A Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva do homem de 39 anos, morador no bairro Concórdia 2, em Araçatuba (SP), que foi preso temporariamente no dia 3 deste mês, durante a Operação Nereu.
A investigação é coordenada pela Delegacia do Idoso de São Paulo, que apura crimes de estelionato praticados principalmente vítimas idosas.
O investigado é acusado de usar documentos de terceiros, principalmente de idosos, para abrir contas bancárias em nome dessas pessoas e sacar o limite dessas contas. O prejuízo estimado por apenas um banco que apontou a irregularidade é de aproximadamente R$ 500 mil.
As pessoas que tiveram as contas usadas indevidamente não tiveram prejuízo, de acordo com a polícia, que apura se outros bancos também foram vítimas do golpe.
O investigado foi preso inicialmente por 5 dias, prazo que foi prorrogado no final da semana passada, por mais 5 dias. Com a decretação da preventiva, ele permancerá na cadeia por tempo indeterminado.
Negou
Segundo o responsável pela Delegacia do Idoso de São Paulo, delegado Fábio Daré, o investigado negou todas as acusações.
Entretanto, a prisão preventiva foi decretada devido aos “fortíssimos” indícios de autoria dos crimes e também pelo risco de fuga e de coação testemunhas por parte do autor.
O Hojemais Araçatuba apurou que o investigado responde a processo de estelionato, referente a golpe aplicado em uma loja virtual de produtos de informática, ocorrido em 2011. O prejuízo dessa empresa, com sede em Jundiaí, foi calculado em R$ 130 mil, na época.
Ele já foi denunciado pelo Ministério Público, mas o processo está suspenso porque até então a Justiça não conseguiu localizá-lo para citá-lo dessa denúncia.
Ao tomar conhecimento da prisão, na semana passada, o MP requereu à Justiça ser informado sobre o local onde o denunciado está, para que o processo seja retomado. O pedido foi já atendido.
Prisão
O acusado foi preso na casa dele, por equipe do GOE/Deic (Grupo de Operações Especiais da Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba, que apoiou policiais da EIE (Equipe de Intervenção Estratégica) da 1ª Seccional, em São Paulo.
Ele, que atua no mercado de bitcoins, que é uma moeda virtual, é acusado de usar os documentos das pessoas que se cadastram para investir nessa moeda para abrir as contas bancárias.
A investigação aponta que foram usados os documentos de 258 pessoas para aplicar o golpe no banco. Como a sede do banco é em São Paulo, o inquérito corre por lá. Por isso, o preso é mantido na Capital, onde deve permanecer pelo menos até o final das investigações.
Mais investigados
Durante a operação, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dele e em endereços de familiares e amigos também suspeitos de participação nos crimes.
Um motoboy de 30 anos, morador no bairro Santana, em Araçatuba, é um dos investigados. Ele confessou à polícia ter movimentado R$ 900 mil em contas emprestadas ao investigado preso para depósito do dinheiro.
De acordo com ele, esse montante seria referente aos investimentos em bitcoins. Por ter emprestado as contas, ele teria ganho R$ 90 mil, o que corresponde a 10% do valor. Um Jeep Renegade adquirido com parte desse dinheiro foi apreendido por determinação da Justiça.
A esposa do investigado também prestou depoimento e teve apreendido um Audi Q3, pelo qual disse ter pago R$ 92 mil à vista.
Segundo a polícia, ela também teria emprestado contas bancárias para depósito do dinheiro furtado do banco, por meio da fraude. O acusado também teria aberto contas em nome das filhas do casal, uma com 9 e a outra com 10 anos, para receber o dinheiro desviado.
A irmã e da esposa do investigado e o marido dela também e são investigados. Todos respondem em liberdade e não há previsão de data para conclusão do inquérito.