A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira (15), a Operação Anteros, para prender acusados de integrar organização criminosa especializada em aplicar golpes em vítimas aliciadas pela internet, por meio de sites ou aplicativos de namoro.
Após serem seduzidas, elas acabam depositando dinheiro que seria para recebimento de mercadorias. Em Araçatuba já houve vítimas desse tipo de golpe e policiais civis da região foram escalados para auxiliar no cumprimento dos mandados de busca e a apreensão e de prisão expedidos pela Justiça de Martinópolis, na região de Presidente Prudente.
Investigação
A ação é coordenada pela Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Presidente Prudente, que identificou que os crimes eram cometidos em ao menos 24 Estados da Federação.
Segundo a polícia, a investigação identificou 437 vítimas que registraram boletim de ocorrência, somando R$ 24 milhões em prejuízo. Na área da Deinter de Prudente, 12 vítimas foram identificadas e ouvidas formalmente.
Entretanto, estima-se que com as subnotificações, seriam ao menos duas mil vítimas no País em três anos, movimentando R$ 250 milhões pela organização criminosa.
Investigados
Ao todo, 210 pessoas foram indiciadas e foram expedidos 181 mandados de prisão preventiva e 216 mandados de busca e apreensão.
Também foi determinado o sequestro de R$ 5 milhões entre bens móveis e imóveis e o bloqueio e sequestro bancário de 329 contas de pessoas físicas e jurídicas, com o objetivo de tentar recuperar e devolver os valores desviados.
A operação teve início às 6h desta terça-feira e ocorre simultaneamente em São Paulo e outros seis Estados.
Deus vingador
Na mitologia, Anteros é o deus grego do amor correspondido e vingador do amor não correspondido, por isso deu nome à operação. A investigação partiu da operação Voo de Ícaro, que em 2019 desarticulou organização criminosa que atuava em estabelecimentos prisionais, entregando materiais com auxílio de drones.
Ao analisar o celular de um dos presos naquela operação, a polícia identificou farta movimentação bancária e a investigação descobriu essa organização criminosa que atua em diversos países, não só no Brasil.
Como agem
Segundo a investigação, entre os criminosos há os conhecidos por
“romance scammers”.
Eles utilizam perfis falsos para cooptar vítimas nas redes sociais ou por aplicativos de namoros virtuais e enviam solicitação de amizade.
Os alvos são principalmente funcionários públicos, idosos, independente do sexo, mas com alto poder aquisitivo. A seleção das vítimas é feita em pesquisas nas redes sociais, já que muitas pessoas expõem essas informações.
Feito o contato, os investigados iniciam o namoro virtual e as vítimas são convencidas a enviar fotos ou vídeos íntimos que são utilizados na extorsão.
“Fakelover”
Outra modalidade de crime do grupo é praticada pelos
“fakelovers”.
Nesse caso, os golpistas alegam que moram no exterior e precisam enviar bens para o Brasil.
Eles pedem ajuda à vítima para receber a mercadoria, mas quando o suposto material chega ao Brasil, uma pessoa, se passando por funcionário da alfândega, cobra o pagamento de impostos. A vítima acaba fazendo o pagamento, mas não consegue a liberação do material, pois ele não existe.
Extorsão
Segundo a polícia, muitas vítimas acabam não denunciando o crime porque os golpistas ameaçam divulgar as fotos comprometedoras em redes sociais e exigem mais dinheiro.
Ainda de acordo com a polícia, esse tipo de crime ocorre desde 2014 e a organização criminosa se enraizou no País justamente pela falta de denúncia por parte das vítimas, seja pela vergonha, constrangimento ou medo.