Polícia

'Nunca fui, nem sonhava com aquilo', afirma Cleudson sobre casa de prostituição exibida no Fantástico

Dona do estabelecimento tinha contratos com a OSS Santa Casa de Pacaembu; para a investigação, casa noturna era administrada por Fernando Rodrigues de Carvalho, que era gerente do Hospital Geral de Carapicuíba

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
09/11/20 às 14h40
Informações sobre casa de prostuição foram divulgadas em reporagem exibida pelo Fantástico, sobre esquema que seria liderado por Cleudson (Foto: Reprodução)

O médico Cleudson Garcia Montali, réu em processos que investigam suposto esquema de desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de contratos com OSs (Organizações Sociais de Saúde), afirmou que não tinha conhecimento sobre contratos da entidade com dona de casa de prostituição em Carapicuíba.

Ele foi questionado por parlamentares durante depoimento à CPI da Quarteirização, na última quarta-feira (4). Apesar de negar, a investigação cita que Lucirene do Rocio Guandeline, em nome de quem o bar está registrado, teria entregado dinheiro diretamente a Cleudson em um aerporto em Curitiba (PR).

Essa casa noturna foi apresentada em reportagem exibida pelo Fantástico sobre a Operação Raio X, da Polícia Civil de Araçatuba. Nela foram exibidas imagens de Fernando Rodrigues de Carvalho, gerente do Hospital Estadual de Carapicuíba, sob gestão da Pacaembu, ao lado de mulheres nessa casa noturna.

A matéria do Fantástico exibiu áudio que seria de Fernando falando sobre "concurso de strip” com mulheres que os acompanhavam e citou que parte do dinheiro que seria desviado pela OSS viraria presentes para as garotas de programa, como vales-sapatos e vales-salão.

Ainda de acordo com o que foi apurado, Lucirene seria apenas "laranja" de Fernando, que seria o verdadeiro administrador da casa de prostituição, usada para lavagem de dinheiro. Tanto Fernando quanto a proprietária dessa casa noturna foram presos durante a operação.

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Reportagem exibiu áudio que seria de Fernando, falando sobre concurso de strip (Foto: Reprodução)

Concurso

O contrato de gestão do Hospital Estadual de Carapicuíba com a OSS Pacaembu, gerenciado por Fernando, é de mais de R$ 16 milhões por mês, segundo informado no Fantástico.

Em depoimento, Cleudson disse que conheceu Fernando durante visita a um hospital em Araucária, onde esteve para apresentar um projeto de gestão.

“Ele era o interventor em Araucária. Achei ele um cara preparado, porque ele é professor formado pela PUC Paraná, tem mestrado... ...ele tocava muito bem o projeto, uma pessoa séria, tecnicamente preparada, tem um currículo bom”.

Cleudson disse ainda que esteve no Hospital de Carapicuíba por 12 vezes, no máximo, e afirmou que não conhecia Lucirene, dona da casa noturna, apesar de saber que ela tinha dois contratos com a OSS Pacaembu.

Supresa

O médico contou que viu a reportagem do Fantástico, apesar de estar preso, e alegou que a relação da casa de prostituição com Fernando foi surpresa para ele. “Não conheço, conheci agora que ela foi presa e tive duas vezes com ela sim, mas eu não a conheci e não tenho contato nenhum com ela”, disse.

Ainda em depoimento, disse que ficou supreso com a proximidade de Fernando com Lucirene e com a casa de prostituição. “Nunca fui. Nem sonhava com aquilo, foi uma surpresa para mim”, declarou.

E questionado sobre os contratos com Lucirene, ele respondeu: “não posso responder para o senhor, porque senão vou estar sendo leviano. O administrador naquele hospital era o Fernando e essa contratação eu não participei dela, sinceramente eu não sei”.

Lucirene seria 'laranja' de empresas com contrato com a OSS Pacaembu

Fantástico exibiu imagens de Fernando Rodrigues de Carvalho ao lado de mulheres em suposta casa de prostituição (Foto: Reprodução)

Fernando Rodrigues de Carvalho e Lucirene do Rocio Guandeline foram presos durante a Operação Raio X e respondem processo por integrar organização criminosa.

Durante depoimento à CPI das Quarteirizações, na quarta-feira, um dos deputados disse que, de acordo com a polícia, Fernando usava a casa noturna para atrair prefeitos do interior, com o objetivo de convencê-los a assinar contrato com as OSSs investigadas. Entretanto, a reportagem apurou que não existem indícios sobre essas afirmações.

A denúncia apresentada pelo Gaeco (Crupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público aponta Fernando como funcionário público contratado pela Santa Casa de Misericórdia.

Ele exercia a função de gerente do Hospital Geral de Carapicuíba, mas também controlava empresas que tinham contrato de prestação de serviços com a OSS, atuando como sócio oculto em pelo menos duas delas, de propriedade de Lucirene.

Como dirigente do hospital, ele controlava a fiscalização dos serviços prestados e os valores pagos às referidas empresas. Assim, manteria o equilíbrio na emissão de “notas frias” para não chamar a atenção dos órgãos de fiscalização.

Laranja

Ainda de acordo com a denúncia, Lucirene seria apenas “laranja” de empresas com contrato com a OSS Pacaembu, as quais na verdade, Fernando teria domínio total, repassando a ela apenas parte dos valores desviados.

Festas que seriam realizadas na casa de prostituição que seria dela também são citadas na denúncia, onde consta haver indícios de que Fernando atuava diretamente ao lado de Cleudson, tendo participado com ele de reuniões no Pará, onde a OSS também fechou contratos.

As empresas de Lucirene, segundo consta nos autos, seriam a GRL Equipamentos e Serviços Hospitalares e Lucirene do Rocio Guandeline Eireli. Ela também é responsável pela “ Monada Drinks Bar”, que seria a citada casa de prostituição.

Depósitos

A investigação encontrou comprovantes de depósitos bancários feitos por esse estabelecimento, destinados a outro membro do grupo investigado, que emprestaria a conta bancária para que Cleudson recebesse os valores desviados das empresas gerenciadas por Fernando.

A denúncia cita que há informação confirmando que parte do dinheiro desviado dos contratos de Saúde era utilizado para pagar festas realizadas regularmente na casa de prostituição de Lucirene, a qual na prática seria comanda por Fernando.

Apesar de Cleudson negar conhecer a dona do bar, conversas interceptadas com autorização da Justiça apontam indícios de que ela entregou dinheiro a ele pessoalmente, em um aeroporto em Curitiba (PR).

Não procede

Em nota enviada ao Fantástico e divulgada na reportagem, a defesa de Fernando informou que ele possui doenças graves, que as acusações não são verdadeiras e que estariam utilizando fatos da vida pessoal dele, sem relação com o objeto da investigação, apenas para constrangê-lo.

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