Polícia

Esposa de Cleudson alega estar sem celular para não falar em CPI

Os 4 advogados dela comunicaram a Alesp que a ré em processo por peculato está impossibilitada de contato por videoconferência, por ter tido todos os aparelhos eletrônicos apreendidos na Operação Raio X

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
29/11/20 às 14h50
Deputados riem ao comentar que Daniela tem 4 advogados, mas estaria sem celular para prestar depoimento por videoconferência (Foto: Reprodução)

Causou estranheza nos parlamentares, a justificativa dada pela enfermeira Daniela Araújo Garcia, esposa do médico Cleudson Garcia Montali, para não prestar depoimento à CPI das Quarteirizações na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). A oitiva dela estava marcada para terça-feira (24) e seria por videoconferência.

Entretanto, na véspera da data, os advogados da ré em processo na Justiça de Birigui, argumentaram que ela teve todos os aparelhos de comunicação apreendidos pela polícia durante a Operação Raio X, durante cumprimento ao mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça.

A operação foi realizada há quase dois meses, em 29 de setembro, quando Daniela foi presa temporariamente, mas depois teve o direito à prisão domiciliar. Ela foi denunciada 12 vezes por peculato em processo que tramita na Justiça de Birigui e por organização criminosa e lavagem de dinheiro em processo na Justiça de Penápolis.

Quatro advogados

A informação sobre a suspensão da oitiva de Daniela foi comunicada pelos deputados ao término do depoimento do médico Lauro Henrique Fusco Marinho, ocorrido no mesmo dia.

Em ofício encaminhado à CPI, os quatro advogados da ré pediram à CPI, o acesso aos autos do procedimento. Eles disseram que Daniela estava à disposição, contudo “impossibilitada de comparecer na audiência por meio virtual, uma vez que teve seus aparelhos eletrônicos apreendidos na Operação Raio X”. O ofício encaminhado à Alesp é assinado pelos quatro advogados, com endereço de Curitiba (PR).

Ao prestar depoimento, no dia 4 deste mês, Cleudson disse aos parlamentares que estava sem advogado. Ele alegou que por ter tido os bens apreendidos e as contas bloqueados, estaria sem condições de pagar por um profissional. Por isso, tinha um “amigo” prestando esses serviços para ele temporariamente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A deputada Janaina Paschoal argumentou que os próprios advogados poderiam ceder os celulares para a ré ser ouvida (Foto: Reprodução)

Teria pedido para ser ouvida

Durante a sessão, foi informado pelos parlamentares que a iniciativa de prestar depoimento teria partido da própria Daniela, que teria pedido para ser ouvida. “Nós ficamos numa situação de não deixar de dar espaço pra essa senhora poder falar”, informou a deputada Janaina Paschoal (PSL).

Ela argumentou ainda, que os próprios advogados poderiam ceder os celulares deles para que a ré pudesse ser ouvida. “Eu recebo essa petição, na verdade, como um indicativo de que ou a senhora desistiu de falar ou os advogados aconselharam a senhora a não falar, o que é uma prerrogativa da profissão”, comentou.

Surpresa

O deputado José Américo (PT), autor do requerimento para a oitiva da esposa de Cleudson, confirmou que houve o pedido por parte dela para ser ouvida e se surpreendeu ao ser informado que não prestaria depoimento.

"Eu fiquei surpreso, porque ela não só não se dispôs a falar, como apesar de ter quatro advogados, ela não tem um celular para vincular ao nosso Zoom (aplicativo para videoconferências)”, disse o deputado aos risos.

Ele acrescentou que um celular deve custar 200 vezes menos do que o valor pago por ela aos advogados, reforçando que são quatro profissionais fazendo a defesa dela.

Devido ao prazo para conclusão da CPI, os parlamentares não farão nova convocação para ouvir a enfermeira.

Restrições

Apesar de estar em liberdade, Daniela está proibida de manter contato com pessoas investigadas neste processo; de ausentar-se do seu domicílio por mais de sete dias sem prévia cientificação ao juízo; e de exercer função pública e de contratar com o Poder Público como forma de evitar a continuidade dos supostos crimes.

Investigação

A reportagem apurou que de acordo com a investigação, Daniela estaria diretamente ligada os supostos crimes investigados pela Operação Raio X.

Ela é proprietária da Clínica Gestão de Saúde Birigui Ltda, que tem contrato com a OSS (Organização Social de Saúde) Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Birigui. Cleudson teria figurado como coproprietário da empresa, mas o nome dele foi excluído do contrato social na Junta Comercial.

Foi constatado que a empresa tinha apenas três empregados registrados, entre eles, Márcio Toshiharu Tizura, que foi preso junto com Cleudson em um hotel na beira da rodovia Marechal Rondon (SP-300), no município de Pardinho, durante a operação.

Atuação

A investigação aponta que clínica atuaria com regulação médica para a Santa Casa de Birigui e teria contratado Cleudson e o primo dele, o médico Cleuer Jacob Moretto, de Penápolis, que também está preso, como médicos plantonistas a distância.

A empresa prestou serviços no pronto-socorro de Penápolis durante gestão da OSS investigada e, na ocasião, o TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado) questionou tal contratação e o valor cobrado, por indícios de superfaturamento.

Há ainda apontamentos de que a mesma empresa recebia valores sem prestar serviços, como em Ribeirão Pires. A reportagem não conseguiu contato com a Clínica Gestão de Saúde Birigui Ltda.

Ônibus itinerante em nome da clínica da esposa de Cleudson segue apreendido

Veículo era alvo de mandado de busca durante a Operação Raio X e foi encontrado dias depois em uma chácara em Brejo Alegre (Foto: Hojemais Araçatuba)

Continua apreendido por determinação da Justiça, um ônibus com equipamentos para atendimento itinerante da Saúde da Mulher, recolhido após ser encontrado em uma chácara em Brejo Alegre (SP). O veículo está registrado em nome da clínica que seria de Daniela Araújo Garcia, esposa do médico Cleudson Garcia Montali.

Na mesma propriedade a polícia encontrou uma carreta com equipamentos médicos para atendimento itinerante de saúde. Os veículos eram alvos de mandado judicial de busca e apreensão durante a Operação Raio X, deflagrada em 29 de setembro, mas não foram encontrados na ocisão.

A polícia apurou que ele estaria no sítio do ex-vereador de Birigui Osvaldo Ramiro, mas ele não foi localizado na ocasião, quando o investigado foi preso temporariamente.

O responsável pela chácara onde os veículos estavam teria dito à polícia que Ramiro havia deixado os veículos no local três dias antes da operação.

Segundo o que foi apurado pelo Hojemais Araçatuba , o ônibus e a carreta foram avaliados em R$ 350 mil. Ainda não foi concluída a avaliação dos equipamentos instalados nos dois veículos.

Ônibus está possui equipamentos para exames de mamografia (Foto: Divulgação)

Equipamentos

Entre os equipamentos que havia no ônibus está uma impressora Sharp Drystar 5503, de alta resolução, para impressão de filmes de mamografia e dois aparelhos de ultrassom.

O veículo está equipado com ar-condicionado, computadores, mesas, cadeiras e tinha vários produtos para relevação de filmes, o que indica que estava em condições de ser usado.

LEIA TAMBÉM
 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM POLÍCIA
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Empresa Jornalística e Editora LTDA
32.184.870-0001/54
Editor responsável:
Aline Galcino - MTB: 43087/SP
aline.galcino@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2021 - Grupo Agitta de Comunicação.