O professor Devanir Ramos Fernandes, 57 anos, que foi padre em Araçatuba (SP), foi preso na tarde de segunda-feira (14). Ele é investigado por suspeita de pedofilia, crime pelo qual já foi processado e absolvido pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) por falta de provas.
O inquérito que apura a denúncia contra ele foi instaurado pela Polícia Civil de Bilac, cidade na qual reside atualmente. A investigação é conduzida pelo delegado Alessander Lopes Dias, que representou pela prisão temporária por 30 dias, com base nas provas já obtidas.
Apesar de não serem divulgados detalhes da investigação, para preservar as vítimas, a reportagem apurou que há denúncia de que o investigado estaria aliciando adolescentes, inclusive oferecendo presentes a eles. Um mandado de busca expedido pela Justiça foi cumprido no início do mês na casa dele, quando foi apreendido um notebook e um celular.
Como sequência das investigações foi representada pela prisão temporária, que também foi concedida pela Vara Única do Fórum de Bilac e cumprido no final da tarde de ontem. Fernandes foi encontrado na casa dele, não resistiu à prisão e foi encaminhado à cadeia de Penápolis. O advogado dele foi comunicado da prisão e o ex-padre deve permanecer à disposição da Justiça para a conclusão do inquérito.
Defesa
A reportagem procurou o escritório Carneiro e Correia, Advogados Associados, que representa Devanir. Os advogados Anderson Correia e Breno Alexandre da Silva Carneiro informaram que o caso será apurado durante a instrução processual e que o cliente deles neste momento manifesta o direito de permanecer em silêncio, manifestando apenas perante o juiz.
Processado
Devanir era padre na paróquia Bom Jesus da Lapa, em Araçatuba, quando foi preso em 2011 acusado de se relacionar pela internet com um adolescente de 13 anos. A investigação foi conduzida pela Polícia Civil de Limeira e ele se apresentou à polícia após ser expedido o mandado de prisão.
Nesse caso, a mãe da vítima fez a denúncia e a polícia apreendeu dois computadores usados pelo então padre para perícia. Segundo o que foi divulgado pela imprensa na época, Devanir teria admitido ter conhecido o adolescente por meio de um site de relacionamentos.
Ele teria relatado à polícia que chegou a ver o adolescente nu pela webcam e enviado R$ 80,00 para que o menino do visitasse, em Araçatuba, mas o encontro nunca aconteceu.
Absolvido
Segundo a publicação, ele foi absolvido em julgamento realizado pela 13ª Câmara de Direito Criminal do tribunal, em novembro de 2015, por insuficiência de provas.
Em março de 2016, o ex-religioso concedeu entrevista à imprensa e revelou que não voltaria ao sacerdócio para se dedicar à educação. Na época, Devanir já residia em Bilac e informou que ministrava palestras pelo Brasil sobre educação a professores e educadores.