto do valor informado na reportagem.

Ele alegou que possui a reserva de vinhos há cerca de cinco anos e na época foi avaliada em cerca de R$ 300 mil, mas que hoje não teria nem R$ 170 mil em vinhos no local. Contou inclusive que pediu a Luciano Colicchio Fernandes, que está preso e responde processo na Justiça de Birigui por organização criminosa, que comprasse dez garrafas de vinho para ele, durante viagem que fez a Paris.

Luciano é apontado na denúncia como proprietário da empresa “ JN Agricultura, Mineração, Comércio e Distribuição de Alimentos e Medicamentos Ltda”, que possui contratos com as OSS investigadas e seria utilizada para desvios de dinheiro público por meio de contratos superfaturados.

Foram encontrados indícios de que ele, intermédio da empresa, atuaria emprestando o nome para lavagens de dinheiro praticadas pela organização criminosa, inclusive adquirindo veículos registrados em nome da JN.

Um dos parlamentares o questionou qual era a relação dele com Luciano, que em depoimento teria relatado que fazia encontros frequentes com Dr. Lauro no aeroporto de Bacacheri, em Curitiba (PR), e que seria dono de um avião. Também teria relatado que ele o teria apresentado para Cleudson e, depois disso, passado a atuar como fornecedor de materiais médicos, inclusive assinando um contrato de R$ 35 milhões.

Amizade

Dr. Lauro negou todas as acusações, afirmando que nunca pousou nesse aeroporto, nem participou de reunião alguma com Luciano. Contou que os dois se tornaram amigos porque o pai de Luciano teria desenvolvido a doença conhecida como "ELA", e que ele teria intermediado um tratamento na Unimed em Birigui. "Nunca tive negócio com o Luciano, nunca tive nada", afirmou.

Disse ainda que apresentou Luciano a Cleudson quatro ou cinco anos atrás, devido ao tratamento para o pai dele, reafirmando não ter conhecimento de contratos assinados por empresas de Luciano com as OSSs investigadas.

Neimar

O médico disse em depoimento que conheceu Luciano era representante comercial de uma multinacional e havia ganhado um concurso para tirar fotos com o jogador Neimar, em Paris, isso em 2017. Alegou que foi nessa situação que ele pediu ao investigado que trouxesse as garrafas de vinho desse fornecedor, que seria um brasileiro residente na França e que só faria entrega na cidade.

Por isso, ele encontrou no advogado a oportunidade de receber a mercadoria, que que lhe foi entregue. Ele fez a compra e pediu que entregassem no hotel onde Luciano estava hospedado por quatro dias. “Foi um favor que ele fez pra mim, trazer essas dez garrafas de vinho, porque lá é mais barato”, alegou.

Avaliação

O Hojemais Araçatuba apurou que somente em bebidas, a adega do Dr. Lauro foi avaliada em quase R$ 400 mil, sem contar o valor gasto para refrigeração e o espaço em si.

Médico diz que não tem coragem de sair na rua e não trabalhará mais para serviço público

Dr. Lauro alega que virou "meme" no WhatsApp após reportagem e não tem coragem de sair na rua (Foto: Reprodução)

O médico Lauro Henrique Fusco Marinho disse que diante de toda exposição que houve da imagem dele no Fantástico, virou meme no WhatsApp 24 horas e que a esposa dele vive chorando.

Ele relatou aos deputados em depoimento na CPI das Quarteirizações que estaria em prisão domiciliar, mas continua no CR e não tem coragem de sair na rua. “Eu não tenho cabeça. E também, tem segredo de Justiça, e colocar em Fantástico?”, questionou.

O Hojemais Araçatuba publicou matéria em outubro, sobre pedido do Dr. Lauro para que fosse concedido a ele o benefício da prisão domiciliar, mas que havia sido negado. O argumento foi de que ele estava entre os pacientes de risco por ter se submetido a cirurgia bariátrica, ter excesso de peso e ser hipertenso.

A defesa também alegou que o médico tem formação em nível superior e teria direito a prisão especial ou domiciliar. Ao negar o pedido, a Justiça considerou que o médico era mantido em cela separada dos demais, por ter diploma de nível superior, o que é um tratamento diferenciado.

Também considerou que as comorbidades que ele possui podem ser tratadas com medicamentos na unidade prisional e que ele não corre risco de infecção pela covid-19, já que todas as medidas de prevenção são tomadas pela unidade prisional.

Viagens

Dr. Lauro alegou em depoimento que o patrimônio dele é compatível com a renda que possuía, que variava de R$ 50 mil a R$ 100 mil mensais, de acordo com a quantidade de plantões prestados. Falou que tem apenas a casa que mora, que é financiada com 40 anos para pagar; que tem dois carros que foram apreendidos; e que fez cinco seguros de vida quando foi para o Pará, para dar uma segurança à família.

O médico também apareceu no Fantástico hospedado em um hotel de luxo no México e alegou que um dos lazeres dele era viajar uma vez por ano, mas que pela reportagem, ficou a impressão de que fazia festa todo dia. “O que estão fazendo comigo. Olha minha imagem no Fantástico?”, questionou.

