A Polícia Federal do Pará cumpriu na manhã desta quarta-feira (18), mais um mandado de prisão preventiva expedido contra o médico anestesista Cleudson Garcia Montali, que é de Birigui (SP). Ele foi preso em setembro do ano passado pela Polícia Civil de Araçatuba, acusado de ser o líder de uma suposta organização criminosa especializada no desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de OSSs (Organizações Sociais de Saúde).
Segundo o que foi apurado pelo Hojemais Araçatuba, também nesta manhã foi cumprido o mandado de prisão temporária expedido contra um empresário de Araçatuba e um médico de Birigui.
Ao todo, a Justiça Federal do Pará expediu 95 mandados de busca e apreensão, 54 mandados de prisão temporária e seis mandados de prisão preventiva, a serem cumpridos nos Estados do Pará, São Paulo, Goiás, Ceará, Amazonas, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Mato Grosso.
Outros presos
A reportagem confirmou que entre os presos preventivamente estão Regis Pauleti, apontado pela investigação como operador da organização criminosa, e Nicolas André Tsontakis, que seria o operador financeiro do grupo.
Em nota divulgada à imprensa, a Polícia Federal informa que a ação desta manhã foi denominada Operação Reditus, que em latim significa regresso, volta; noutros moldes, o mesmo que retorno. A investigação apurou que os integrantes do grupo criminoso costumavam chamar os valores desviados de "volta".
O objetivo principal desta fase é esclarecer fatos relacionados aos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais apontados no decorrer das investigações. Participam da ação 400 policiais federais, servidores da Receita Federal e da Controladoria-Geral da União.
Os contratos investigados ultrapassam R$ 1,2 bilhão e envolvem quatro organizações sociais, cinco hospitais regionais e quatro hospitais de campanha montados para enfrentamento da pandemia do novo coronavírus (covid-19).
Esquema
Ainda segundo a PF do Pará, as investigações apontaram que o governo estadual fazia repasses de verba às Organizações Sociais contratadas e elas subcontratavam outras empresas para prestarem serviços nas unidades de saúde geridas pelo suposto grupo criminoso, prática conhecida como “quarteirização” .
Conforme já foi publicado pelo Hojemais Araçatuba , esses serviços subcontratados seriam superfaturados ou não eram prestados. Assim, a verba que deveria ser destinada à aquisição de bens ou serviços retornava para os integrantes da organização criminosa por meio de um complexo esquema de lavagem de dinheiro.
A Justiça Federal determinou a suspensão das atividades de duas empresas utilizadas para lavagem de capitais, as quais não tiveram os nomes divulgados, e o sequestro de bens móveis e imóveis pertencentes ao principal operador financeiro do esquema, avaliados em mais de R$ 150 milhões.
Por fim, foi determinado o bloqueio de mais de R$ 800 milhões das contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas investigadas.
