Uma mulher de 40 anos, moradora no bairro Jardim Nossa Senhora de Fátima, em Birigui (SP), foi presa na manhã desta segunda-feira (4), por maus-tratos a animais. Na casa dela foi encontrado um cão debilitado e com convulsões.
Policiais militares foram ao imóvel na rua São Luís, por volta das 10h, onde já estava uma advogada integrante da Comissão de Proteção aos Animais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Birigui, que também integra o Grupa (Grupo de Amigos Unidos Pelos Animais).
Ela contou que recebeu denúncia anônima em formato de áudio, informando que no imóvel haveria um cachorro em situação de maus-tratos, caído, babando e tremendo. Em seguida foi recebido outro áudio, no qual o denunciante estava ainda mais desesperado, afirmando que o cachorro já poderia estar morto.
Chegando no imóvel ela foi recebida pela mulher que se apresentou como mãe da tutora do cão, que autorizou a entrada no imóvel. Ao encontrar o animal em sinais de maus-tratos, a advogada acionou o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) e a Polícia Militar, sendo constatado que a casa estava em situação de aparente abandono, com o cachorro sem comida e em meio a fezes espalhadas pelo quintal, aparentemente de vários dias.
Debilitado
O cão estava em uma área sem cobertura e não conseguia sequer ficar de pé, segundo o que foi relatado pela advogada. Ele chegou a ter três convulsões durante o atendimento à ocorrência e não reagia aos chamados. Encaminhado para a clínica veterinária, o cão teve sangue colhido para exames.
O cachorro estava deitado lateralmente e com a respiração curta e rápida, no sol e foi movido para a sombra para análise preliminar de sua situação. Ele também apresentava intensa salivação, desidratação e estava muito magro, além de uma dermatite na sua região abdominal, com bastante urina e odor forte.
Apesar de haver água para os animais, a veterinária disse que não viu comida. Ela confirmou que havia fezes espalhadas pelo quintal e algumas garrafas de cerveja em locais inadequados, bem como materiais de construção.
A médica veterinária que fez o atendimento disse que a casa onde o animal foi encontrado aparentemente está em reforma. Havia um segundo cão no quintal, mas aparentemente sem sinais de maus-tratos.
Guarda
Segundo a polícia, a investigada alegou em depoimento que ao lado da casa dela há um imóvel abandonado que seria utilizado por usuários de drogas. Por isso, ela pediu para que um amigo lhe desse um cachorro de grande porte para que ele cuidasse do imóvel.
Ela contou que ganhou o cachorro há dois ou três meses, já adulto, nunca o levou ao veterinário, mas disse que ele não havia apresentado nenhum problema de saúde até então e sempre comia e bebia bem.
Bicho
Ela argumentou que levava água e comida para o cachorro pelo menos duas vezes ao dia, no horário do almoço e no final da tarde, e que na noite de ontem um vizinho teriam comentado que o cão “estava meio tonto” .
A investigada disse que imaginou que ele pudesse ter sido picado por algum bicho e decidiu que o levaria a um veterinário hoje, juntamente com uma vizinha, mas os cuidadores de animais chegaram antes e o socorreram.
Presa
O delegado Eduardo Lima de Paula, que presidiu a ocorrência, decidiu pela prisão em flagrante da investigada. Ele considerou que apesar de ainda não haver um laudo técnico do médico veterinário que examinou o animal, os testemunhos da médica veterinária e das demais pessoas ouvidas são suficientes para classificar a conduta da indiciada crime de maus-tratos aos animais.
A pena, em caso de condenação é de 2 a 5 anos de prisão, por isso não cabe fiança na fase policial, permanecendo a tutora à disposição da Justiça para ser apresentada em audiência de custódia.