Ainda de acordo com ele, 90% das viagens internacionais que fez foram pagas com milhas aéreas, obtidas por meio de compras no cartão de crédito.

Sobre a casa de prostituição também apresentada no Fantástico, afirmou que não tinha conhecimento sobre o contrato da Santa Casa de Pacaembu com a dona desse American Bar, que foi relacionado ao administrador do Hospital Geral de Carapicuíba, que também está preso.

Ele afirmou que nunca esteve em Carapicuíba ou em Osasco, onde há unidades gerenciadas pela Pacaembu, OSS com a qual alegou não ter nenhuma relação. Até por isso, não sabe o que motivou a denúncia contra ele e não entende porque está preso, "se a única coisa que fez foi trabalhar".

Vai abandonar

Dr. Lauro revelou que nunca mais trabalhará no sistema público e quem vai perder com isso tudo será o povo. “Por isso que ninguém mais quer saber desses trabalhos. Eu gosto de ajudar as pessoas, nunca fui candidato a nada, não sou filiado a partido político nenhum”, alegou.

Disse ainda acreditar não haver interesse político na acusação contra ele e os demais réus, que nunca teve filiação política e que os contatos que tinha com Cleudson, quando estava em liberdade, eram para tratar exclusivamente sobre pacientes e que nunca recebeu pedido para devolver dinheiro referente aos contratos.

Depois de preso, ele contou que esteve contato por cinco dias com Cleudson no CR, mas em nenhum momento falaram sobre contratos e política.

Parceria

Apesar de alegar que não tinha relação nenhuma com Cleudson, a não ser a amizade como médico, confirmou que foi sócio dele em um avião, cada um com 12,5% de participação na aeronave. Disse que essa aeronave foi vendida há pouco mais de dois anos por 700 mil dólares, cotado R$ 3,80 na época, o que corresponderia a R$2,660 milhões.

Falou ainda que a esposa dele tem uma empresa de prestação de serviço médico, mas nunca prestou serviço para as OSSs investigadas na Raio X. De acordo com ela, essa empresa presta serviços ao AME (Ambulatório Médico de Especialidades) há oito anos, por meio da OSS Santa Casa de Andradina.

Questionado sobre o motivo do mandado de busca em nome da esposa dele, relatou que ela e a esposa de Cleudson, ambas enfermeiras, abriram uma empresa de home care em sociedade, mas ela não teria ficado nem quatro meses na sociedade, período em que não recebeu nenhum pró labore.

Terapia

O médico disse que a enteada dele, de 14 anos, faz terapia porque durante o cumprimento do mandado de busca na casa dele, os policiais teriam apontado uma arma para ela, querendo saber onde estava o cofre com o dinheiro.

“Faz dois meses, mas eu estou numa revolta com o que fizeram dentro da minha casa. Porque eu já fui assaltado dentro dessa minha casa e agora a própria polícia fez isso. O policial começou a rir na minha cara querendo saber onde estava o dinheiro”, afirmando que não tinha dinheiro nenhum.

Ele alegou que em momento algum foi intimado para depor na delegacia durante a investigação. Ele comentou que trabalhou três anos no CR quando iniciou a vida profissional na região, onde agora está preso. “Imagine; no lugar que eu fui médico há três anos agora estou preso”, argumentou.

Questionado se foi proposto a ele um acordo de delação premiada, argumentou que se isso acontecer, não terá o que falar, pois ele não sabe de nada. “Por isso que vem essa raiva minha, de acusações sem fundamento”, disse.

Experiência

O médico reforçou que apenas trabalhou como prestador de serviço, o que já fazia antes mesmo de surgirem as OSs e as Oscips (Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público). Para ele, não há como o poder público contratar médicos se não for por esse modelo de terceirizações, pois não consegue profissionais interessados devido aos valores oferecidos.

Ele questionou a forma de fiscalização dos contratos, argumentando que o contrato com Birigui, por exemplo, é comparado com o de Penápolis, onde a Santa Casa de Birigui também gerenciou o pronto-socorro, mas que tem população inferior. O médico citou que a cidade entre 30 mil e 40 mil habitantes, enquanto na verdade, tem 67 mil.

Alegou ainda que médico não tem plano de carreira, precisa de um rendimento compatível e que ele não pode contribuir com a CPI no sentido de citar formas de melhoria na contratação das OSSs ou classificação dessas entidades, justamente por ser apenas um prestador de serviços.

Médico não é santo

Dr. Lauro comentou ainda que os médicos não são "santinhos" e é preciso ficar de olho para que ele trabalhe, pois atende de acordo com o humor. Que o ideal para um pronto-socorro, na visão dele, seria manter pelo menos cinco médicos por plantão de 24 horas.

Segundo o réu, Birigui tem três médicos para média de 500 atendimentos por dia, o que considera insuficiente, pois seria necessário pelo menos o dobro disso para um atendimento 24 horas.

E relatou que a responsabilidade nesse tipo de serviço é muito grande para o profissional, pois além do risco de agressão, o médico plantonista acaba sendo responsável por pacientes graves que ficam na unidade aguardando vaga para transferência.

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